Sociedade | 25-03-2024 15:00

Imigrantes em Alhandra aprendem português com a ajuda de voluntárias

Imigrantes em Alhandra aprendem português com a ajuda de voluntárias
Em Alhandra combate-se a exclusão social dos imigrantes ajudando-os a aprender português

Em Alhandra há gente a tirar do seu tempo livre para ensinar a língua portuguesa a quem veio do estrangeiro trabalhar para o nosso país em busca de uma vida melhor. O projecto “Inclusão pela língua” tem sido um sucesso.


Quando Dulce Domingos, Adelaide Sirgado e Josefina Carvalho se juntaram para voluntariamente ensinar língua portuguesa à comunidade imigrante de Alhandra, três vezes por semana ao final do dia, estavam longe de imaginar o sucesso da iniciativa e a importância que entretanto ganhou junto dos estrangeiros que escolheram o concelho de Vila Franca de Xira para viver e trabalhar. Em apenas dois meses o projecto “Inclusão pela língua” já reuniu mais de duas dezenas de estrangeiros na sala de aula criada nas instalações da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz.
Os imigrantes querem aprender português apesar da nossa língua não ser fácil para muitas destas comunidades, a começar pelo alfabeto, que obriga as professoras a começar literalmente pelo básico: A, B, C e por aí fora. São sobretudo canadianos, marroquinos, chineses, indianos, paquistaneses e nigerianos mas também há gente oriunda do Bangladesh, Síria, Emirados Árabes Unidos, Equador e Sudão. Todos residem em Alhandra e a maioria trabalha. Por exemplo, há indianos e paquistaneses assistentes de cozinha em hotéis de Lisboa, nigerianos na área da informática, uma síria que estuda no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), uma paquistanesa que abriu um salão de cabeleireiro, uma indiana cujo marido veio para Portugal tirar um mestrado em biologia marinha, entre outros. Todos vieram para Portugal para fugir a conflitos e em busca de uma vida melhor e mais próspera.
À frente do projecto está Dulce Domingos, voluntária do projecto que foi posto em marcha no âmbito da comissão social da freguesia. O presidente da junta, Mário Cantiga, não pensou duas vezes ao aceitar o desafio das voluntárias, cedendo-lhes todos os meios que precisassem. As professoras tiram do seu tempo livre para ensinar a língua portuguesa mas nesta fase inicial, em que muitos nem conseguem dizer “bom dia” ou “obrigado”, os diálogos são todos feitos em francês e inglês.
“Ao longo do dia via-se muita afluência deles à junta de freguesia a pedir informações e senti que era a oportunidade e uma forma de os ajudar. Um projecto que também nos permitisse identificar a origem dos imigrantes que aqui residem, quais as suas carências e como os podemos envolver na comunidade”, explica a O MIRANTE.

Não queremos outro “bidonville”
Para as voluntárias move-as o espírito solidário. “Tentamos que eles se integrem. Imaginamos quão difícil deve ser chegar a um país e sentir que é tudo diferente”, conta Adelaide Sirgado. Já Dulce Domingos recorda que a barreira da língua é o principal obstáculo à integração. “Os portugueses são solidários e humanistas, não são xenófobos. Quando os portugueses foram para França e lá criaram os “bidonville” (bairros de lata) em meados do século passado não tinham este apoio. Ao menos que agora saibamos fazer diferente”, defende Dulce Domingos.
Uma das ideias do grupo é mais à frente promover projectos que ajudem esta comunidade a apresentar-se ao resto da população, por exemplo, por via da gastronomia típica de cada um dos países. “É uma forma de se mostrarem à comunidade sem terem problema em dizer quem são”, explicam as voluntárias.
Um exemplo de uma imigrante que começou a frequentar as aulas é Maru Loor, de 40 anos, que está casada com um português, vivia no Equador mas mudou-se para Alhandra há três meses. “As coisas no meu país não estavam boas e aqui a recepção da comunidade tem sido muita boa. As pessoas são acolhedoras, trabalhadoras e muito simpáticas”, elogia a mulher que é maquilhadora profissional. “Eu não falava nada de português e algumas coisas custavam-me a perceber. Estas aulas têm ajudado muito. As professoras são muito dedicadas com cada um de nós”, elogia.

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