Sociedade | 11-03-2024 10:00

Hospital de Vila Franca de Xira com prejuízos de 5,8 milhões de euros

Hospital de Vila Franca de Xira com prejuízos de 5,8 milhões de euros
Hospital de Vila Franca de Xira foi o quarto do país que mais prejuízo deu ao Estado entre as cinco unidades que, no passado, foram geridas em parceria público-privada

Unidade de saúde que em tempos foi uma referência no modelo de gestão de parceria público-privada foi agora arrasada juntamente com os outros hospitais pelo Conselho de Finanças Públicas. Administração do Hospital de Vila Franca de Xira justifica contas no vermelho com o investimento realizado em novos equipamentos.

O Hospital de Vila Franca de Xira, hoje uma Entidade Pública Empresarial (EPE) que serve mais de 250 mil utentes de cinco concelhos, fechou o exercício de 2022 com as contas no vermelho e a acumular prejuízos para as contas públicas na ordem dos 5,8 milhões de euros, aponta o relatório do Conselho de Finanças Públicas divulgado na última semana.
A unidade, liderada por Carlos Andrade Costa, foi a quarta do país que mais prejuízo deu ao Estado entre os cinco hospitais que em tempos foram geridos no modelo de parceria público-privada. Em comunicado, o hospital faz uma leitura menos gravosa dos números considerando que foi “a que apresentou menor prejuízo” no conjunto dos cinco hospitais EPE, justificando esses resultados com os investimentos realizados na modernização tecnológica da unidade, como a compra de um novo equipamento de tomografia axial computorizada (TAC) e de um novo mamógrafo digital que permitiu avançar com uma nova Unidade da Mama.
O hospital reage ao relatório do Conselho de Finanças Públicas dizendo que os números “são justificados pelo rigor de gestão” imprimido desde a transição do hospital para a gestão pública, o que no entender da unidade liderada por Carlos Andrade Costa tem permitido “maior eficácia na distribuição dos recursos e na prestação de cuidados de saúde”, como a implementação de novas técnicas de diagnóstico e cirúrgicas, bem como a criação de novas unidades de prestação de cuidados de saúde.
O Conselho de Finanças Públicas mostra-se menos animado com as contas dos hospitais públicos, notando que as contas de todos os hospitais EPE se agravaram no pós-pandemia e com a subida da inflação, resultando num saldo negativo global de 1,3 mil milhões de euros, um agravamento de 169 milhões de euros face ao ano anterior.
“A persistência de resultados económicos negativos está relacionada com um contínuo financiamento, organização e gestão insuficientes. Como consequência, registam-se níveis elevados de dívida (o rácio de endividamento atingiu 112,3% em 2022 e prazos médios de pagamento aos fornecedores dilatados, tendo estes passado de 165 dias em 2021 para 169 dias em 2022”, acrescenta o relatório.
As contas no vermelho dos hospitais aconteceram mesmo depois de o Governo ter avançado com uma injecção extraordinária de 1.022 milhões de euros nestas unidades de saúde para pagar a fornecedores externos. Um paliativo que, para o Conselho de Finanças Públicas, “foi incapaz de contribuir para a redução estrutural da dívida” do SNS.

Eleito municipal deixado sem resposta

O eleito Nelson Baptista, do partido Pessoas, Animais, Natureza (PAN) na Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, está desde Dezembro à espera que a administração do Hospital de VFX responda a um pedido de esclarecimento enviado por escrito à equipa liderada por Carlos Andrade Costa. No documento, a que O MIRANTE teve acesso, o eleito refere que a bancada tem recebido “dezenas de reclamações referentes aos longos períodos de espera no serviço de urgência” do hospital, tendo até sido dito àquela bancada que, “recorrentemente, durante Dezembro, nenhum dos utentes, a maioria com pulseira amarela, foi atendido durante as 02h00 e as 08h00, sendo apenas chamados após a mudança de turno”.
O PAN pediu ao hospital o envio detalhado do número de médicos que estiveram no serviço de urgência no mês de Dezembro, em cada dia, entre as 00h00 e as 08h00, o número de utentes atendidos nesse período em cada dia e o número de utentes em espera às 00h00 e às 08h00 de cada dia. “Questionámos também o tempo médio de espera de cada cor das pulseiras do sistema de triagem em cada dia e nesse período”, lê-se o documento.

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