Sociedade | 31-03-2024 10:00

Continua a luta de André Durães contra doença rara de origem desconhecida

Continua a luta de André Durães contra doença rara de origem desconhecida
André Durães sofre de uma doença que o deixou paraplégico aos 27 anos

André Durães foi uma criança e um jovem saudável até aos 27 anos, quando começou a perder força na perna direita. Rapidamente perdeu a mobilidade do lado direito.

Procurou ajuda médica tendo sido encaminhado para a especialidade de Neurologia. No dia seguinte à consulta ficou paralisado. O diagnóstico surgiu algum tempo depois: neuromielite óptica seronegativa, uma doença degenerativa que o atirou para uma cadeira de rodas com 80% de incapacidade.

André Durães está há cerca de um ano sem fazer fisioterapia e já sente menos mobilidade no ombro e braço direitos. Está também à espera para sarar de uma ferida no cóccix para poder marcar novamente consulta no Centro de Reabilitação de Alcoitão e ser admitido para mais dois meses de fisioterapia intensiva. O jovem, de 33 anos, sofre de neuromielite óptica seronegativa, uma doença que o deixou paraplégico e preso a uma cadeira de rodas desde os 27 anos, quando a doença se manifestou pela primeira vez.
André Durães foi uma criança e um jovem saudável até aos 27 anos, quando começou a perder força na perna direita. Rapidamente perdeu a mobilidade do lado direito. Procurou ajuda médica tendo sido encaminhado para a especialidade de Neurologia. No dia seguinte à consulta ficou paralisado. O diagnóstico surgiu algum tempo depois: neuromielite óptica seronegativa, uma doença degenerativa que o atirou para uma cadeira de rodas com 80% de incapacidade.
“Os médicos ainda não têm a certeza absoluta em relação à minha doença. Recentemente, uma das médicas que me acompanha quis que fizesse uma biópsia à medula para perceber realmente qual é a minha doença. O problema é que ao fazer a biópsia corro sérios riscos de ficar totalmente paralisado da cintura para baixo e neste momento ainda tenho alguma sensibilidade nas pernas”, explica André Durães a O MIRANTE, acrescentando que a sua doença não é genética uma vez que fez todos os exames.
O jovem de Vila Chã de Ourique está ansioso para poder voltar ao Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, onde já esteve duas vezes, e sabe que lá as terapias intensivas são o melhor para a recuperação. André Durães lamenta que só possa ficar internado dois meses. “Precisava ficar lá um ano sempre com trabalho intensivo. Da primeira vez que lá estive, quando saí consegui colocar-me de pé. Nunca mais o consegui fazer”, lamenta. A mãe não tem capacidade financeira para colocar o filho em fisioterapia privada todos os dias e as públicas estão lotadas e com listas de espera grande.
André Durães precisa de uma cadeira de rodas eléctrica e articulada de modo a conseguir colocar-se de pé mas a médica responsável ainda não lhe passou a prescrição para que possa ter acesso a uma cadeira paga pela Segurança Social. “Não entendo a decisão da médica, nunca deu explicações para não prescrever a cadeira. A ferida que o André tem neste momento já estaria sarada se ele se conseguisse colocar de pé”, critica Isabel Espírito Santo.
André recorda a O MIRANTE que antes da doença era no café da mãe, em Vila Chã de Ourique, concelho do Cartaxo, que trabalhava todos os dias e ajudava a servir às mesas. Tem saudades desses tempos mas confessa já ter aceitado a doença. O mesmo não acontece com a mãe, que tem mais dois filhos. “Foi tudo muito inesperado e não há ninguém na família com o problema do André. Acho muito injusto o que aconteceu ao meu filho. Sentir a força que ele me transmite é o que me dá coragem para continuar”, refere enquanto enxuga as lágrimas com a mão.

Onda de solidariedade ajudou André a não estar tão dependente
Há cerca de um ano, um grupo de amigos de André Durães juntou-se numa onda de solidariedade com o objectivo inicial de adaptar o carro de Isabel para facilitar a entrada e saída do filho. A adesão das pessoas superou todas as expectativas. Além da adaptação do automóvel foi possível partir uma parede que dividia dois quartos e transformar o espaço no quarto de André. A casa-de-banho foi também adaptada.
“Com esta cadeira eléctrica consigo uma independência que não tinha até aqui. Posso sair de casa sozinho e só isso é uma sensação de liberdade indescritível. Até aqui dependia da minha mãe para tudo e agora já posso ficar em casa e quando me apetece vou sozinho ter com ela”, conta a O MIRANTE enquanto mostra as modificações em sua casa. Também o portão de casa foi automatizado. O único senão é a cadeira de rodas ser para interiores. André precisa de uma cadeira de rodas eléctrica todo-o-terreno para poder circular na rua.

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