Sociedade | 20-12-2023 10:00

Falta de “papel” impede abertura de valências no concelho da Chamusca

Nova sala da creche “O Coelhinho” e Centro de Dia do Semideiro continuam indisponíveis embora as valências já tenham sido inauguradas há vários meses. Presidente da Câmara da Chamusca diz que Segurança Social exige “um papel que não existe”.

Existem duas valências no concelho da Chamusca que foram inauguradas há meses, mas que ainda não estão disponíveis para usufruto da população por falta de “um papel”. O presidente da Câmara da Chamusca, Paulo Queimado, explicou que a nova sala da creche “O Coelhinho” e o Centro de Dia do Semideiro continuam fechados porque o Instituto de Segurança Social (ISS) “quer um papel que não existe” relativo à titularidade dos terrenos onde se situam os edifícios. O autarca lamentou que este impasse coloque em causa a realidade familiar de muitas famílias, nomeadamente as cerca de “40 que estão em fila de espera” para colocar as crianças na creche pertença da Santa Casa da Misericórdia da Chamusca.
A Segurança Social, contactada por O MIRANTE, refere que não tem processos pendentes com “O Coelhinho”. Relativamente ao Centro de Dia do Semideiro, a instituição diz que falta “comprovar que o imóvel está na sua posse e respeita as regras de segurança, sendo necessário para o efeito juntar certidão do registo predial válida e actualizada e comprovativo de aprovação, pela Autoridade Nacional da Protecção Civil, de medidas de autoproteção contra incêndios”.
Recorde-se que em Julho deste ano foi inaugurado o novo Centro de Dia do Semideiro, localizado na freguesia de Ulme, depois da requalificação antiga escola do primeiro ciclo da aldeia. A valência, gerida pelo Centro de Apoio Social de Ulme (CASULME) foi inaugurada com pompa e circunstância. Paulo Queimado chegou mesmo a afirmar que no futuro existe a intenção de concretizar um projecto de “aldeia-lar” para idosos no Semideiro. Cerca de quatro meses depois o espaço continua encerrado.
No caso de “O Coelhinho”, cuja nova sala foi inaugurada em Setembro deste ano, o provedor da Misericórdia da Chamusca explicou a O MIRANTE que o atraso da abertura se deve a questões burocráticas. “Para termos licença de financiamento tínhamos de ter tudo legalizado e autorizações da Segurança Social, câmara municipal, Protecção Civil e Autoridade de Saúde. Das quatro faltam duas”, explicou. Na mesma altura, O MIRANTE falou com alguns pais que não escondem revolta estarem à espera há vários meses para colocar e ainda não terem novidades sobre o futuro. Um dos pais, que pediu ao nosso jornal para não ser identificado, lamenta que depois de “uma grande festa de inauguração”, a nova sala se encontre “por abrir e com inúmeras crianças a aguardar por processos de licenciamento e autorizações que mais funcionam como pedras de arremesso entre a Santa Casa e a Câmara Municipal da Chamusca sem se chegar a qualquer previsão para resolução” do problema. “Quem na verdade fica prejudicado no meio disto tudo são as crianças (…) e os pais que não encontram alternativas para colocar os seus filhos durante o horário de trabalho”, acrescentou, adiantando que já enviou um pedido de inscrição para uma creche noutro concelho e que, à partida, em Janeiro, terá o seu filho nesse estabelecimento. O projecto de requalificação da creche permitiu aumentar para o dobro o número de vagas da creche, que vai poder acolher mais de 80 crianças.

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