Sociedade | 14-05-2024 10:00

Bombeiros de Castanheira do Ribatejo com recados para o Estado, município e empresas em dia de aniversário

Bombeiros de Castanheira do Ribatejo com recados para o Estado, município e empresas em dia de aniversário
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Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Castanheira do Ribatejo comemorou 48 anos de existência. Foto AHBVCR

Comandante da corporação e presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Castanheira do Ribatejo aproveitaram a presença de autarcas para deixar alguns alertas na cerimónia do 48º aniversário da associação humanitária. Inexistência de uma equipa de intervenção permanente, ordenados baixos e o desinteresse das empresas em apoiar os bombeiros foram alguns dos avisos.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Castanheira do Ribatejo, Bartolomeu Castro, disse no domingo, 5 de Maio, durante a sessão solene do 48º aniversário da associação humanitária, que “há muito que vem sendo uma necessidade aumentar” a equipa profissionalizada da corporação e ter uma “equipa de intervenção permanente ao dispor da população”.
“Passados mais de 10 anos da reorganização administrativa das freguesias, nada mudou. Trago o assunto para relembrar que tudo o que estava ao nosso alcance foi feito”, disse. Além das mudanças administrativas, sublinhou, “as mudanças físicas do território são uma realidade, mas continua tudo na mesma. Hoje ainda parece que a A1 continua a ter os mesmos nós de acesso que tinha há 50 anos, mas o nó da Castanheira/plataforma logística é uma realidade desde 2008”, disse, criticando que o Plano Prévio de Intervenção continue a “ser um rascunho há mais de 10 anos”.
Bartolomeu Castro proferiu estas afirmações na cerimónia na qual estiveram presentes autarcas do executivo camarário, Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, Assembleia da União de Freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras e o presidente da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, João Jordão Marques.
O comandante explicou que a necessidade de aumentar o número de operacionais tem sido comunicada à Câmara de Vila Franca de Xira e à Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), mas que de nada tem valido. “Continuamos à espera, com respostas que muitas vezes não conseguimos compreender”, afirmou, acrescentando mais um recado: “Continuamos à procura de manter ou ver aumentado o número de recursos humanos profissionais, mas com uma carreira que não existe, com ordenados baixos porque as associações não conseguem gerar receita para manter custos operacionais mais elevados”.

Falta de incentivos ao voluntariado e alheamento das empresas
Bartolomeu Castro não deixou de parte a questão do voluntariado nas corporações de bombeiros alertando que actualmente a “sociedade não procura apenas reconhecimento”, mas “condições financeiras” e que, quanto a isso, há “falta de verdadeiros incentivos aos voluntários”. O responsável apontou ainda o dedo às empresas instaladas naquela união de freguesias, que representam “mais de 50% do investimento industrial do concelho” de Vila Franca de Xira e aumentam o risco de “incêndios de grandes dimensões”, por não terem a “preocupação de saber quais são as condições dos seus bombeiros”.
“Somos ousados e tentamos contactar, mas poucos são os que dão resposta. Muitas vezes querem é respostas da nossa parte quando estão a implementar medidas de auto-protecção contra incêndios, para que essas respostas sejam benéficas nos seus prémios de seguro”, disse Bartolomeu Castro.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Castanheira do Ribatejo (AHBVCR), Virgílio Anágua, alertou, por sua vez, que é necessário captar mais sócios e que é relevante que os existentes paguem as suas quotas, “porque os carros precisam de manutenção, combustível, material de socorro e [é preciso] fardamento adequado” para os operacionais.
“A AHBVCR pode estar na ponta do concelho, mas pertence ao mesmo e quer ser vista dessa forma. O apoio da câmara municipal e da junta de freguesia é fundamental para a nossa sobrevivência”, disse o dirigente depois de ter enumerado os objectivos traçados para 2024, entre outros, a aquisição de um tanque 4x4 (55.120 euros) e de um VLCI urbano (74.861 euros), que vai ser comparticipado pelo município em 55 mil euros e entregue no Dia Municipal do Bombeiro.

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