Sociedade | 01-03-2024 07:00

Fátima é o quarto destino do país com mais dormidas

Fátima é o quarto destino do país com mais dormidas
Alexandre Marto Pereira, gestor de uma cadeia de hotéis em Fátima e noutras cidades do país. Ricardo Silva, director-geral do Museu de Cera em Fátima. Pedro Silva, o proprietário do Luz Charming Houses

XX Congresso Internacional de Turismo Religioso e Sustentável reuniu milhares de empresários em Fátima com o objectivo de promover uma bolsa de contactos e discutir de que forma o sector pode contribuir para o desenvolvimento económico. O MIRANTE falou com empresários e dirigentes que marcaram presença na iniciativa.

O XX Congresso Internacional de Turismo Religioso e Sustentável realizou-se em simultâneo com os XI Workshops Internacionais de Turismo Religioso, uma iniciativa que fez de Fátima um centro de negócios para milhares de pessoas. O evento, que se realizou no Centro Pastoral de Paulo VI a 22 e 23 de Fevereiro, reuniu “especialistas e líderes visionários na área do turismo religioso para debater as oportunidades e desafios que se colocam ao sector”, segundo explicou a ACISO - Associação Empresarial Ourém - Fátima.
À margem da iniciativa O MIRANTE falou com Alexandre Marto Pereira, gestor de uma cadeia de hotéis em Fátima e noutras cidades do país, que destacou que a sazonalidade em Fátima tem diminuído gradualmente ao longo dos anos com um aumento do número de turistas oriundos da América do Sul e Ásia, que viajam durante os meses de Inverno, adiantando que Fátima representa mais de 15% das dormidas na região Centro. Segundo dados do Turismo do Centro, Fátima é quarto destino com mais concentração de dormidas turísticas no país e, em 2023, teve 70 mil das 100 mil dormidas de sul-coreanos em Portugal.
Para Alexandre Marto, o património cultural nas áreas circundantes, nomeadamente Tomar, Alcobaça e Batalha também contribui para a atractividade e consequente aumento do turismo na cidade que recebe mais de seis milhões de peregrinos por ano. Na sua opinião, Fátima tem vindo a apresentar-se como parte do código genético de Portugal para crentes e não crentes, o que reconciliou a visão política que havia sobre a cidade.
Opinião contrária tem Ricardo Silva, director-geral do Museu de Cera de Fátima, e Pedro Silva, proprietário do Luz Charming Houses, que consideram que o Estado não tem contribuído para a visibilidade ou desenvolvimento do território da região. Ricardo Silva afirma que tem havido uma diminuição acentuada do movimento de turistas em épocas que não coincidem com o calendário religioso. No entanto, salienta que os turistas da América do Sul e da Ásia acabam por atenuar as lacunas. “Um dos desafios que todos os profissionais da cidade têm pelas mãos todos os anos é perceber como se cativa pessoas a visitarem Fátima todo o ano”, refere o director do museu, acrescentando que as pessoas acabam por dormir em Fátima pela competitividade dos preços em relação a Lisboa, mas que não passam mais tempo na cidade para consumir.
Pedro Silva considerou também que Fátima tem um grande potencial na parte paisagística e de natureza, que deveria ser mais bem explorada.

Turismo religioso desenvolve economia
O MIRANTE assistiu à conferência sobre “Propostas para um Turismo Sustentável” que contou com a participação do membro do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, João Ferrão, e do presidente da Plataforma Nacional de Turismo, Carlos Costa. João Ferrão explicou que o turismo religioso deve contribuir para o desenvolvimento local, cuidar da sustentabilidade ambiental, reforçar a cultura, património e envolver as comunidades. O investigador destacou ainda necessidade de reforçar os impactos positivos como a dinamização da economia, emprego e infraestruturas, gestão proactiva de recursos naturais e diminuir distâncias sociais e culturais.
Carlos Costa referiu que é importante pensar no turismo religioso como um combustível para o desenvolvimento económico, acrescentando que o turismo gera uma receita anual em Portugal de cerca de 25 mil milhões de euros.

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