Sociedade | 17-04-2024 18:00

VFX perpetua memória de José Fidalgo

VFX perpetua memória de José Fidalgo
À viúva e à filha de José Fidalgo juntaram-se vários amigos do ex-autarca na cerimónia que deu o seu nome a um troço da Estrada Nacional 248

Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira deu o nome do ex-autarca e investigador a um dos principais acessos à cidade. Uma homenagem que realça a importância de um homem rico em valores e que acreditava que a política se fazia nas ruas e não nas redes sociais.

Três anos depois da morte de José Fidalgo Gonçalves, Vila Franca de Xira não esquece o impacto que o antigo presidente da junta de freguesia teve na modernização dos serviços da autarquia e o contributo que deu a quem vive na cidade. Depois de já ter sido homenageado com o galardão de Cidadão de Mérito da freguesia em 2018, o nome de José Fidalgo dá agora o nome a um troço da Estrada Nacional 248, a principal via de entrada na cidade de VFX para quem chega de Arruda dos Vinhos.
Uma forma simbólica de, diz a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, perpetuar o nome de José Fidalgo na memória colectiva. A cerimónia simbólica do descerrar da placa aconteceu na manhã de sábado, 6 de Abril, perante vários amigos e familiares do ex-autarca, falecido em 2021 aos 66 anos. Na mesma ocasião foi dado o nome de rua a outros dois ex-autarcas de VFX: Ricardo Borges Viegas, que foi presidente de junta de 1997 a 2000; e a Alípio Silva, que foi presidente de junta em momento anterior a essa data.
Dar o nome de José Fidalgo a uma artéria da cidade no ano em que se celebram 50 anos da Revolução dos Cravos é, para o presidente da junta, Ricardo Carvalho, um momento cheio de simbolismo. “José Fidalgo marcou profundamente uma alteração nos serviços da junta, implementando respostas diversificadas em vários âmbitos, no espaço público e em procedimentos permanentes de melhoria e de resposta mais célere e mais próxima da população. Investiu e bem na modernização da junta, com novos equipamentos, serviços e ferramentas de trabalho. Era um visionário, um presidente focado no território, nas causas sociais, no movimento vivo da freguesia”, recordou Ricardo Carvalho.
O autarca lembrou um “extraordinário professor e pessoa”, que lhe deixou um ensinamento importante para se afastar das redes sociais. “Disse-me um dia que nas redes sociais estão apenas os políticos de sofá. São os que estão sentados agarrados ao telemóvel a opinar sem saber as dificuldades de estar nestes cargos 24 horas por dia. Não é possível fazer um bom trabalho sem nos dedicarmos ao cargo muitas horas e muitas vezes em detrimento da família. Tudo sem levar nada em troca. Eventualmente para um dia estar aqui alguém a homenagear a pessoa e o trabalho que teve e tenho hoje esse privilégio de homenagear o José Fidalgo”, afirmou.
“Não faças nada à espera de uma estátua”
A viúva do ex-autarca, Ana Fidalgo, e a filha, Tânia, estiveram presentes na cerimónia e foi a esta última que coube ler algumas palavras escritas pela irmã que vive em Macau há uma década. “Quando partilhávamos um com o outro um projecto giro que estávamos a desenvolver ele costumava dizer em tom de brincadeira que o devemos fazer sem esperar uma estátua de bronze. De facto não se faz o que se faz com gosto que daí nada advenha senão o prazer de uma coisa que antes não existia. O teu nome numa rua ainda é mais fixe que uma estátua de bronze. É um reconhecimento merecido. Saudades sem fim”, leu com emoção.
A vice-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Marina Tiago, lembrou José Fidalgo como um homem que incorporava o espírito dos autarcas. “Se ele aqui estivesse quereria que disséssemos que a homenagem é a todos os autarcas que decidem abraçar este desafio todos os dias. Ele era uma pessoa que levava os outros a reflectir e a avaliar a acção. E esse é um desiderato que às vezes os autarcas, na correria dos dias, não conseguem cumprir. O Fidalgo ensinou-nos a reflectir nas acções que implementamos e o legado que isso deixa para o futuro. Partiu demasiado cedo, tínhamos ainda muita coisa para aprender com ele e muitas coisas para dizer e escrever”, lembrou.

Um percurso de vida dedicado à causa pública

José Fidalgo Gonçalves morreu aos 66 anos e teve um percurso eclético, profissional e de serviço à causa pública, no associativismo, na comunicação social e na vida política. Foi presidente de junta de 2002 a 2011 e retirou-se para se dedicar à vida académica. Publicou livros de investigação com a chancela de O MIRANTE e era cronista habitual nas páginas deste jornal tentando transmitir o seu conhecimento sobre governança local e cidadania, umas vezes sobre temas nacionais outras vezes sobre a terra que o apadrinhou. A sua última publicação questionava se ainda todos nos lembramos de Álvaro Guerra. Foi dirigente nacional da ANAFRE - Associação Nacional de Freguesias - e mais tarde professor e investigador no Centro de Estudos e Investigação Aplicada e depois chegou a coordenador científico do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica.

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