Sociedade | 01-01-2024 15:00

Aldeia Natal de Santa Cita é ecológica e amiga do ambiente

Aldeia Natal de Santa Cita é ecológica e amiga do ambiente
Helena Martinho e Telma Cunha criaram almofadas terapêuticas aromáticas. Eunice Carvalheiro marcou, pela primeira vez, presença na Aldeia Natal de Santa Cita

Produtos “amigos” do ambiente associados à saúde e bem-estar são cada vez mais uma aposta no artesanato. O MIRANTE conversou com três artesãs que mostraram os seus produtos na Aldeia Natal de Santa Cita.

A Aldeia Natal de Santa Cita, no concelho de Tomar, recebeu um mercado de Natal que reuniu artesanato, gastronomia, animação e música. Estiveram presentes artesãos, comerciantes e produtores locais para divulgar o seu trabalho que incide cada vez mais numa produção ecológica e amiga do ambiente. O MIRANTE esteve na iniciativa e conversou com as artesãs Eunice Carvalheiro, Helena Martinho e Telma Cunha.
Eunice Carvalheiro, de 36 anos, é proprietária da loja Nice Bio World, em Tomar, onde têm a unidade produtiva artesanal (UPA), com o conceito de ser uma marca biodegradável e com a menor pegada ecológica possível. Marcou presença pela primeira vez na Aldeia Natal de Santa Cita, onde vendeu produtos de cosmética sólida e orgânica, feitos manualmente, como sabonete para utilização corporal, shampoo sólido e também velas de cera de soja, o mais vendido na época natalícia, embora o sabonete de alfazema seja o mais procurado pelos clientes ao longo do ano. O projecto surgiu em 2019 pela sua ligação à natureza, preocupação ambiental e às “mezinhas” antigas feitas pela sua avó que a inspiraram a criar produtos bons para a pele e com uma boa duração. Participou em workshops e tirou o curso de cosmetologia avançada com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. “O azeite é dos melhores cicatrizantes que se podem utilizar na pele”, explica, lembrando que a avó ainda tem o hábito de colocar alecrim em azeite para aliviar as dores reumáticas.
Os sabonetes sólidos são feitos com azeite produzido em Tomar e demoram cerca de quatro semanas a ficarem prontos, explica. O sabonete de carvão é o que mais curiosidade suscita nos clientes por ser “um óptimo esfoliante e bom para a pele oleosa”. Eunice Carvalho utiliza também manteigas vegetais como karité, óleo de coco ou manteiga de cacau. A biodegradabilidade e o facto de não agredir a pele por ser mais natural e suave são alguns dos benefícios dos produtos. Desde a pandemia que as pessoas se preocupam mais com a pegada ecológica e com as pequenas práticas do dia-a-dia que podem fazer a diferença, como utilizar saboaria sólida na higiene diária, diz. “O nosso produto e o nosso negócio acaba também por ser uma reeducação do cliente”, refere.
As maiores dificuldades passam pela falta de apoios à produção artesanal, assim como a carga fiscal associada, diz, acrescentando que é exigido a um pequeno produtor o mesmo que a uma grande farmacêutica. O aumento dos custos da matéria-prima como o azeite também influencia o negócio e preço do produto final, mas Eunice Carvalheiro afirma que prima pela qualidade e faz de tudo para ter o preço mais competitivo dentro do mercado. Nota que os seus produtos têm tido um maior impacto nos clientes que têm preferido optar por investir em qualidade, referindo que tem clientes fiéis desde o início do negócio e que ajudam a marca a crescer.

Um negócio de amigas
Helena Martinho e Telma Cunha, de 49 anos, são amigas há quase três décadas. Conheceram-se na universidade e sempre partilharam o gosto pelos trabalhos manuais. Decidiram associar o gosto pelo artesanato à saúde e bem-estar e juntas desenvolveram o negócio “Two Friends”, onde vendem almofadas terapêuticas aromáticas recheadas com sementes como trigo e linhaça e plantas medicinais, nomeadamente alfazema e camomila, para aliviar as dores. Podem ser utilizadas quentes ou frias e existem três modelos: a almofada rectangular para qualquer parte do corpo, para a cervical e a almofada anti-cólicas para bebés. Vendem também gesso e almofadinhas perfumadas para as gavetas e bonecos, tudo feito manualmente. O processo passa por congelar as sementes e costurar a almofada.
Foi na Aldeia Natal que se estrearam no ano passado e decidiram voltar com as expectativas mais elevadas, apesar de considerarem que o artesanato não é devidamente valorizado. “Nem podemos contabilizar as nossas horas de trabalho porque senão as pessoas acham caro, fazemos isto mesmo pelo gosto”, contam. A divulgação do trabalho das artesãs é a maior dificuldade porque as pessoas não conhecem o conceito das almofadas, explicam. No futuro pretendem desenvolver-se mais no meio online e pensam na possibilidade de criar almofadas recheadas com caroços de azeitona ou cereja.

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