Sociedade | 12-05-2024 12:00

Doente com 83 anos e episódios de AVC esperou nove horas para ser atendido no Hospital de Vila Franca de Xira

Um doente com AVC esperou mais de nove horas para ser visto por um médico no Hospital de Vila Franca de Xira. Filha de José Mateus não se conforma com situação, que diz ser recorrente em dias de normal afluência ao serviço de urgência.

José Mateus deu entrada no Hospital de Vila Franca de Xira às 04h10 da madrugada de domingo, 28 de Abril, com sinais de confusão mental e sem conseguir falar, depois de já ter sofrido três acidentes vasculares cerebrais, um deles iniciado com sintomatologia semelhante. O idoso, de 83 anos, foi triado com pulseira amarela (urgente), mas acabou por ter de esperar mais de nove horas para ser observado por um médico, já depois das nove da manhã. A alta, após ter recebido um diagnóstico de infecção respiratória, foi-lhe dada pelas 17h00.
Para a filha, Teresa Mateus, este é apenas um dos casos que espelha o estado a que chegou o Hospital de Vila Franca de Xira, “desde que é completamente público”, até porque, sublinha a O MIRANTE, “não foi uma noite complicada, pois havia pouca gente, no máximo estariam 20” utentes na sala de espera. “O que me indigna é que se houvesse uma afluência grande de doentes uma pessoa até compreendia, independentemente de ter pulseira amarela. Agora não foi o caso”, refere, acrescentando que já com a sua mãe, há uns meses, aconteceu situação semelhante.
O nosso jornal questionou o Hospital de Vila Franca de Xira sobre a afluência, tempo de espera e número de médicos afectos ao serviço de urgência naquela noite, mas não obtivemos resposta até ao fecho desta edição. Também Teresa Mateus questionou a unidade hospitalar, no Livro de Reclamações, site oficial e, ainda, nas redes sociais do hospital, encontrando-se a aguardar uma justificação para o sucedido. Já há uns meses, por causa da deslocação da sua mãe ao mesmo hospital e do tempo de espera que considerou elevado, tinha apresentado reclamação, tendo, dessa vez, recebido a justificação de que não haveria médicos para dar resposta célere à afluência de utentes.

Queixas são frequentes
Teresa Mateus é apenas uma das utentes, neste caso no papel de acompanhante, que nos últimos três anos partilhou com O MIRANTE o seu descontentamento face ao elevado tempo de espera no serviço de urgência do Hospital de Vila Franca de Xira, que deixou de ser gerido por uma parceira público-privada em 2021. Em 2023, recorde-se, Paula Alexandra, de Vialonga, queixava-se do facto de a sua mãe, de 68 anos, ter esperado 10 horas para ser vista por um médico. Nessa altura o hospital referiu, em resposta ao nosso jornal, que estava a haver forte pressão devido à elevada afluência de utentes, rejeitando haver falta de médicos na urgência. No mesmo ano, o Sindicato Independente dos Médicos alertou para a falta de médicos no serviço de urgência externa no Hospital de Vila Franca de Xira e acusou a unidade de dar preferência à contratação de prestadores de serviços em vez de contratar médicos de Medicina Interna.

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