Sociedade | 21-02-2024 07:00

Enfermeiros não se sentem valorizados pela administração do Hospital de Vila Franca de Xira

Enfermeiros não se sentem valorizados pela administração do Hospital de Vila Franca de Xira
Mau tempo cancelou manifestação à porta do hospital mas os enfermeiros não quiseram deixar de passar a sua mensagem de descontentamento

Enfermeiros que estão ao serviço no Hospital de Vila Franca de Xira já não sabem mais que voltas dar à vida. São mal pagos, trabalham horas a mais e não se sentem valorizados pela administração da unidade de saúde. Greve teve adesão a rondar os 90%.

Carência de enfermeiros, carga horária excessiva, não contagem dos pontos e anos de serviço para progressão na carreira e desconsideração da administração liderada por Carlos Andrade Costa para com os profissionais de saúde do Hospital de Vila Franca de Xira. Este é o rol de queixas que levou a que 90% dos enfermeiros realizassem greve ao serviço na quinta-feira, 8 de Fevereiro.
A larga maioria dos profissionais aderiu à paralisação convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que lamenta que o novo ano traga um arrastar dos problemas que já pesavam nos ombros da administração de Carlos Andrade Costa. “Não nos sentimos de todo valorizados pela actual administração do hospital. Isso mesmo ficou expresso na elevada adesão à greve dos trabalhadores e pelo que os enfermeiros nos comunicaram em plenário”, diz a O MIRANTE Isabel Barbosa, porta-voz do SEP. “Há diálogo entre a administração e os enfermeiros mas a questão é que os problemas não são resolvidos”, critica.
A sindicalista fala em profissionais de saúde exaustos, com centenas de horas extraordinárias por gozar e horários “muito violentos” fruto da falta de pessoal. “Temos um serviço de urgência com 54 enfermeiros quando outros hospitais com serviços semelhantes têm mais de 100. Dá para ter uma pequena imagem do que está a acontecer”, descreve. Isabel Barbosa avisa que os enfermeiros estão no Hospital de VFX numa permanente sobrecarga horária e, em alguns casos, a ter de dar resposta a mais de dez doentes cada. “Há uma grande incompreensão dos enfermeiros para o que se está a passar. A contagem dos pontos para progressão na carreira é algo que não se verificou e que esta administração poderia ter tomado essa decisão e avançado”, critica.

“Não somos máquinas, precisamos de descanso”
O Hospital de VFX diz que está a tentar desenvolver os procedimentos para contratar 126 novos profissionais mas a sindicalista desmente a administração e fala em números que não são reais. “Desses 126 a maioria já trabalha cá”, revela. O problema, acrescenta, resulta do fim da Parceria Público-Privada que geria o hospital. Segundo Isabel Barbosa havia mais enfermeiros ao serviço nessa altura, porque muitos eram contratados de forma precária e a recibo verde. Quando os privados saíram os contratos cessaram.
A criação da Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo não vai ajudar a resolver o problema, na opinião da responsável. “No plenário tínhamos uma colega com contrato de trabalho em funções públicas que fez 51 horas a mais. Muitas dessas horas vão para uma bolsa que não tem figura legal e impede o pagamento desse trabalho extra. Os enfermeiros o que querem é tempo para descansar”, apela. O SEP avisa que no hospital a falta de enfermeiros tem levado não só à redução de enfermeiros por turno, pondo em causa a qualidade dos cuidados prestados pela instituição, como conduziu à realização de trabalho extraordinário programado, acumulação de dezenas de feriados não gozados, redução de folgas, aumento do ritmo de trabalho e mantendo, na maioria dos serviços, as 12 horas como período normal de trabalho.
“Cuidamos de pessoas e se nós estamos exaustos e com um número elevado de doentes a cargo, superior ao suposto, então os cuidados a prestar não serão os melhores. Não somos máquinas. Queremos prestar melhores cuidados mas exigimos maior contratação”, conclui Isabel Barbosa.

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