Sociedade | 24-04-2024 07:00

População do Arripiado volta a viver em clima de medo

População do Arripiado volta a viver em clima de medo
Foto captada em 2020, quando O MIRANTE foi à aldeia ouvir mais de duas dezenas de residentes, todos vítimas de assaltos. Quatro anos depois a população volta a viver em clima de medo

A população do Arripiado, aldeia do concelho da Chamusca, está novamente a viver num clima de insegurança por causa das ameaças constantes protagonizadas por um homem que há várias semanas inferniza a vida dos moradores.

Já foram apresentadas várias queixas às autoridades, mas até agora ainda nada foi feito. Suspeito é familiar do homem que foi preso em 2020 por vários assaltos na localidade.

Há várias semanas que as cerca de duas centenas de pessoas que vivem no Arripiado, aldeia do concelho da Chamusca, estão com medo, algumas em pânico, por causa de um indivíduo que as ameaça diariamente física e verbalmente. A O MIRANTE, um dos moradores diz que o indiví duo, na casa dos 30 anos, “importuna, trata mal e ameaça” todas as pessoas que não cedem aos pedidos de dinheiro que faz diariamente. O mesmo morador, que pediu para não ser identificado, diz que já foram apresentadas várias queixas oficiais às autoridades, mas até agora não surtiram efeito. “Até hoje não vimos nenhum elemento da Guarda Nacional Republicana a patrulhar a aldeia. Este rapaz precisa de acompanhamento. Esta história vai acabar mal se não fizerem alguma coisa”, afirma, dando conta que é costume o indivíduo andar acompanhado com o cão a quem comete maus-tratos. “Costuma andar de um lado para o outro com o cão e é muito frequente vê-lo a bater no animal”, acrescenta.
O MIRANTE sabe que o suspeito também tem tido os mesmos comportamentos na Carregueira, localidade vizinha, também no concelho da Chamusca, embora com menos frequência. “É aqui que ele anda diariamente. É triste que, quatro anos depois, voltemos a viver em pânico por causa de uma situação destas”, lamenta o morador. Recorde-se que em 2020 a reportagem de O MIRANTE foi várias vezes à aldeia dar voz aos seus habitantes que durante vários meses sofreram assaltos a casas e estabelecimentos comerciais protagonizados por, sabe o nosso jornal, um familiar do actual suspeito. Na altura, o assaltante foi detido pela prática de vários furtos em residência e condenado a prisão efectiva.
A foto que ilustra este texto foi tirada em 2020, quando O MIRANTE foi à aldeia ouvir o desabafo de mais de duas dezenas de residentes, todos vítimas dos assaltos, que se reuniram junto à igreja, no Largo do Chafariz, para mostrarem a revolta que sentiam em relação à situação dramática que estavam a viver. “Aqui na aldeia somos quase todos velhos e não temos capacidade para lutar contra esta situação sozinhos”, explicava ao repórter, enquanto todos os outros esperavam a sua vez de contarem as histórias igualmente tormentosas. Quatro anos depois a tormenta volta ao Arripiado, embora com outro responsável. “Esperamos que as coisas desta vez não demorarem tanto tempo a resolver como da última. Queremos estar em paz e desfrutar da nossa aldeia em segurança”, afirma o morador em jeito de desabafo.
Na reunião de Câmara da Chamusca realizada a 16 de Abril, o presidente explicou que a situação está a ser monitorizada e que o indivíduo sofre de distúrbios mentais, sendo necessário realizar numa intervenção mais profunda, acrescentando que as autoridades (GNR) também têm conhecimento da situação.

Uma freguesia insegura

A ocorrência de situações deste género na freguesia da Carregueira, a que pertence a aldeia do Arripiado, tem sido recorrente. Antes da onda de assaltos que assolou durante meses a população, entre 2019 e 2020, O MIRANTE noticiou a 13 de Novembro de 2018 que na Carregueira um número elevado de roubos e de violência alarmavam a população. Nessa altura a Assembleia de Freguesia da Carregueira aprovou uma moção em que manifestava a sua preocupação com o elevado número de casos de roubo e de agressões físicas e verbais que assolavam a população.
Os autarcas decidiram solicitar uma reunião conjunta com a Câmara da Chamusca, o comandante do Posto Territorial e o Comando da GNR de Santarém, no sentido de definir uma estratégia de combate à criminalidade e devolver o sentimento de segurança a toda a população. “O medo, a insegurança, a impotência, a injúria e a indignação fazem hoje parte do quotidiano daqueles que directamente foram e são vítimas. Todos, familiares e vizinhos, sabem que, a continuar esta inoperância, são candidatos a próximas vítimas”, lia-se na moção.

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