Sociedade | 11-02-2024 10:00

Pesquisar informação sobre doenças na Internet pode gerar preocupações desnecessárias

Pesquisar informação sobre doenças na Internet pode gerar preocupações desnecessárias
Iniciativa teve como objectivo transmitir conhecimentos de suporte básico de vida e reanimação

Profissionais estiveram na Biblioteca Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, numa formação sobre cuidados a ter com crianças e jovens e manobras em casos de paragem cardio-respiratória.

Especialistas dizem que pesquisa de informações sobre saúde na Internet pode gerar preocupação desnecessária e comprometer prestação de cuidados nas unidades de saúde.

O excesso de informação disponível hoje em dia é uma preocupação para os profissionais de saúde. Ana Paulo e Beatriz Silva, internas de Pediatria no Hospital de Torres Novas, acreditam que a informação em excesso disponível à população em vez de ajudar confunde mais. As duas profissionais da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo estiveram com o enfermeiro Bruno Carvalho na Biblioteca Municipal de Torres Novas para dar uma formação sobre cuidados a ter com crianças e jovens.
Bruno Carvalho é enfermeiro especializado em pediatria, estando há 15 anos nas urgências pediátricas do Hospital de Torres Novas. “Houve uma paragem após a pandemia e agora estamos a retomar. Fazemos formações em escolas e espaços públicos para pais, professores e técnicos, mas também para crianças e jovens dos quatro até aos 18 anos” diz o enfermeiro, explicando que o objectivo é transmitir conhecimentos de suporte básico de vida e reanimação. Os três profissionais de saúde acreditam que a população tem falta de conhecimentos e pouco acesso à informação correcta. “É, como se costuma dizer, casa assaltada trancas à porta. As pessoas não estão despertas para este tipo de conhecimentos porque acham que nunca vão precisar, mas é muito importante estarem prevenidas” alertam.
Ana Paulo, de 27 anos, e Beatriz Silva, de 26, estão no segundo ano de internato na urgência pediátrica do mesmo hospital e acreditam que é fundamental fazer chegar este tipo de conhecimentos através de cursos e formações por pessoas credíveis e especializadas. Para as duas profissionais a falta de informação correcta leva, muitas vezes, os pais a procurar as urgências em casos que não são realmente urgentes e que isso pode afectar a rapidez dos serviços. “Na nossa experiência, felizmente, não temos nenhum caso em concreto. A equipa no hospital é muito experiente e há uma boa triagem para se perceber, numa fase inicial, os casos realmente urgentes para serem devidamente tratados” explica Ana Paulo. Beatriz Silva acredita que o excesso de informação disponível na internet e nos meios de comunicação serve para propagar preocupação levando a associar sintomas simples de constipação a doenças mais graves. Defendem que o mais importante é os pais estarem atentos a alterações fora do comum e acompanhar a evolução, contactando um profissional de saúde antes de recorrer às urgências para saber os procedimentos a ter porque, como defendem, há casos que podem ser tratados e acompanhados em casa.
Durante a palestra foram abordados temas como os cuidados a ter em casos de asfixia e paragens cardio-respiratórias e ensinadas manobras de salvamento e reanimação. A forma como as informações são dadas às unidades de socorro foram também explicadas, devendo ser o mais detalhadas e concretas possíveis para permitir um socorro mais rápido e eficiente.

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