Sociedade | 07-03-2024 19:00

Cristina Silva: Confiança pública na política abalada pelos casos de corrupção

Cristina Silva: Confiança pública na política abalada pelos casos de corrupção
Cristina Silva, directora do Agrupamento de Escolas de Benavente

O MIRANTE não acompanha a campanha eleitoral para as legislativas por razões que se prendem com a falta de actualização da lei eleitoral; até ao dia da reflexão só falaremos de eleições nos casos em que o Homem morder o cão. No entanto estamos ligados. Todas as nossas notícias reflectem o dia-a-dia das pessoas e das instituições da região. Este jornal vai para as bancas a três dias das eleições e é o nosso contributo para darmos voz a quem ajuda a gerir o território e já sabe que vai eleger políticos de quem nada pode esperar ao nível da coesão territorial porque o Sistema aparentemente não o permite.

A directora do Agrupamento de Escolas de Benavente, Cristina Silva, diz estar desiludida com a forma como a escola pública tem vindo a ser encarada pelos governantes nos últimos anos. Os professores, técnicos e assistentes operacionais conseguem fazer verdadeiros milagres com as condições em que trabalham. “A falta de recursos, a pseudo autonomia, o tamanho das turmas, a falta de professores qualificados, as infraestruturas desadequadas, a falta de envolvimento dos encarregados de educação, os episódios de violência são apenas algumas das questões às quais deveria ser dada maior atenção por parte de quem nos governa”. A docente critica ainda o tempo que se perde em burocracia excessiva em vez dos professores usarem o seu tempo para responder às necessidades dos alunos e da comunidade.
Para Cristina Silva, a existência de múltiplos sindicatos favorece uma representação mais diversificada dos interesses dos trabalhadores, permitindo que diferentes grupos de funcionários vejam as suas preocupações e necessidades abordadas durante as negociações. “A instabilidade nas escolas não resulta do número de sindicatos existentes mas de um sem número de factores que deverão ser ponderados, nomeadamente financiamento desadequado ou insuficiente, infraestruturas com problemas, falta de recursos, questões de segurança, políticas educacionais controversas, entre outros”, diz.
Quanto a um possível aeroporto no Campo de Tiro da Força Aérea, Cristina Silva vê como aspectos positivos o desenvolvimento económico, a criação de novos postos de trabalho e o desenvolvimento da região e das infraestruturas. Mas os impactos ambientais serão, a seu ver, desastrosos. O tráfego aéreo resultará num aumento do ruído e a poluição afectará as comunidades mais próximas do local escolhido. “Sinceramente, penso que ainda não será para breve esta situação é desbloqueada e que se avança com este projecto. A ser assim, ganha o ambiente e ganhamos todos os que temos oportunidade de viver nesta área”.
Sobre se Portugal tem tido líderes políticos à altura, é da opinião que a confiança pública nas lideranças políticas tem vindo a ser afectada pelas consecutivas situações de corrupção em diferentes instituições. Acrescem ainda as situações em que, em sede de campanha política, os candidatos prometem tudo, sem uma análise cuidada, com o único objectivo de angariar votos e apoiantes. “Os líderes políticos que temos são aqueles em quem votámos. Por vezes, há quem se queixe que ‘este ou aquele’ não representam os interesses da população, no entanto, ‘este ou aquele’ estão lá porque a maioria votou neles”, conclui.

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