Sociedade | 26-12-2023 10:00

Continua drama das 40 famílias que compraram apartamentos em VFX e não os podem habitar

Continua drama das 40 famílias que compraram apartamentos em VFX e não os podem habitar
Gustavo Neto e Saulete Porto pedem que o município meta a mão na consciência e emita as licenças de habitação

Casal de Mafra escolheu mudar-se para Vila Franca de Xira acreditando que ia comprar a sua casa de sonho com vista para o Tejo, mas afinal o negócio acabou por colocar toda a sua vida em suspenso. Negociações entre promotor e a Brisa continuam e a câmara mantém posição de força.

Dezenas de caixotes empoleirados nos corredores com autocolantes a dizer “Vila Franca de Xira” guardam há mais de um ano os pertences do casal Gustavo Neto e Saulete Porto. Uma “vida em suspenso”, como dizem a O MIRANTE, enquanto esperam que o apartamento T2 que compraram no condomínio Vila Viva, em Vila Franca de Xira, possa ser habitado. Já está pronto a entregar mas a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira recusa passar as licenças de habitação enquanto o promotor não colocar barreiras de protecção acústica junto da Auto-Estrada do Norte (A1). Um assunto que, de resto, o nosso jornal tem vindo a dar nota no seguimento do desagrado que vários moradores têm relatado.
Gustavo e Saulete compraram a casa, deram metade do valor de entrada e ainda precisam de contratar o resto do crédito, a rondar os 93 mil euros. Enquanto isso foram obrigados a mudar-se para Alcochete, único sítio onde conseguiram encontrar uma casa disponível para alugar pagando 1.060 euros por mês. “Vivíamos em Mafra e vendemos a casa a pensar que o apartamento ia ficar pronto em Março de 2022. Afinal tivemos de procurar casa em Alcochete e até agora estamos num impasse, sem sabermos no que isto vai dar”, lamenta Gustavo Neto, que é técnico de informática. Com a vida em pausa, o casal vai-se agarrando à esperança que lhes é dada pelo promotor da urbanização.
“A Vila Viva não sabe quando é que haverá solução”, lamenta o casal. O problema é que, segundo dizem, o promotor está disponível para suportar a construção de barreiras acústicas numa extensão de 160 metros junto dos prédios e a Brisa, a concessionária da A1, exige 350 metros, “o que custaria perto de 700 mil euros”, dizem. O MIRANTE questionou a Brisa sobre este assunto mas não recebeu resposta até ao fecho desta edição.

Apelos à compreensão do município
O casal apela ao município de Vila Franca de Xira para ser sensível à situação das quatro dezenas de famílias que ali compraram casa e não as podem habitar. Numa altura em que a oferta de casas é escassa, ter 40 apartamentos prontos e vazios parece um contrassenso, dizem. “Sentimos que uns são filhos e outros são enteados”, criticam, lembrando que os moradores da primeira fase do condomínio já estão a habitar as casas ao passo que os 40 moradores da segunda fase ainda esperam pelas licenças.
“Com isto a câmara está a afastar os moradores da cidade”, lamenta o casal, que confessa já ter pensado desistir do negócio. “Podíamos vender a nossa posição e encontrar outra casa mas agora os preços estão extremamente mais caros do que na altura em que comprámos”, lamentam.
O MIRANTE voltou a questionar a Câmara de VFX sobre o assunto, que garante continuar a acompanhar de perto o processo e a aguardar os procedimentos para, dentro da legalidade e das suas competências, poder emitir as licenças de utilização do empreendimento Vila Viva. Segundo o município, o promotor está a analisar com a Brisa as medidas minimizadoras de ruído a consubstanciar em protocolo, que depois de assinado pelas partes deve ser remetido aos serviços municipais com a devida garantia bancária.
“Esses procedimentos implicam a garantia de medidas minimizadoras de ruído, a construção de um parque infantil e a retirada do antigo stand de vendas que são da responsabilidade do promotor”, acrescenta o município, confirmando que quando esses procedimentos forem concretizados “estarão reunidas as condições de aprovação do empreendimento”. A O MIRANTE, a Villa Viva já havia respondido anteriormente que o assunto “não reúne consensos”.
Entretanto um outro morador está a preparar uma carta aberta sobre o assunto tentando sensibilizar a câmara e a comunidade para o problema. Outro residente afectado pela situação, José Teles, com quem O MIRANTE falou em Outubro sobre o mesmo caso, diz estar disponível para agregar todos os moradores que estejam na mesma situação e disponibiliza o seu telefone para contacto (919172217).

Ruído na A1 é há muito um problema

O problema do ruído causado pelo intenso tráfego rodoviário na Auto-Estrada do Norte (A1) em Vila Franca de Xira é há muito conhecido. Em 2018 a Brisa publicou o seu Plano de Acção Estratégico de Redução de Ruído da A1, onde deu nota de que dados de tráfego de 2013 indicavam que só entre os dois lanços de VFX circulavam, por hora, mais de 3.566 veículos no período diurno, 2.419 ao entardecer e 648 durante a noite.

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