Sociedade | 14-01-2024 12:00

Trabalhar as dores e emoções através da hipnose clínica

Trabalhar as dores e emoções através da hipnose clínica
Rosa Garrett é psicóloga clínica e trabalha com hipnoterapia clínica, uma técnica mais célere e benéfica para tratar traumas ou fobias

Deixar-se guiar numa espécie de sono terapêutico para chegar à raiz do problema é um processo vantajoso mas ainda escondido, mal compreendido e que não pode ser confundido com o hipnotismo.

A psicóloga e hipnoterapeuta Rosa Garrett fala desta técnica mais célere e benéfica a tratar traumas, fobias, distúrbios alimentares e usada até em quem quer deixar de fumar.

Foi depois de ano e meio a tratar com psicoterapia uma paciente com germofobia – medo exagerado da contaminação por germes, bactérias ou outros organismos invisíveis - que a psicóloga Rosa Garrett decidiu procurar uma alternativa terapêutica. Precisava de soluções mais céleres para aquela mulher que estava a ficar com a vida pessoal e profissional hipotecada devido ao quadro obsessivo-compulsivo que estava a desenvolver. Já “confiava na abordagem” da hipnose clínica e não hesitou por isso em procurar formação para poder exercer a técnica que leva os pacientes a um estado ampliado de consciência. “Com esta técnica descobri uma dimensão de trabalho com maior rapidez de intervenção nos casos para os quais é indicada e que leva a que as situações fiquem resolvidas, melhoradas e as pessoas recuperem a qualidade de vida”, começa por referir a psicóloga numa conversa com O MIRANTE a propósito do Dia Mundial do Hipnotismo, que se assinala a 4 de Janeiro.
Ao contrário do hipnotismo, prática associada ao mundo do espectáculo e do entretenimento, a hipnoterapia “tem um objectivo terapêutico associado”. Não se trata, esclarece, de a pessoa estar induzida e “fazer o que lhe mandam”, mas de “entrar num estado de relaxamento em que fica consciente e com controlo, mas mais permissiva a que sejam feitas algumas sugestões” que levam a um auto-conhecimento melhorado. “Tem que haver sempre uma base ética por parte de quem está a praticar a técnica, respeitar o indivíduo, os seus valores e princípios”, sublinha a psicóloga da Positiva.Mente, no Entroncamento.
Para quem está em sofrimento sem um motivo aparente ou identificado, para quem sofre com fobias, traumas, lutos mal resolvidos, comportamentos compulsivos como o alimentar e até para aqueles que estão diagnosticados com síndrome do intestino irritável ou querem deixar de fumar, “é mais fácil chegar à solução” através da hipnose clínica. “Nesse estado ampliado de consciência, a pessoa fica com maior acesso àquilo que é a sua capacidade mental e há menos defesas activas”, ou seja, menos resistências em chegar aos momentos dolorosos que estão bloqueados, “recalcados” pela mente e que podem ser a raiz do problema. “Há muita gente que está mal e não tem noção nenhuma do que é a base do problema, só quebrando barreiras conseguimos ir perceber lá atrás a essência”, diz.
Nas sessões, explica Rosa Garrett, o psicólogo funciona como um guia do paciente que é quem, na verdade, controla e permite o processo. “À partida todas as pessoas são hipnotizáveis mas têm que querer e permitir submeter-se, caso contrário criam resistências e é muito difícil conseguir-se”, refere. Acrescenta que é igualmente fundamental que o hipnoterapeuta seja conhecedor do historial clínico do paciente para saber se será vantajoso e até se pode ou não aplicar-lhe aquela técnica. “Há pessoas com patologia mental, com quadros psicóticos, que podem descompensar durante uma sessão. É muito sério”, reitera.

Atingir a calma para o resultado pretendido
Ao fim de quatro sessões de hipnoterapia a paciente com quadro agravado de fobia “melhorou significativamente”, pois a indução hipnótica permitiu-lhe “baixar as defesas, enfrentar os medos e perceber o que lhe estava a acontecer”. Cessou a baixa médica que durava há dois anos, voltou ao trabalho e passou a ter uma “relação normalizada com o que a envolvia”. Este primeiro caso tratado com hipnose foi o motor motivacional para Rosa Garrett prosseguir com a técnica que apresenta altas taxas de sucesso e resultados mais céleres e que usa como complemento à psicoterapia.
A hipnose clínica pode ser uma vantagem para muitos casos, mas Rosa Garrett recomenda que se procurem profissionais habilitados, preferencialmente que exerçam psicologia ou psiquiatria. “Deve-se ter cuidado porque a hipnoterapia mexe com áreas muito delicadas. Há pessoas que fazem o curso [de hipnoterapeuta] e depois são quase auto-didactas numa área que ainda não está regulamentada”, conclui em jeito de alerta.

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