Sociedade | 13-05-2024 12:00

Vedaram acesso à praia de Alverangel e Câmara de Tomar pode avançar com expropriação

Vedaram acesso à praia de Alverangel e Câmara de Tomar pode avançar com expropriação
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Praia Fluvial de Alverangel só tem acesso por caminhos privados. fotoDR

Novos proprietários do único terreno que dá acesso à praia fluvial de Alverangel, um dos paraísos mais procurados no Ribatejo, fecharam o caminho com correntes. Presidente da Câmara de Tomar diz que quer chegar a um consenso com proprietários, mas não descarta a possibilidade de avançar para uma expropriação se não houver entendimento.

O acesso à praia fluvial de Alverangel, no concelho de Tomar, uma das zonas balneares mais frequentadas na região ribatejana, foi vedado com uma corrente pelos novos proprietários dos terrenos. A zona balnear, situada na Albufeira do Castelo de Bode, tem uma longa história de desavenças entre a Junta de São Pedro de Tomar, que foi condenada em 2016 a pagar indemnização de 200 mil euros à família Duarte Ferreira, que era proprietária dos terrenos.
Há pouco mais de dois meses, o terreno e o imóvel que lá existe foi comprado por uma família do distrito de Lisboa que, segundo apurou O MIRANTE, quer vedar o acesso por completo. Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão, confirma a situação e diz que o município está a trabalhar com a junta de freguesia para chegar à fala com os novos proprietários de forma a encontrar uma solução e permitir que os milhares de banhistas que procuram a zona balnear possam continuar a usufruir do espaço. “Houve alguma inacção há várias décadas para resolver o problema. Há ali uma praia fluvial que está classificada como tal e o único caminho de acesso passa por dentro da propriedade. Vamos reunir formalmente com a junta de freguesia para estudar um plano de acção e reunirmos com os proprietários para encontramos uma solução”, disse o autarca.
Hugo Cristóvão admite avançar com a expropriação, do terreno e imóvel, mas sublinha que “espera não vir a ser preciso fazê-lo. “Existe um facto novo que foi o encerramento do caminho. As pessoas desta forma não vão poder frequentar a praia, como têm feito desde sempre”, acrescentou.

O caminho da discórdia
Em 2019 O MIRANTE recuperou dos seus arquivos a história de uma desavença entre um particular e a Junta de Freguesia de São Pedro que dura há mais três décadas. O conflito no chamado caminho do zorro, na zona do Casalinho, Alverangel, que dá acesso à praia fluvial de Chãs da Conheira, começou quando a Junta de São Pedro interpôs uma acção em tribunal contra a família Duarte Ferreira por impedir o acesso das pessoas à praia. O tribunal deu razão à família que, posteriormente, avançou com um processo contra a autarquia, que terminou em 2016 com o tribunal a condenar a junta a indemnizar a família em 200 mil euros. Na altura, a então presidente da junta, Lurdes Ferromau Fernandes, actual vereadora na oposição ao executivo socialista, criticou a falta de actuação dos vários executivos municipais que passaram pela Câmara de Tomar. A autarca defendia a expropriação do caminho, que só pode ser feito pela câmara municipal. “No Plano Nacional de Ordenamento da Barragem de Castelo de Bode, que se sobrepõe ao Plano Director Municipal naquela área, sempre esteve descrito que existe a marcação de uma praia fluvial naquele local. Existem análises feitas à água pela Agência Portuguesa do Ambiente, o que significa que consideram aquele espaço como praia fluvial e o único acesso a essa praia é aquele caminho que o tribunal considerou privado”, justificou.
O MIRANTE esteve no local nesse ano para percorrer o caminho da discórdia que dá acesso à praia fluvial. Falámos com várias pessoas e ninguém sabia de nada relativamente ao assunto que coloca em discórdia a junta de freguesia e os anteriores proprietários do terreno. Mas todos sabiam que circulavam em propriedade privada. “Sabemos que este acesso é particular, mas como não podemos cair aqui de páraquedas temos que vir por algum lado”, apontaram.

Banhistas expulsos da praia

Três centenas de pessoas já assinaram uma petição contra o encerramento do acesso à praia de Alverangel. Na descrição da petição pública lê-se: “procurada por aqueles que gostam de um ambiente sereno e tranquilo, de alta qualidade, estas águas são um pouco mais quentes do que o habitual, sendo um dos locais ideais para um dia inesquecível. Um dos recantos mais aprazíveis da Albufeira de Castelo do Bode, a praia fluvial de Alverangel, tem agora o acesso fechado com uma corrente e todos os banhistas têm sido expulsos e afastados pelos novos proprietários. A praia fluvial de Alverangel está identificada como tal pelos Ministérios da Defesa Nacional e da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território. Pedimos ao presidente da Câmara Municipal de Tomar ajuda para que possamos ter de volta o acesso a pé à Praia Fluvial de Alverangel. A praia é nossa há mais de 50 anos”.

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