Sociedade | 26-05-2024 07:00

Desactivação do antigo cemitério de Alverca a passo de caracol

Desactivação do antigo cemitério de Alverca a passo de caracol
Transladação de corpos do antigo para o novo cemitério de Alverca está a ser feita a passo de caracol

Processo de trasladação dos corpos do antigo cemitério de Alverca arrasta-se há três mandatos e parece que ainda não será neste que tudo fica resolvido. Burocracia e sensibilidade do tema vão arrastando a solução.

Tão devagar que quase parece estar parado: é desta forma que decorre o processo de trasladação dos corpos do antigo e desactivado cemitério de Alverca, situado no centro da cidade, para o novo cemitério da Cruz das Almas. O assunto, admite o presidente da junta, tem sido “tratado com pinças” devido à sensibilidade a que o tema obriga. É a junta de freguesia a entidade responsável pelo processo de retirada dos corpos e desactivação do espaço. Dos 14 jazigos existentes no velho cemitério apenas quatro familiares reclamaram os corpos. “Desses quatro já houve uma reunião preparatória com as agências funerárias que vão fazer as trasladações. E vai ser convocada para breve uma reunião com os quatro titulares para calendarizar a mudança para o cemitério cruz das almas”, explica o presidente da junta, Cláudio Lotra.
Dos jazigos que não foram reclamados, após os editais publicados pela junta de freguesia, o advogado da junta de freguesia está a preparar os processos para que a trasladação dos restantes corpos em jazigos possa avançar. O objectivo do executivo da junta é identificar todos os corpos num local para que no futuro, se necessário, os familiares possam saber onde os restos mortais se encontram. Os jazigos serão depois demolidos e avança, numa fase posterior, a exumação dos corpos que estão em campas rasas.
“Só depois fica o terreno limpo para que seja feito um projecto para o espaço. Para mim deve ser um prolongamento do Jardim José Álvaro Vidal, para preservar a memória do que foi aquele espaço, porque a história não se apaga e temos de preservar a memória do que tivemos na nossa cidade”, defendeu o autarca depois de questionado sobre o assunto em assembleia de freguesia.
Cláudio Lotra, recorde-se, já tinha considerado um erro desactivar o velho cemitério de São Sebastião, considerando que a operação foi executada erradamente e sem qualquer respeito por quem lá estava sepultado nem pelos seus familiares. O autarca já tinha refutado no passado a ideia de que o processo de trasladação dos corpos tem andado a passo de caracol, lembrando que o assunto, pela sua sensibilidade, tem de ter prazos alargados.
“Não quisemos mexer sem notificar as famílias e dar-lhes o tempo necessário para decidirem o que fazer com os seus entes queridos. Este é um processo moroso e sensível. Não é um assunto para ser tratado à pressa nem descuidadamente como foi tratado anteriormente”, criticou, no final do ano passado, em declarações a O MIRANTE.
Ao fim de 40 anos foi assinado um contrato interadministrativo entre a Câmara de Vila Franca de Xira e o anterior executivo da junta, liderado por Carlos Gonçalves, da CDU. O que ficou determinado foi a Câmara de Vila Franca de Xira exumar as campas rasas e a junta de freguesia tratar dos jazigos. O município limpou a quase totalidade das campas rasas, enviando para cremação as ossadas que não foram reclamadas pelos familiares. Ficaram apenas algumas por remover porque não podem ser retiradas sem os jazigos serem removidos primeiro.

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