Sociedade | 24-12-2023 12:00

Entrevista a O MIRANTE do vice-presidente da IP não chega para convencer presidente da Câmara de Vila Franca de Xira

Entrevista a O MIRANTE do vice-presidente da IP não chega para convencer presidente da Câmara de Vila Franca de Xira
Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, disse em entrevista a O MIRANTE que a quadruplicação da linha de comboio à superfície é inevitável

Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira leu a entrevista de Carlos Fernandes, vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, a O MIRANTE e diz continuar à espera que aquele organismo responda formalmente ao município explicando por que motivo a construção de um túnel não é viável.

A Câmara de Vila Franca de Xira vai acompanhar todos os projectos que a Infraestruturas de Portugal (IP) venha a apresentar visando o alargamento da Linha do Norte entre Alhandra e Vila Franca de Xira e estará disponível para ajudar aquele organismo a minimizar os impactos. “Seja numa quadruplicação à superfície ou em túnel”, garante o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), em resposta à entrevista concedida a O MIRANTE por Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, que deu nota que a quadruplicação da linha férrea à superfície é inevitável.
Isto apesar dos autarcas de VFX terem aprovado uma posição conjunta defendendo a solução túnel como a melhor opção para os dois territórios. “Tomámos a posição que consideramos mais correcta do ponto de vista urbanístico e de vida para VFX e Alhandra. Consideramos que a IP devia revisitar esse estudo de enterrar a linha e apresentar justificações para a sua realização ou não realização. Li a entrevista a O MIRANTE mas continuamos a aguardar uma resposta formal da IP sobre as questões que colocámos”, explica Fernando Paulo Ferreira.
Instado a comentar a entrevista, à margem da última reunião de câmara, o autarca diz que o município tentará“minimizar os impactos que a linha possa vir a causar, sejam eles quais forem. Isto, note-se, num projecto que não é responsabilidade nem competência do município. “Até ter uma resposta formal da IP ao que questionámos não estou satisfeito, a entrevista não chega para a resposta que a câmara quer e precisa”, considera Fernando Paulo Ferreira.
A O MIRANTE, recorde-se, o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, defendeu que a solução túnel em Alhandra é “totalmente impossível” e que em Vila Franca de Xira, apesar de ser teoricamente exequível, é operacionalmente inviável por ter custos exorbitantes e exigências técnicas elevadas. “Seria das obras mais complexas que teríamos em Portugal. Sem contar com as demolições adicionais de edifícios que seriam necessárias”, explicou. Os dirigentes da IP contam ter o processo pronto para seguir para avaliação de impacte ambiental em 2024 para poderem apresentar um projecto de execução durante o ano seguinte, em 2025.

Petição online contra o projecto
Entretanto o movimento em defesa de Alhandra e VFX lançou uma petição online contra o projecto que, à data de fecho desta edição, já contava com mil assinaturas e onde se considera o projecto um retrocesso para a comunidade. “Causar uma destruição desta magnitude para ganhar 4 minutos na totalidade da viagem Lisboa-Porto é simplesmente loucura”, lê-se na petição, que acusa a IP de tomar atitudes anti-democráticas.
“A destruição da herança e qualidade de vida de duas localidades históricas é inaceitável. A população não tem qualquer forma de se defender contra decisões ditatoriais e unilaterais como estas, tal como no tempo dos grandes projetos do Estado Novo”, critica o documento, que para os subscritores mostra “a preguiça de quem toma decisões”. Na petição lê-se que o desafio é difícil, “mas a decisão de arrasar duas cidades para um ganho tão mínimo mostra desprezo pela vida dos cidadãos e incapacidade para pensar mais além do projecto”.

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