Sociedade | 13-02-2024 07:00

Mega projecto de central fotovoltaica na Chamusca no segredo dos deuses

Grupo de Acção Pereira questiona impactos da instalação de uma mega central fotovoltaica na Herdade da Galega, na Carregueira, que prevê o abate de várias dezenas de hectares de eucalipto. Grupo fala em falta de informação sobre o projecto e lamenta que Comissão de Acompanhamento do Eco Parque do Relvão esteja inactiva desde 2018, mostrando assim desprezo total pelas questões ambientais.

A instalação na Herdade da Galega, situada na Carregueira, de uma mega central fotovoltaica, anunciada em reunião de câmara da Chamusca de Março de 2021, está no segredo dos deuses, situação que originou uma tomada de posição do Grupo Acção Pereira, a que O MIRANTE teve acesso. O projecto deverá ocupar uma área de 500 hectares, dimensão que poderá ser, na opinião do grupo informal, um contributo excessivo e desnecessário no cumprimento das metas de energias renováveis do país. “Poderemos estar perante uma situação em que se vão extrair recursos e consumir energia e mais recursos unicamente com preocupações de investimento e financiamento. Ou seja, numa supremacia total do aspecto económico face às dimensões ambiental e social”, afirma, deixando no ar várias questões: “a população mais próxima vai beneficiar de energia a preços mais acessíveis? E as entidades públicas? E as empresas da região? E em especial as do Eco Parque do Relvão? Existem trabalhadores da região qualificados para procederem à instalação dos painéis?”, sublinha o grupo.
Para o grupo é de lamentar que não exista informação sobre se a Comissão de Acompanhamento do Eco Parque do Relvão, ou algum dos representantes das diversas entidades constituintes, designadamente os municípios da Chamusca e Constância, se pronunciaram e em que termos o fizeram. “A acreditar na falta de notícias e de informação no local próprio da página do município da Chamusca, a comissão estará inactiva desde 2018 e sem apresentação das actas das reuniões desde 2017, mostrando nos últimos sete anos um desprezo total pelas questões ambientais, traduzindo-se mais em aterramento do que acompanhamento”, vinca. “Infelizmente a população sofre há mais de 25 anos devido às contrapartidas não cumpridas e investimentos base não assegurados, desde a primeira entidade a instalar-se [no Eco Parque]. Foi garantido que as populações mais próximas teriam investimentos realizados, nomeadamente em Pereira, no concelho de Constância. Nem aí, nem na melhoria das acessibilidades, (..) muito importante em termos de coesão territorial e acesso alternativo em caso de situações de risco. Não podemos esquecer que este projecto tal como o Eco Parque, se situam na fronteira entre NUTS II (Alentejo - Centro), com cada qual a olhar para dentro do seu território e não entre territórios. Haverá grande impacto de transporte dos materiais e equipamentos a instalar na central e linhas, numa já não funcional ponte da Chamusca”, refere o grupo, terminando: “perante o exposto, concorda-se com a instalação de uma central fotovoltaica, mas com devida consideração às limitações e mitigações associadas aos problemas identificados e a uma eventual redução de dimensionamento. Que esta nova unidade seja mais um elemento a procurar contribuir para a coesão territorial e na conquista de melhores acessibilidades e credível e eficaz funcionamento das entidades e comissões locais”.

Factores a ter em conta

O projecto da mega central está situado numa área territorial onde existe um Eco Parque com empresas de tratamento e eliminação de resíduos urbanos, industriais e hospitalares, muitos deles considerados perigosos. Para o Grupo Acção Pereira, é fundamental que a conformidade das medidas a tomar no que respeita ao abate de árvores e interação com recursos hídricos seja garantida, visto que a qualidade da água em torno do Eco Parque tem sido sujeita a impactos bastante negativos. afirma. “Questiona-se se houve estudo ou previsão da alteração da temperatura associada ao abate de vegetação e instalação de tão considerável número de painéis fotovoltaicos e, se sim, quais os resultados. Não podemos esquecer que este território florestal e industrial é muito propício à ocorrência de incêndios e a temperaturas extremas no Verão. Ao que acresce a elevada presença de ozono em potencial sinergia com poluentes atmosféricos oriundos do tratamento e incineração de resíduos, assim como das combustões das unidades industriais em Constância Sul. Estes factores foram tidos em devida conta e avaliação?”, questiona o grupo.

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