Sociedade | 24-03-2024 18:00

As palavras que ficaram das intervenções das Personalidades do Ano de O MIRANTE

As palavras que ficaram das intervenções das Personalidades do Ano de O MIRANTE

O MIRANTE recupera nesta edição algumas frases fortes dos discursos das nossas Personalidades do Ano de 2023 que receberam a distinção no dia 29 de Fevereiro de 2024, no Convento de São Francisco, em Santarém.

Não é intenção da redacção de O MIRANTE reduzir os discursos a três frases mas antes voltar a valorizar a intervenção de cada um dos premiados. As entrevistas publicadas na edição da semana da entrega do prémio são também representativas da importância de cada uma das Personalidades do Ano; certamente que ainda voltaremos a esses textos para voltarmos também a recordar aquilo que queremos que se mantenha na ordem do dia e faça jus ao prémio e aos premiados.

Personalidade do Ano

Albertina Pedroso - Presidente do Tribunal da Relação de Évora

• Em Portugal ainda não está verdadeiramente interiorizada a presunção da inocência havendo a ideia de que não há fumo sem fogo. Um processo justo e equitativo assenta no contraditório e no momento em que o assunto é divulgado pela comunicação social ainda os arguidos não foram ouvidos.
• Todos os dias nos tribunais portugueses são decididos milhares de processos, nos quais trabalham arduamente, juízes, magistrados do Ministério Público e funcionários judiciais, para tentarem ajudar a repor o equilíbrio social que se perdeu, em regra por um acto ilícito praticado. Mas essa importância da Justiça na vida dos cidadãos não é conhecida.
• Em tempos de guerras cada vez mais próximas, de crises sociais e económicas, de erosão dos direitos, é importante lembrar que os Tribunais, independentes e apenas sujeitos à Lei, são o último reduto e garantia da defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Personalidade do Ano Nacional

Carlos Cortes

• A minha grande prioridade como bastonário é a defesa da qualidade da medicina. O que quero é que as pessoas tenham acesso a cuidados de saúde com qualidade e humanizados. Para mim é irrelevante saber se o conseguimos fazer à custa do sector público, do sector privado ou do sector social. Obviamente que, em primeiro lugar, quero que o SNS seja o pilar do sistema de saúde e que dê essa resposta.
• Temos sempre uma perspectiva da fatalidade, que vai tudo correr muito mal, mas apesar de todas as dificuldades, nós portugueses, sempre conseguimos ultrapassá-las. E conseguimos porque conseguimos estar unidos. Deixo-vos o desafio da esperança e da união, para termos uma sociedade mais solidária com pessoas mais felizes e mais saudáveis.
• Não há falta de licenciados em medicina, bem pelo contrário. Portugal forma anualmente à volta de dois mil médicos, é uma enormidade, e vêm também muitos médicos que se formaram no estrangeiro. A Ordem dos Médicos envia todos os anos um mapa de vagas para o internato médico, para a formação especializada. Este ano apresentámos ao Ministério da Saúde o maior mapa de sempre permitindo assim a formação de mais especialistas.

Personalidade do Ano - Vida

José Eduardo Carvalho

• Defendo a necessidade de diferenciar pessoas pelo compromisso, competência, dedicação e esforço. Se tratar de forma igual o bom e o mau trabalhador, o primeiro desmotiva e o segundo não melhora.
• Acho que não há ninguém que nasça aqui, que dê os melhores anos da sua vida para o desenvolvimento desta região, que tenha cá família, que não gostasse de ter um aeroporto em Santarém.
• Um salário de dois mil euros na Holanda tem um custo anual de 31,5 mil euros para a empresa e em Portugal, de 34,7 mil euros, mais 10%. E o trabalhador recebe, na Holanda, 24,4 mil euros por ano e em Portugal 19,1 mil euros, menos 22%. A arrecadação fiscal condiciona o nosso crescimento económico.

Personalidade do Ano - Prestígio

Anabela Freitas - Vice-presidente da Turismo Centro Portugal

• Não há investimento público que promova mais a nossa coesão do que a construção do aeroporto neste território. O país precisa de um novo aeroporto e se vamos fazer um investimento com esta envergadura que seja feito num local que contribua também para a coesão territorial.
• Tal como na democracia não se vive sem partidos políticos, também não se vive sem informação. Estou a falar de informação credível porque aquilo que são as redes sociais não é informação credível. Sou adepta das redes sociais, mas a informação credível é a da comunicação social. De meios de comunicação como O MIRANTE.
• Há sempre pessoas que não têm capacidade de entrar no mercado de trabalho mas lamento que o Estado tenha que apoiar pessoas porque o rendimento do seu trabalho não chega. Quando temos o rendimento do trabalho mais taxado que o rendimento da especulação não temos uma sociedade justa.

Personalidade do Ano - Excelência

Quinta da Alorna (Pedro Lufinha - Director Geral)

• Há muitos anos que temos vindo a dar atenção a questões como a rotação das culturas e a fazer investimentos em tecnologias como os GPS e auto-guiamento dos tractores porque quanto menos passagens fizermos pela terra melhor.
• A sustentabilidade ambiental é também uma sustentabilidade económica e financeira. E podemos ter mais margens de lucro com menor impacto no ambiente. Temos uma preocupação com a energia e o uso da água.
• Temos sido obrigados a recorrer a mão-de-obra estrangeira e tentamos segurá-los na casa porque ainda há pouco tempo tínhamos dificuldades com as podas que se prolongaram até Março. As pessoas se puderem trabalhar num armazém não vão para o campo ao frio e ao calor.

Personalidade do Ano - Associativismo

Purificação Pereira Reis - Presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO)

• Se não fossem os imigrantes a hotelaria e a restauração estariam a passar momentos mais difíceis. Mas esta mão-de-obra estrangeira tem impactos que se devem minimizar, que é fazer com que não haja diminuição da qualidade do serviço e apostar na qualificação das pessoas.
• Há necessidade de envolver as empresas na qualificação das pessoas que recebem subsídios de desemprego e de inserção. Pedir às empresas, recompensando-as, que ajudem a qualificar essas pessoas era muito mais eficaz do que estar a criar pessoas subsídio-dependentes, o que também não contribui para a auto-estima.
• Faltam acessibilidades em termos de transportes, não há transportes públicos para se deslocarem para o trabalho. Vemos com muita frequência as pessoas a recusarem propostas de trabalho porque não conseguem arranjar casa ou meios para se deslocarem para o trabalho.

Personalidade do Ano - Cidadania

CERCI Flor da Vida - Azambuja (Presidente da direcção, José Manuel Franco)

• O Estado, que nesta área não tem forma de assegurar o serviço público necessário, devia preocupar-se com a estabilidade destas instituições e garantir os meios de financiamento para que não andem a pedir esmolas à sociedade. E não faz sentido o interior e o litoral terem os mesmos critérios de financiamento.
• Em vez de andarmos nós, instituições, a puxar pela administração central, esta é que devia puxar por nós, chegar com um projecto já feito e aprovado e com meios para ser executado.
• As pessoas que estão na liderança das instituições têm de ter dois papéis: o da direcção e o executivo. Tal como nas grandes organizações tem que haver uma administração e uma administração executiva. A pessoa que está à frente de uma instituição pode perfeitamente manter-se com a função de órgão social e, ao mesmo tempo, na de gestor e ser remunerado por esta segunda. Sem remuneração não se conseguem pessoas jovens.

Personalidade do Ano Política

Manuel Valamatos - Presidente da Câmara de Abrantes

• O rio Tejo é um elemento central na nossa região e no país. Há demasiados dias em que o rio é apenas um ribeiro. O Tejo precisa de ser monitorizado constantemente para se tornar mais regular.
• Nós somos muito poucos, na região, no território, e precisamos de estar todos mais juntos. Não há pessoas, empresas ou instituições mais importantes que outras, nem quando recebem prémios.
• Há sempre coisas que se poderiam melhorar e fazer melhor. Ninguém sabe tudo e todos poderíamos voltar atrás relativamente a algumas decisões, mas se eu tivesse alguma situação de que me arrependesse verdadeiramente demitia-me. Sou muito honesto e sou um indivíduo aberto, sem tretas.

Personalidade do Ano - Política Feminino

Catarina Pinheiro do Vale - Vice-presidente da Câmara
de Benavente

• A lei da paridade veio tentar equilibrar as coisas mas a política ainda é um mundo onde há mais homens. As mulheres ainda têm uma indisponibilidade maior, associada à vida familiar, e acho que é esse o motivo.
• Ainda vou tendo alguns receios na minha actividade política que vou partilhando com os meus colegas. A insegurança é fundamental para a aprendizagem. Existe uma ansiedade adaptativa que nos permite ir à procura das soluções para os problemas.
• Nunca tive nenhum problema com a Justiça. Tenho preocupação com os meus deveres cívicos, contributivos e, portanto, faço uma vida muito transparente. Tanto na minha vida pessoal, profissional ou de autarca.

Personalidade do Ano - Cultura

Associação Teatral Revisteiros - Samora Correia (Director Joaquim Salvador)

• Uma sociedade sem teatro era muito cinzenta, obscura e infeliz. O teatro é uma arte que está em tudo na nossa vida. Todos fazemos teatro sem nos apercebermos. Não imagino a vida sem teatro.
• Tenho pena que, na sociedade de hoje, muitas pessoas queiram ser todas iguais, tudo pelo exterior. Cada um tem de se apresentar como é, sem barreiras. Não tenho que gostar ou não do teu fato, se és feliz com ele.
• Custa-me muito ouvir coisas sobre os imigrantes que cá estão. Somos todos humanos e todos deitamos sangue quando nos cortamos. Tenho os braços abertos para receber todas essas culturas que cá estão. Adoro quando dizem ‘Portugal é o meu país e agora é a minha casa’.

Personalidade do Ano - Cultura

Sociedade Filarmónica Instrução e Recreio Carregueirense (Presidente Eduarda Caetano (E.C.) e anterior presidente Hélder Silva H.S.)

• Quando o meu marido faleceu a esmagadora maioria dos elementos da banda esteve presente na sua despedida para lhe prestar homenagem. Aqui todos nos sentimos em casa num sentimento de pertença muito difícil de explicar por palavras. (E.C.)
• A banda é a continuação da nossa família. O meu sogro também aqui foi músico quase até ao final da sua vida. Foi sepultado com a farda da Banda da Carregueira, acompanhado por todos os elementos. Na nossa família não deixamos ninguém sozinho. (H.S.)
• Temos condições para garantir um futuro aos jovens. Ainda sonho em ter na Carregueira um pólo de algum Conservatório de Música porque somos uma terra de músicos. Se neste momento com tão pouco conseguimos fazer tanto, imagine se tivéssemos políticos e dirigentes associativos com vontade de trabalhar para fazer as coisas acontecer. (H.S.).

Personalidade do Ano - Desporto

Gimno Clube de Santarém (Presidente da direcção
- Fernando Gaspar)

• A ginástica é uma modalidade onde o aprimorar da técnica e da execução é o mais importante e os trampolins não fogem à regra. Falhar e ir lidando com a derrota constante, porque nunca nada está perfeito, faz parte da natureza da modalidade. E isso faz com que os jovens aprendam a lidar melhor com as frustrações, na escola e na vida.
• Formar pessoas resilientes, com taxas de sucesso escolar bastante aceitáveis, que tenham a persistência necessária para superar as dificuldades constantes na ginástica e na vida. É isso que mais nos preocupa. Queremos que os ginastas sejam pessoas bem formadas.
• Neste país, à excepção de alguns fora de série, não dá para ser atleta, nem sequer a meio tempo ou a um quarto do tempo. Nestas idades a escola tem que ser a prioridade por isso o desporto, mesmo para ginastas que vão a campeonatos do mundo, a ginástica é um ‘part-time’ dispendioso em tempo e energia. A realidade é esta. Os pais continuam a ser grandes financiadores dos clubes em Portugal.

Personalidade do Ano - Desporto

União Desportiva e Cultural de Aldeia do Sobralinho (UDCAS) (Presidente da direcção, Ana Castro Gomes (A.G.) e treinador de kempo e vice-presidente, Nuno Grilo N.G.)

• O futuro do associativismo passa por sensibilizar os mais novos para o facto de que nem tudo é adquirido e por vezes temos mesmo de trabalhar no duro para conseguirmos ter as coisas.(A.G.)
• Somos sonhadores e quando nos metemos numa coisa é para apostar fortemente nela. Para estarmos estagnados não faz sentido. O nosso interesse é crescer. Somos um clube pequeno com um coração e alma grande. (N.G.)
• Transmitimos os valores chave das artes marciais como o respeito e a inter-ajuda, factores que são determinantes para uma criança. Gostamos de ser uma associação próxima da comunidade, vivemos por eles e estamos aqui por amor à camisola diariamente. É quase como um compromisso familiar, de voluntariado, de preservação dos valores do associativismo. (N.G.) .

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