Sociedade | 05-02-2024 16:11

“O que vêem por fora da Sónia Lapa não tem a ver com as cicatrizes que estão aqui dentro”

“O que vêem por fora da Sónia Lapa não tem a ver com as cicatrizes que estão aqui dentro”

A segunda vez que Sónia Lapa, 53 anos, recebeu o diagnóstico de reincidência do cancro da mama foi muito mais doloroso. Reaprendeu a viver e a conviver com as dores no corpo sem atirar a toalha ao chão. Precisa do teatro para viver e de estar com pessoas que gosta e deixa a mensagem: “cuidem-se porque o stress mata”.

A segunda palavra proibida depois do cancro é metástase. Foi esta palavra que Sónia Lapa ouviu da boca dos médicos quando teve conhecimento do resultado das análises aos gânglios das axilas. Começou assim um novo processo na luta contra o cancro da mama. “Tive o primeiro cancro na mama em 2016 em que fiz quimioterapia e mastectomia. Quando atingi os cinco anos, em 2021, estava na expectativa de ter alta hospitalar e ficar livre oficialmente da doença. Mas durante o Verão apareceu uma impinge na mesma mama que tinha sido retirada. Pensei que era uma reacção alérgica ao calor mas a borbulha foi crescendo”.

Em Novembro de 2021 Sónia Lapa foi vista pela oncologista mas por causa da pandemia de Covid só realizou a biópsia em Março de 2022. Só em Maio soube que tinha cancro. “O dermatologista perguntou-me o que estava ali a fazer e com a maior frieza disse que tinha cancro. O meu mundo caiu outra vez e andei a apanhar os pedacinhos. O processo foi muito mais doloroso do que na primeira vez. Levei muito mais quimioterapia e 30 sessões de radioterapia, todos os dias, durante dois meses, fiquei toda queimada. Não fiz a reconstrução e fiquei sem mama. Tenho uma cicatriz do tamanho de um pé no lugar da mama. Depois é a revolta e aceitação do corpo. Sentimo-nos um mostro quando olhamos ao espelho”, relata.

Sónia Lapa teve de reaprender a viver e conviver com o novo corpo. Continua a fazer hormonoterapia oral todos os dias, o que causa efeitos secundários como afrontamentos, calores, alterações de humor que variam entre estados depressivos e eufóricos.

As dores no corpo vão alternando até porque já tinha sido diagnosticada com fibromialgia. Desde os 14 anos que sofre da coluna e em alguns dias até lhe dói a planta dos pés.

Por causa do esvaziamento axilar ficou com incapacidade no braço para toda a vida porque fica inchado, uma vez que já não tem sistema linfático. Diariamente coloca uma luva elástica que apanha braço, dedos e mão para não inchar ainda mais. Não pode carregar pesos.

“O que as pessoas vêem por fora da Sónia Lapa não tem a ver com as cicatrizes que estão aqui dentro. É um processo doloroso a nível físico e psicológico. Quero muito alertar para o perigo das recendências. Façam tudo como os médicos mandarem, medicação e vigília, porque pode correr mal”, sublinha.

Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE

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