Sociedade | 06-01-2024 12:00

Passou ao lado dos autarcas a criação da Unidade Local de Saúde da Lezíria

Passou ao lado dos autarcas a criação da Unidade Local de Saúde da Lezíria
Ricardo Gonçalves deixou fortes críticas na assembleia municipal ao estado da saúde no concelho e no país

Presidente da Câmara de Santarém lamentou, na assembleia municipal, que os autarcas não tenham sido envolvidos no processo que levou à criação de um novo modelo de gestão que vai integrar o hospital distrital e os centros de saúde da Lezíria do Tejo. “Sabemos zero”, disse Ricardo Gonçalves, reiterando que não aceita a normalização da falta de cuidados de saúde no concelho e no país.

O presidente da Câmara de Santarém voltou a lançar fortes críticas ao estado do Serviço Nacional de Saúde e desta vez também ao processo de criação das Unidades Locais de Saúde (ULS), que Ricardo Gonçalves (PSD) diz ter sido desenvolvido na Lezíria do Tejo sem o envolvimento dos municípios que, recentemente, passaram a ter competências acrescidas na área da saúde. “Lamento que a onze dias da entrada em funcionamento da ULS, o município de Santarém saiba zero sobre o seu funcionamento, tal como acontece com os outros municípios da Lezíria”, criticou o autarca na sessão da assembleia municipal realizada a 20 de Dezembro.
O novo modelo das ULS entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2024 e coloca sob a mesma gestão o hospital de referência e os centros de saúde de cada território. No caso da Lezíria do Tejo, o Hospital Distrital de Santarém e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Lezíria passam a ter administração conjunta e Ricardo Gonçalves lamentou que a poucos dias da nova realidade não houvesse informação partilhada com os municípios por parte do Ministério da Saúde e organismos por si tutelados.
“Ninguém sabe o que está a fazer”
“Quando digo que a saúde está catastrófica em Portugal é por isto mesmo; ninguém sabe o que está a fazer. As nossas populações passam dificuldades e nós não podemos nem nos iremos calar. A nossa voz não deixará de apontar aquilo que está mal. A normalização disto é uma vergonha e eu não aceito a normalização da falta de cuidados de saúde no nosso país e no nosso concelho”, afirmou Ricardo Gonçalves na assembleia municipal, onde voltou a lamentar o encerramento de serviços no Hospital Distrital de Santarém e os transtornos causados aos utentes e familiares.
Contactado por O MIRANTE posteriormente, Ricardo Gonçalves informou que no dia seguinte à assembleia municipal o município recebeu o estudo da ULS que vai actuar na Lezíria do Tejo, mas mais uma vez lamentou que tudo tenha sido feito “nas costas dos autarcas”.
O decreto-lei que cria 32 novas Unidades Locais de Saúde, incluindo a ULS da Lezíria, foi publicado a 7 de Novembro de 2023. Segundo o diploma, que produz efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2024, “a integração dos ACES, hospitais e centros hospitalares já existentes no modelo das ULS constitui uma qualificação da resposta do SNS, simplificando os processos, incrementando a articulação entre equipas de profissionais de saúde, com o foco na experiência e nos percursos entre os diferentes níveis de cuidados, aumentando a autonomia gestionária, melhorando a participação dos cidadãos, das comunidades, dos profissionais e das autarquias na definição, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, maximizando o acesso e a eficiência do SNS”.

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