Sociedade | 20-05-2024 07:00

Moradora do Entroncamento temeu pela vida após incêndio em contentores junto à sua casa

Moradora do Entroncamento temeu pela vida após incêndio em contentores junto à sua casa
TEXTO COMPLETO DA EDIÇÃO SEMANAL
Ana Cristina temeu pela vida por causa de incêndio em contentores do lixo junto à sua casa

Contentores do lixo na via pública estão a menos de dois metros da janela da cozinha da casa de Ana Cristina, no Entroncamento.

Durante a madrugada de 25 de Abril, um incêndio nos contentores encheu-lhe a habitação de fumo e teve a sorte de ser acordada pelo ladrar da sua cadela. O município garante que os contentores são necessários naquele local e mesmo após o incidente e recorrentes queixas não vai mudá-los de sítio.

Desde 2017 que Ana Cristina, moradora no Entroncamento, se tem queixado à Câmara do Entroncamento por causa dos contentores de lixo excessivamente próximos da janela da sua cozinha, nas traseiras da casa, que dá para a Rua da Caridade. Na madrugada de 25 de Abril, um incêndio nos contentores levou Ana Cristina a temer pela vida. Quando acordou, alertada pela sua cadela, deu com a casa cheia de fumo evitando, por pouco, o pior. Ana Cristina admite ter sido a gota de água que fez transbordar o copo de um problema de que se tem vindo a queixar desde 2017. Agora garante não aceitar mais os contentores naquele local.
Em conversas anteriores, o presidente da Câmara do Entroncamento, Jorge Faria (PS), garantiu que os contentores eram necessários naquele local e ali iriam continuar, até porque o próprio também tinha dois à sua porta. No dia 7 de Maio, Ana Cristina deslocou-se aos serviços municipais para se inscrever para a reunião do executivo desse mesmo dia e falou, novamente, com Jorge Faria. “Voltou a mentir-me a dizer que tinha contentores à porta dele, e tenho fotografias em que se vê que é mentira. Perguntei-lhe de quem seria a responsabilidade se eu tivesse morrido e a única resposta que tive foi: mas não morreu”, diz indignada. Devido ao incêndio, os contentores destruídos já não estão no local, onde ainda se vêem materiais queimados, mas tudo indica que para lá voltem outros. O MIRANTE teve acesso a fotografias dos contentores no local que comprovam o que Ana Cristina diz.
A munícipe deslocou-se à reunião camarária de 7 de Maio para revelar o episódio a todo o executivo. Ana Cristina deu conta do problema que se tem vindo a arrastar há sete anos e contou a conversa que teve nessa manhã com Jorge Faria. “Devo a vida à minha cadela, que me acordou. Quantas pessoas já não morreram por inalação de fumo? Há anos que alerto para este problema. De quem seria a responsabilidade se algo me acontecesse”, questionou.

Cidadã desmente Jorge Faria
Jorge Faria diz que o incêndio pode ter sido causado por resíduos colocados no contentor. No entanto, o autarca desmentiu a moradora quanto ao teor da conversa havida antes, afirmando que disse: “felizmente não aconteceu nada de pior”. Algo que Ana Cristina garantiu ser mentira. A cidadã disse que Jorge Faria lhe mostrou indiferença e desprezo, desvalorizando a questão. A residente reiterou que a expressão usada, com indiferença, pelo autarca foi “mas não morreu”. Jorge Faria aproveitou para negar a mudança dos contentores de local, afirmando que estão onde devem estar.
Anteriormente, Ana Cristina já tinha feito vários pedidos à autarquia para a mudança de local dos contentores. Os maus cheiros e a falta de higiene, considerada, representam um risco para a saúde pública, ainda para mais a menos de dois metros da janela da cozinha da habitação. Ana Cristina admite que os contentores devam continuar na rua, pedindo apenas que sejam afastados da sua janelas. As queixas e pedidos nunca resolveram o problema e a cidadã referiu que chegou a ser ameaçada por um dos vereadores socialistas que a meteria em tribunal caso mudasse os contentores de sítio por sua iniciativa.

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