Sociedade | 06-12-2023 21:00

Tipo de resíduos que estão nas lagoas e ETARI da Fabrióleo levanta dúvidas

Tipo de resíduos que estão nas lagoas e ETARI da Fabrióleo levanta dúvidas
Em Dezembro de 2022 foram recolhidas amostras para análise dos 13 depósitos da fábrica que deixou para trás passivo ambiental. fotoDR

Tiago Ferreira, vereador social-democrata em Torres Novas, quer provas de como os líquidos analisados são efectivamente perigosos e que a operação de remoção, que vai custar mais de 700 mil euros, não envolve “negociatas” com dinheiros públicos. Trabalhos de recolha dos resíduos arrancam a 4 de Dezembro.

O vereador do PSD na Câmara de Torres Novas, Tiago Ferreira, exigiu na última reunião do executivo uma clarificação sobre o tipo de resíduos que estão depositados nas lagoas e Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI) da Fabrióleo, a antiga fábrica de óleos usados instalada em Carreiro da Areia. O pedido surge depois de ter tido acesso a uma guia electrónica de acompanhamento de resíduos (e-GAR) na qual, afirmou, está descrito que os efluentes que estavam nos depósitos eram “óleos e gorduras alimentares usados”, ou seja, não se tratava de resíduos perigosos, mas de “matéria-prima” com “valor económico”.
“Estamos a gastar 700 mil euros que são dos contribuintes. Temos de ter certeza de que o que lá está são resíduos tóxicos. Quero estar de consciência tranquila que efectivamente são resíduos perigosos e que não há aqui questões por trás, de empresas a fazer negociatas com dinheiro que é público”, disse Tiago Ferreira, referindo-se aos líquidos que estão depositados na lagoa e ETARI e que vão começar a ser removidos e encaminhados para tratamento ou deposição em aterro, numa operação gerida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com apoio do município e que é financiada pelo Fundo Ambiental.

Processo acompanhado de perto pela APA
O presidente do município, Pedro Ferreira (PS), em resposta ao vereador, garantiu que todo o processo foi acompanhado de perto pela APA, que é a entidade que tem responsabilidade neste processo, e que todos os líquidos retidos nas lagoas e ETARI foram “altamente” analisados. “Acho difícil chegar-se à conclusão de que afinal aquilo não tinha tanta perigosidade”, disse.
Também em resposta às mesmas questões levantadas por Tiago Ferreira, o vereador com o pelouro do Ambiente, João Trindade (PS), quis deixar claro que a guia à qual o social-democrata fez referência nada tem a ver com os efluentes depositados nas lagoas ou ETARI, mas a uma operação já efectuada e que dizia respeito aos 13 depósitos que estavam na parte superior das instalações da antiga fábrica insolvente.
Sobre os líquidos que, adiantou, vão começar a ser removidos a 4 de Dezembro, João Trindade sublinhou que as análises foram efectuadas à responsabilidade da APA, entidade que concluiu que tinham que ser removidos. Lembrando o sofrimento das populações de Carreiro da Areia e Pintainhos, e das “décadas de contaminação de linhas de água”, o vereador socialista lamentou as suspeitas de que os efluentes contidos nas lagoas e ETARI possam não ter “grau de contaminação elevado”.
Tiago Ferreira voltou a insistir que é preciso haver certezas, através do relatório de análises, e que não se pode afirmar que há resíduos perigosos apenas em função do que se observa.

Remoção de resíduos custa mais de 700 mil euros

A aquisição de serviços para remoção, recolha, transporte e tratamento de resíduos da Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI) da ex-Fabrióleo, recorde-se, foi adjudicada à empresa EGEO - Tecnologia e Ambiente, SA, pelo valor de 702.830 euros, acrescido de IVA, e prazo de execução de 120 dias. O procedimento tem como objectivo assegurar o encaminhamento dos resíduos armazenados nos diversos tanques e lagoas localizados nas instalações da ex-Fabrióleo, que fechou em 2020 por decisão do tribunal, para tratamento em destino final adequado.

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