Sociedade | 03-02-2024 10:00

José Barrão: o professor carismático que ficou na memória de muitos alunos

José Barrão: o professor carismático que ficou na memória de muitos alunos
Antigos colegas e alunos homenagearam José Barrão que foi professor durante quase 40 anos na Escola Secundária Sá da Bandeira, em Santarém

Antigos colegas organizaram homenagem para recordar o professor José Braz Barrão que faleceu há cerca de um ano. Sessão decorreu no auditório da Escola Secundária Sá da Bandeira onde leccionou durante quase 40 anos. Sobrinhos descerraram placa que dá o nome de José Barrão a um dos laboratórios do estabelecimento escolar.

José Braz Barrão ouvia música que mais ninguém ouvia, lia livros que mais ninguém lia, viajava com frequência, tirava muitas fotografias e fazia o melhor arroz doce do mundo. O testemunho é de Rui Braz, sobrinho de José Barrão, que marcou presença na homenagem organizada por um grupo de antigos colegas ao professor que trabalhou quase 40 anos na Escola Secundária Sá da Bandeira, em Santarém. A homenagem decorreu ao final da tarde de sexta-feira, 26 de Janeiro, data em que José Braz, que faleceu há cerca de um ano, comemoraria o 83º aniversário. No final da sessão foi descerrada uma placa com o nome do antigo professor de biologia num dos laboratórios da escola.
Rui Braz conta que o seu tio Zé, ou Zezito, como a família mais próxima o tratava, foi um dos familiares que mais curiosidade lhe despertou. Falava de forma contagiante acerca de vários temas do seu interesse e chamava a atenção dos detalhes que mais ninguém reparava. “Durante muitos anos o meu tio era a minha wikipédia. Sabia sobre tantos temas e mesmo assim gostava de continuar a aprender”, recorda.
O sobrinho afirma que à medida que foi crescendo o fascínio que tinha pelo tio Zé transformou-se em admiração e amor profundos, tendo sido também como um pai. “Mostrou-me que nunca sabemos de mais e que nunca sabemos o suficiente e não devemos achar que sabemos mais do que os outros. Todos temos defeitos e não podemos falar do meu tio sem falar dos testes que apresentavam aos alunos que eram enormes. Ninguém merecia ter sido posto à prova daquela maneira”, afirma bem disposto, arrancando gargalhadas dos presentes que encheram o auditório da escola. Rui Braz disse ainda que o seu tio considerava ser tão importante estar a par da agenda cultural como passar tempo na horta a regar as laranjeiras ou a tratar das plantas que têm no quintal da casa, que ele transformou num jardim botânico.
Durante quase duas horas foram vários os testemunhos que recordaram José Barrão. O médico urologista Paulo Corceiro recordou os famosos testes do professor por serem enormes. “Um dia, na aula depois de um teste, os alunos da minha turma fizeram um protesto silencioso. Durante toda a aula o professor Barrão fazia perguntas e nós não respondíamos. Passado um tempo ele percebeu que não iríamos falar e aceitou o nosso protesto com sentido de humor, como era habitual nele”, recorda Paulo Corceiro.
O médico lembrou ainda quando o professor foi a uma consulta sua e teve que fazer uma intervenção cirúrgica. Na consulta pós-cirúrgica Paulo Corceiro foi surpreendido com a sua ficha de aluno que José Barrão guardava passados 30 anos. “Ofereceu-me essa ficha de aluno, que tinha todas as minhas notas enquanto fui seu aluno. Era um homem rigoroso e muito determinado mas também era um entusiasta. De todos não hesito em escolhê-lo como ‘o meu’ professor”, confessou Paulo Corceiro com a voz embargada.

Homem discreto e avesso a protagonismos
Alecta Ferreira lembra os anos em que trabalhou com José Barrão na Escola Secundária Sá da Bandeira e como era um homem avesso a protagonismos e muito discreto. O cientista escalabitano Miguel Castanho também foi aluno de José Barrão e recorda-o como tendo um humor negro e mordaz. “Eu e a minha irmã, que temos um ano de diferença de idade, fomos seus alunos ao mesmo tempo. Ele, a brincar, dizia que as coisas estavam muito mal distribuídas lá em casa porque a minha irmã colocava pontuação a mais e eu a menos. Ainda hoje lembramos esses episódios. Lembro-me muito bem de ser um professor onde o mais importante para ele era estimular a vocação do aluno e da formação enquanto pessoa”, referiu na sessão.

Sobrinhos de José Barrão descerraram placa à porta de laboratório da escola que agora tem o nome do professor

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