Vila Franca de Xira recusa borlas para estacionamento eléctrico
Proposta do Chega queria isenções no pagamento do estacionamento para quem conduzir automóveis exclusivamente eléctricos, mas restante executivo municipal temeu o potencial impacto discriminatório da medida.
O executivo municipal de Vila Franca de Xira declinou, na última reunião de câmara, uma proposta apresentada pelo vereador do Chega visando conceder a isenção de tarifas de estacionamento para veículos totalmente eléctricos em zonas de estacionamento de duração limitada. O documento, apresentado por Barreira Soares, pretendia conceder isenções no pagamento do estacionamento a quem conduz carros totalmente eléctricos, desde que acompanhados por um dístico identificativo de veículo eléctrico disponibilizado pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
“Esta proposta quer aumentar a apetência pela mobilidade eléctrica no nosso município contribuindo de forma directa para a melhoria do custo/benefício na compra de um veículo eléctrico”, destacou Barreira Soares lembrando que em breve o concelho vai ter uma rede ampliada de pontos de carregamento e que muitos deles estarão precisamente em zonas reguladas por parquímetros. “Parece-nos da mais elementar justiça que, tendo em conta que estes utilizadores pagam de forma indirecta comissões pela energia consumida ao município, este possa isentar o seu custo de permanência em estacionamentos de superfície”, defendeu.
A proposta mereceu os votos contra de todas as forças políticas à excepção do Chega. Do lado da CDU, Nuno Libório criticou a falta de razoabilidade da proposta, lembrando que os transportes e a mobilidade carecem primeiro de uma avaliação global a nível concelhio. “A esmagadora maioria das pessoas não tem capacidade para comprar carros eléctricos, nem essa é a prioridade. Os problemas que afligem hoje os portugueses são outros”, lamentou.
Já a Coligação Nova Geração (PSD/PPM/MPT), pela voz de David Pato Ferreira, alertou para a eventual discriminação positiva que a proposta iria gerar. “Percebo e concordo com o âmago da proposta. Mas o que estamos a dizer é que quem conduz um carro de 1998 por falta de capacidade para comprar um eléctrico tem de pagar para estacionar. E quem tem capacidade financeira para ter um eléctrico está isento desse pagamento. Estamos a colocar mais peso nos orçamentos de quem já pouco tem”, afirmou.
David Pato Ferreira lembrou que a proposta é, também ela, redutora, abrangendo apenas três ruas da cidade de Vila Franca de Xira (Alves Redol, Serpa Pinto e a zona do mercado municipal). “Parece-me uma proposta pequena, curta e com um potencial carácter discriminatório que me preocupa”, notou, prometendo voltar ao tema logo que seja realizado um plano de estacionamento e definida uma visão ampla para todo o estacionamento no concelho.
Do lado do PS a vice-presidente do executivo, Marina Tiago, afirmou não poder acompanhar a proposta do Chega porque a opção de privilegiar um estacionamento que pode vir a ser de longa duração “pode constituir-se como medida contra-producente ao comércio local”. A autarca defendeu também que o importante é continuar a alargar a rede de carregamento no concelho e não criar uma isenção exclusiva para detentores de viaturas eléctricas que, no seu entender, iria causar “uma discriminação não positiva”.


