Sociedade | 30-01-2024 15:00

Bomba de insulina inteligente chegou à região para mudar a vida dos diabéticos

Bomba de insulina inteligente chegou à região para mudar a vida dos diabéticos
Directora do Serviço de Diabetes e Obesidade, Cristina Gonçalves, (ao centro) com os utentes Ana Catarina Silva e David Alves ao lado, juntamente com a restante equipa e a médica Ana Rita Cardoso

Quatro doentes diabéticos da Unidade Hospitalar de Tomar já estão a beneficiar da “Bomba de Insulina Inteligente”, que administra insulina de forma contínua e realiza ajustes automáticos, evitando a necessidade de picadas no dedo e injecção com canetas. O aparelho custa 7.500 euros, mas os utentes não têm nenhum encargo.

O Sistema de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (PSCI), um tratamento realizado através de uma “Bomba de Insulina Inteligente” que funciona como um “pâncreas artificial”, chegou, no final de Novembro do ano passado, ao Serviço de Diabetes e Obesidade da Unidade de Tomar no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). O aparelho administra insulina de forma contínua, por meio de uma cânula subcutânea, e realiza ajustes automáticos consoante os valores de glicose, eliminando a necessidade de realizar testes de “picada no dedo” e a injecção de insulina com canetas. O método inovador previne ataques de hipoglicemia e hiperglicemia e evita que os utentes tenham de fazer os cálculos da quantidade de hidratos de carbono que ingerem a cada refeição, tendo apenas de indicar a quantidade de gramas ao aparelho.
Estima-se que o tratamento com bombas de insulina seja aplicado a 15 mil pessoas com diabetes tipo 1 a nível nacional até 2026, metade do número de utentes afectado pela diabetes. Os utentes são seleccionados com base em critérios definidos, como por exemplo o seu estilo de vida, explica a O MIRANTE a médica que coordena a equipa, Ana Rita Cardoso. No CHMT apenas quatro utentes estão a beneficiar das bombas de insulina actualmente, sendo que o tratamento vai ser alargado a mais quatro utentes no início de Fevereiro. Cada dispositivo ronda o valor de 7.500 euros, mas não existe nenhum encargo para os utentes.
Uma vida mais tranquila
Ana Catarina Silva, de 35 anos, residente em Ferreira do Zêzere, é uma das utentes que está a beneficiar do método inovador que lhe tem dado uma vida mais tranquila, admite. Descobriu que tinha diabetes tipo 1 há dez anos devido à perda de peso e ao aumento de apetite. A sede e vontade de ir à casa de banho foram também alguns dos sintomas que a fizeram recorrer a um médico. A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que os anticorpos começam a reagir contra o pâncreas, que, apesar de não ter uma causa bem definida, pode ter uma ligação hereditária, sendo que é necessário haver algum “gatilho”, que geralmente é uma infecção, explica a médica. Antes do sistema inteligente, a utente tinha de se picar, pelo menos, oito vezes por dia e injectar insulina a todas as refeições. A “Bomba de Insulina Inteligente” permite-lhe dormir oito horas seguidas após mais de 10 anos sem o conseguir, e fazer caminhadas sem ter de parar a meio para comer.
David Alves, 49 anos, de Tomar, foi diagnosticado com diabetes tipo 1 há cerca de 15 anos numa consulta de medicina do trabalho, mas preferiu ignorar a informação até ao ano seguinte. David Alves tinha um histórico familiar com a diabetes, o que fez com que já esperasse vir a ter a doença, mas só começou a dar importância quando a filha também foi diagnosticada. Nessa altura, apercebeu-se dos sintomas que tinha ignorado, como a sede, vontade frequente de ir à casa de banho, mudanças de humor e cansaço. Há cerca de seis anos teve de passar a injectar insulina. “Há aqueles momentos em que quero comer mais um bocadinho, mas já estou tão cansado de me espetar que prefiro não comer”, conta, dizendo que a bomba de perfusão de insulina lhe traz liberdade, qualidade de vida, autonomia, controlo e descanso.

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