Sociedade | 07-01-2024 07:00

Estudo afasta risco imediato nas casas de A-dos-Melros afectadas por exploração de pedreira

Resultados do estudo geológico desenvolvido pelos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil foi apresentado à porta fechada no Instituto Superior Técnico e revela que as habitações de A-dos-Melros afectadas por rebentamentos da pedreira da Cimpor não correm risco de ruir. Autarcas pediram o envio do estudo por escrito para ser analisado.

Não há risco imediato das casas de A-dos-Melros, Alverca, virem a ruir mas é necessário tomar medidas preventivas e ter cuidados para que a situação não se agrave, entre eles que os rebentamentos da pedreira da Cimpor se mantenham longe da aldeia, que a câmara altere os critérios de licenciamento de futuras habitações em A-dos-Melros e que haja um maior cuidado com os lençóis freáticos existentes na zona.
Estas são algumas das principais conclusões e recomendações avançadas pelos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que, na terceira semana de Dezembro, apresentaram no Instituto Superior Técnico em Lisboa os primeiros resultados do estudo geológico realizado durante o último ano em A-dos-Melros.
A apresentação teve lugar à porta fechada com representantes dos moradores, junta de freguesia e Câmara de Vila Franca de Xira. Duas centenas de técnicos do LNEC estiveram vários meses na aldeia e analisaram toda a encosta, praticamente até à vizinha localidade da Calhandriz e confirmaram terem registado rebentamentos provenientes da pedreira da Cimpor, mesmo que esses rebentamentos tenham sido afastados da aldeia por indicação da Direcção-Geral de Energia e Geologia.
Ainda que na apresentação os técnicos não tenham estabelecido um nexo directo de causalidade entre os rebentamentos e o estado em que se encontram as habitações, tal pode vir a acontecer quando o estudo for entregue em formato físico, como pediu o executivo da União de Freguesias de Alverca e Sobralinho. Na reunião, os técnicos lembraram também que seria desejável que o estudo se mantivesse na aldeia durante os próximos meses mas a falta de pessoal disponível e a elevada quantidade de técnicos envolvidos torna essa monitorização impossível. Vão, no entanto, manter-se vários sismógrafos e aparelhos de leitura instalados na aldeia para controlos periódicos.

Moradores continuam a pedir soluções
Quem vive em A-dos-Melros continua a queixar-se do problema diz que o caso está a cair no esquecimento e pede que a Câmara de Vila Franca de Xira seja mais vigorosa com a Cimpor no sentido de defender os interesses da comunidade. Ainda em Novembro, uma moradora da aldeia foi a uma reunião de câmara pedir ao presidente do município que tomasse medidas para defender quem ali vive. “Estão a esquecer-se do nosso problema, temos a casa destruída, cada vez mais, e temos muito medo de estar lá. Vejo que o assunto não está a ser resolvido e não se estão a preocupar com o problema das casas”, lamentou Paula Tomás.
As explosões perto da aldeia já não estão a acontecer, afiança o presidente da câmara, no seguimento de uma decisão administrativa da Direcção Geral de Energia e Geologia. “Os rebentamentos estão suspensos por isso a degradação das casas não decorrerá dos rebentamentos, o que não significa que não derive da própria pedreira pelos rebentamentos que foram feitos no passado”, notou.
Os moradores da aldeia, recorde-se, queixam-se que a exploração da pedreira tem causado impactos na qualidade de vida e nas casas, com várias habitações, muros e ruas da localidade a aparecerem com fendas profundas, como O MIRANTE já noticiou. A proibição do uso de explosivos junto da aldeia foi classificada pelos autarcas locais como uma justa e “enorme conquista” para as populações da aldeia.

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