Sociedade | 18-12-2023 07:00

Plano de adaptação às alterações climáticas de VFX aprovado após consulta pública

Plano de adaptação às alterações climáticas de VFX aprovado após consulta pública
Zona ribeirinha da cidade de Vila Franca de Xira vai perder mais de 90 centímetros este século e as cheias serão mais frequentes

Apenas o Partido Pessoas, Animais e Natureza participou na consulta pública mas sem recomendar introduções que obrigassem a reescrever o documento.

A versão final do plano de adaptação às alterações climáticas do concelho de Vila Franca de Xira foi aprovado em reunião de câmara depois de ter estado em consulta pública. Houve apenas uma participação, do Partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) onde apesar dos considerandos não houve necessidade de reescrever o documento final que agora seguiu para aprovação final da assembleia municipal. O documento criado por uma equipa técnica de professores universitários, recorde-se, não tem dúvidas e traça um cenário difícil para este século considerando o concelho bastante vulnerável perante o que se perspectiva.

Como O MIRANTE já tinha noticiado, o plano define 15 medidas de adaptação, que se subdividem em linhas de intervenção e acções prioritárias a realizar até 2030 para que, pelo menos, os impactos não custem tanto à população a suportar. Pretende também fazer face aos riscos climáticos que irão afectar o concelho no curto, médio e longo prazo, nomeadamente cheias rápidas e inundações; calor excessivo; secas agrometeorológicas e hidrológicas, subida do nível médio do mar e incêndios rurais extremos.
Segundo o estudo, até final do século as mudanças climáticas em Vila Franca de Xira podem levar à subida da temperatura média anual, com aumento da frequência de situações de calor intenso e diminuição dos episódios de tempo frio, causando impactos em sectores tão diferentes como a agricultura, o desenvolvimento das espécies autóctones ou até a migração de espécies exóticas, incluindo agentes patogénicos.

Todo o estuário do Tejo vai sofrer com o aumento do nível das águas do mar que irá causar penetração das águas salinas para montante, o que irá prejudicar as actividades agrícolas e já não há como fugir a essa evidência. O clima da região já apresenta uma seca significativa, mais acentuada entre Maio e Setembro. “Espera-se que haja uma extensão e agravamento do número de dias secos e muito secos, assim como uma redução da extensão da estação húmida e da frequência dos períodos de recarga de aquíferos”, alertam os especialistas no documento a que O MIRANTE teve acesso.
As projecções apontam para reduções progressivas da produtividade agrícola em 2100, que rondarão 15% a 30% relativamente à actualidade. Tudo indica que as pastagens serão afectadas, assim como as culturas permanentes (frutícolas e vinha). As culturas de sequeiro, como os cereais, também serão condicionadas pelas alterações climáticas.
A subida do nível das águas não afectará só a agricultura: o rio vai engolir 90 centímetros à zona ribeirinha da cidade, piorando na preia-mar equinocial, estando previstas mais cheias no Tejo.

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