Sociedade | 25-05-2024 10:00

Nas universidades seniores os alunos esforçam-se para não perder o comboio das novas tecnologias

Nas universidades seniores os alunos esforçam-se para não perder o comboio das novas tecnologias
Na sala de informática do espaço da Santa Casa da Misericórdia de Santarém os alunos da UTIS aprendem a utilizar o computador e a navegar na Internet em segurança

Alunos das universidades seniores de Santarém e Azambuja aprendem a trabalhar com o computador e a Internet. Falam com a família através de meios digitais e querem saber mais para acompanhar os mais jovens e não ficarem para trás.

A ocupar uma das carteiras da sala onde é leccionada a disciplina de Informática da Universidade da Terceira Idade de Santarém (UTIS), Isabel Rabuge tenta não perder o comboio das novas tecnologias. O primeiro contacto que teve com computadores foi em 2023 e, apesar de ter começado praticamente do zero, neste momento consegue utilizar o processador de texto Word, o correio electrónico e o Facebook, embora tenha receio de fazer uma publicação involuntária no seu perfil nesta rede social. Costureira de profissão, a aluna de 67 anos, natural de Verdelho, considera a Internet útil por a ajudar a encontrar informação sem precisar de sair de casa.
Também Carlos Nunes, o aluno de 70 anos que se senta ao lado de Isabel, olha para o computador e para a Internet como um livro informático através do qual pode esclarecer as suas dúvidas e que, em simultâneo, o aproxima dos amigos e família pelas conversas que passou a ter através de uma aplicação.
Na disciplina de Informática da UTIS faz-se introdução aos computadores, aprende-se a trabalhar com o Word e ainda com as redes sociais. A ideia, explica o professor José Albano Silva, é familiarizar “as pessoas com os meios informáticos”, até porque grande parte delas nunca teve grande contacto com o uso de computadores, fosse pela falta de necessidade ou do trabalho que exerciam. Casado com Maria João Silva, também professora da disciplina de informática na UTIS, o docente de 78 anos explica que a prioridade dos alunos foi-se alterando, acompanhando os avanços das novas tecnologias e formas de comunicar que já não se resumem ao correio electrónico. “As pessoas procuram-nos fundamentalmente pela questão das redes sociais”, precisa, acrescentando que para isso é importante que saibam dominar as ferramentas de escrita, assim como elaborar um email.
Nestas idades, completa Maria João Silva, o computador “pode servir de companhia”, afastando a solidão. No entanto, ressalva a antiga técnica de informática, a Internet deve ser utilizada quando é necessária não devendo substituir a comunicação presencial. “Há horas para se estar no computador e horas para se estar com a família”, vinca.
Aprender a comunicar com a família é a vontade da maioria
Mais a sul, em Azambuja, Maria da Graça Caetano nunca se tinha atrevido, antes dos 72 anos, a explorar um computador. É aluna na Universidade da Terceira Idade do Concelho de Azambuja (UTICA) desde 2015, mas só este ano decidiu inscrever-se na disciplina de Informática. A viver sozinha em Manique do Intendente, começou a sentir-se excluída porque, conta, começou a reparar que pouco se fazia sem Internet. Logo na segunda aula comprou um computador portátil mas nem sequer o sabia ligar, confessa, explicando com orgulho que agora já usa o teclado para escrever e vai mexendo no rato.
A aluna da UTICA é uma das oito que frequenta uma vez por semana a aula de informática. Este ano a disciplina é leccionada por Paulo Simões, que se voluntariou há um ano depois de ter passado à reserva militar. “A proposta foi colocar-me à disposição dos alunos e tentar perceber os diferentes níveis de literacia entre eles. Cada um escolhe o que quer aprender mas estão em níveis diferentes. Temos quem parta do zero e outros com alguma pró-eficiência”, explica, acrescentando que a maior parte das aulas é dedicada ao que os alunos pedem para aprender. Nas outras lança temas transversais dentro da literacia digital como a segurança na Internet, inteligência artificial e as burlas online.
Quando fez 70 anos, os amigos de Emília Santos ofereceram-lhe um computador portátil. Via o neto a mexer com facilidade nas novas tecnologias e sentiu que devia aprender para não ficar ultrapassada. É utilizadora de uma das aplicações mais usadas para comunicar através do smartphone, mas confessa que ainda prefere receber facturas em papel. Nesse campo, Pedro Figueira, de 74 anos, adquiriu novos hábitos. “Já recebo algumas por e-mail”, diz, explicando que vê o navegar na Internet como um “passatempo para não estar todo o dia no sofá” agora que está reformado.
No caso de Maria Madalena, 71 anos, foi a curiosidade de aprender e falar com os familiares através de videochamada que a levou a aventurar-se nas aulas de informática. Também Vílmar Morais, de 78 anos, passou a utilizar uma das aplicações disponíveis para comunicar com a família e amigos que vivem no Brasil, mas, admite, continua a olhar para os computadores como um bicho papão. “É um desafio enorme mas o Paulo tem muita paciência. Hoje quem não sabe o mínimo de computadores fica fora do mundo. Faço captação de clientes para a banca e por isso só uso o computador para passar recibos verdes. Tenho medo de apagar os recibos e fazer disparates, mas este ano já evoluí muito”, remata.

Uma vez por semana os alunos da UTICA juntam-se para aprender mais sobre as novas tecnologias

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