Sociedade | 30-01-2024 12:00

“Os serviços de saúde em VFX estão de rastos”

“Os serviços de saúde em VFX estão de rastos”
Nélia Ferreira, do MUSP de VFX, diz que os utentes precisam de saber exigir melhor qualidade no atendimento

Nélia Ferreira é a representante no concelho de Vila Franca de Xira do MUSP - Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, - estrutura que tem dinamizado diversas iniciativas e protestos reclamando por mais e melhores serviços no concelho. A saúde e os transportes são as áreas onde há mais problemas.

Os serviços de saúde no concelho de Vila Franca de Xira funcionam de forma excelente para quem tem médico de família mas para os quase 80 mil cidadãos que estão privados desse apoio clínico o serviço está de rastos e implica horas de espera ao frio debaixo de toldos para poder ser atendido. Por isso, para o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) de Vila Franca de Xira, a situação é inaceitável e torna-se urgente a tomada de medidas a nível governamental que possam inverter o actual estado de coisas, incluindo tornar a carreira clínica mais atractiva no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Antes do 25 de Abril a saúde era um atraso de vida. Em Vialonga, por exemplo, só havia uma enfermeira. A partir daí as coisas melhoraram e pensámos que tudo iria sempre melhorar. Agora estamos a perder tudo o que julgávamos ser um dado adquirido. Nunca pensámos vir a assistir a uma degradação tão grande e tão rápida dos serviços de saúde”, lamenta Nélia Ferreira, representante do MUSP no concelho de Vila Franca de Xira. É de Vialonga, reside na Póvoa de Santa Iria e trabalha num escritório. Sempre gostou de servir a comunidade e lutar pelo seu bem-estar social. Já ajudou na associação Orquestra de Vialonga e chegou a ser eleita da Assembleia de Freguesia de Vialonga, como independente por uma lista da CDU.
Desde manifestações à porta do Ministério da Saúde, comboios da saúde, cordões humanos à volta do Centro de Saúde de Alverca, reuniões com a administração do hospital, centros de saúde e até com a câmara municipal, o MUSP tem dado sinais de vitalidade mas Nélia Ferreira lamenta que em alguns casos as reuniões não passem de meras formalidades. “Em Fevereiro do ano passado tivemos as comissões de utentes da saúde reunidas com a ARS e a câmara municipal mas pareceu-me uma acção de charme. No final ficou tudo como o presidente da câmara tinha defendido”, constata.
Para a responsável do MUSP o importante é que se dê condições aos profissionais para ser apelativo para eles estarem ao serviço no SNS e descarta por completo a ideia das parcerias público-privadas na saúde. “O privado só faz o que lhe dá lucro. Se o serviço for dado a privados passaremos a ser clientes, não somos utentes”, refere.

“Classe médica tem responsabilidades”
No entender de Nélia Ferreira a classe médica e a sua ordem profissional são responsáveis pelo estado de carência de clínicos a que se chegou actualmente nos serviços de saúde. “Mas é também um problema político. O Governo pode criar novas universidades e novos cursos de medicina para formar médicos sem ter de ouvir a classe médica”, defende.
Recentemente foi aprovada em reunião da Câmara de Vila Franca de Xira a construção de um novo centro de saúde na Póvoa de Santa Iria (ver texto nesta edição), um novo edifício que para a responsável não será solução para o problema. Isto porque, diz, o problema não é a falta de espaço mas sim de médicos. “O que é preciso é meter o Centro de Saúde do Forte da Casa a funcionar como deve ser. Se funcionasse em pleno talvez não fosse preciso um novo centro de saúde na Póvoa”, defende a O MIRANTE.
Para a responsável do MUSP, os autarcas têm de saber falar com os utentes e ir ao encontro às suas necessidades. Sobre a nova estrutura da Unidade Local de Saúde criada para o Estuário do Tejo diz que ainda será preciso esperar para ver os primeiros resultados da sua acção. “Muitas vezes em vez de resolver um problema tenta-se mascará-lo. Não quer dizer que seja este o caso, o problema que estamos a ver nas ULS é que ao serem centradas nos hospitais podem fazer com que os centros de saúde e os médicos de família continuem a ser os parentes pobres. Se está centrada no hospital a pessoa que gere vê primeiro os problemas dos hospitais. Se não for bem gerida pode ser uma má ideia”, explica.
Para o MUSP o ano que agora começa vai ser de alertas. “Não é que gostemos do protesto, às vezes falam de nós como se gostássemos de andar a reclamar. Nada disso. Se não temos as nossas necessidades satisfeitas temos de alertar. É verdade que as pessoas muitas vezes não se queixam”, admite. Questionada sobre uma eventual banalização dos protestos com tantas acções em tão curto espaço de tempo, a responsável entende que não existe esse risco. “É uma forma que temos de chamar a atenção para as nossas reivindicações. Se não protestarmos as entidades não vão perceber que estamos desagradados. Não digo que não haja alguém que esteja cansado de tantos protestos mas acho que se tem visto o contrário: cada vez mais pessoas a sair à rua e a deixar cair esses preconceitos”, refere.

Transportes também são uma dor de cabeça

Além da saúde os transportes são outra área onde o MUSP detecta problemas para os utentes. Vialonga, diz, tem fortes problemas com os transportes rodoviários, assim como as zonas mais rurais do concelho, como as localidades de A-dos-Loucos, Trancoso ou Calhandriz. “Os autocarros são poucos e às vezes não se consegue falar com a Carris Metropolitana. Um dia estava na Gare do Oriente e o último autocarro que deveria ir para Vialonga não apareceu. As pessoas ficaram ali à espera para nada. Ninguém avisa ninguém e não há contacto para se ligar”, lamenta.
Admitindo que antes da Carris Metropolitana surgir as coisas ainda estavam piores Nélia Ferreira critica o que diz ser uma “desconsideração pelos utentes” ao não ser correctamente informada a comunidade sempre que a disponibilidade dos transportes muda.

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