Sociedade | 01-05-2024 10:00

Vila Franca de Xira foi bastião de resistência na luta contra o fascismo

Vila Franca de Xira foi bastião de resistência na luta contra o fascismo
Sete pessoas e duas instituições da cidade foram homenageadas no final da reunião do executivo da junta de freguesia que se realizou na semana anterior ao 25 de Abril

Executivo da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira homenageou figuras que considerou terem sido importantes para a construção do poder local democrático e luta contra o fascismo. Homenageados avisaram que as liberdades da revolução estão a desvanecer-se todos os dias.

O concelho de Vila Franca de Xira foi um importante bastião de resistência antifascista e não pode esquecer essa história e evocá-la apenas quando se celebra o 25 de Abril. Uma mensagem bastante presente na noite de 17 de Abril durante a homenagem que a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira fez a sete pessoas e duas instituições da cidade, pelo seu papel ao longo dos anos na construção do poder local democrático e na luta contra o fascismo. Um momento integrado nas comemorações dos 50 anos da revolução do 25 de Abril e que aconteceu no final de uma reunião do executivo da junta. Foram entregues diplomas de mérito e emblemas da freguesia.
Os homenageados foram Luís Geordano Covas (deputado à Assembleia Constituinte de 1974 a 1976), José Pedro Soares (também deputado à Constituinte entre 1974 e 1976), António Alves Machado (presidente da Junta de VFX aquando da elevação a cidade) e quatro mulheres: Maria Eduarda Nobre, presidente da primeira comissão administrativa de freguesia em 1974; Ana Câncio, a primeira mulher presidente da junta de freguesia; Maria da Luz Rosinha, ex-deputada e primeira mulher presidente da câmara; e Sandra Marcelino, a primeira mulher a presidir à assembleia municipal.
Também foram homenageados o Núcleo de VFX da Liga dos Combatentes, em representação dos militares que fizeram o 25 de Abril, e a Associação Alves Redol, em representação dos movimentos cívicos e culturais que contribuíram para a revolução e a luta anti fascista.
“VFX foi uma terra de resistência, de anti fascistas, muitos deles a sofrer com muitos anos de prisão. Os passos que demos em democracia para que o poder local democrático pudesse servir as populações da melhor maneira não deve ser esquecido. É um privilégio ter sido presidente de junta e ter conseguido fazer obra e actividades que até então era impossível fazer”, lembrou António Alves Machado.

“O futuro tem de ser Abril”
Já Maria Odete Capucha, em representação da Associação Alves Redol, lembrou a “privação total de liberdades” que se vivia em 1971, quando a associação deu os primeiros passos. “Um grupo de pessoas inconformadas com a falta de resposta estatal para as necessidades culturais em VFX decidiu fundar o Centro Popular Alves Redol que ao fim de um ano foi mandado encerrar pela PIDE (polícia política). Foi reaberto com o nome Cooperativa Alves Redol, que continuou e manteve os mesmos valores apesar das condições adversas. Em 2016 passou a ser associação. Obrigámo-nos a continuar a ser cultura, liberdade e resistência, o que cada vez mais faz sentido, porque só assim podemos fazer frente aos movimentos fascistas em crescimento em todo o mundo incluindo em Portugal. O futuro tem de ser Abril”, defendeu.
O papel das mulheres na construção do poder local democrático foi também lembrado por Maria da Luz Rosinha, que confessou o orgulho pelo papel que VFX teve na luta contra o fascismo. A ex-autarca lembrou a “grande felicidade” que foi a revolução para a sua geração, lamentando que hoje, para quem nasceu em liberdade, seja uma coisa tão natural como o ar que se respira.
“São precisas mais mulheres, elas são mesmo para estes lugares, têm uma dedicação, empenho e entrega que faz a diferença. O poder local é a primeira marca que nos merece respeito. É quem está mais perto das populações e a quem as pessoas se queixam primeiro. Já disse a vários governos que não sabem o que se passa cá fora. As pessoas não se queixam ao ministro, queixam-se ao presidente de junta e de câmara”, notou. No final houve distribuição de cravos e cantou-se o Grândola Vila Morena.

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