Sociedade | 05-06-2024 15:00

Manuel Antunes sente na pele as marcas do estacionamento abusivo em Santarém

Manuel Antunes sente na pele as marcas do estacionamento abusivo em Santarém
TEXTO COMPLETO DA EDIÇÃO SEMANAL
Manuel Antunes no passeio da Rua João Afonso onde foi abalroado por um automóvel que estava a ser estacionado

Cidadão invisual diz que é uma aventura circular a pé pelas ruas do centro histórico de Santarém, devido à falta de civismo dos automobilistas, que ocupam os passeios com as suas viaturas.

Na segunda-feira apanhou mais um susto que podia ter acabado mal. As queixas sobre o estacionamento irregular já se ouvem há muito, mas têm faltado respostas assertivas para acabar com os abusos.

O estacionamento abusivo em algumas ruas do centro histórico de Santarém é um tormento para Manuel Antunes, um invisual de 46 anos que tem sentido literalmente na pele e nos ossos o resultado de civismo de muitos automobilistas. Na segunda-feira, 27 de Maio, voltou a passar por isso ao ser abalroado por um automóvel que estava a estacionar de marcha-atrás no passeio na Rua João Afonso. O condutor não o viu e só parou a marcha após Manuel ter gritado e batido na viatura. O automobilista saiu do carro e foi à sua vida sem questionar se o peão necessitava de auxílio, conta.
Manuel Antunes ligou para a Polícia de Segurança Pública (PSP) a participar o caso e diz que lhe responderam que não tinham meios para se deslocarem ao local, pois o único carro ao serviço estava destacado para um acidente. O MIRANTE contactou a PSP para pedir esclarecimentos, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição, no final da tarde de terça-feira, 28 de Maio.
Andar pelas ruas do centro histórico de Santarém é uma aventura diária para Manuel Antunes, referindo que lhe custa andar nas ruas devido aos carros estacionados em cima dos passeios e passadeiras, o que o obriga muitas vezes a circular pela faixa de circulação automóvel. As ruas João Afonso e Teixeira Guedes são os pontos mais críticos, aponta. “Todos os dias passo por estas situações. Tenho as pernas todas feridas de bater nos carros. Se para uma pessoa normal já é complicado andar nessas ruas, quanto mais para um invisual…”, afirma com desalento o homem que ficou cego aos 40 anos, devido a uma doença genética. Hoje vive de uma pensão de invalidez.

Pilaretes podem ser solução
O estacionamento sem regras tem sido objecto de debate político em Santarém, nomeadamente na assembleia municipal, onde se têm ouvido críticas à inércia das autoridades, à falta de civismo de muitos automobilistas e se têm pedido soluções ao município. Tal como O MIRANTE noticiou, na sessão de Abril da Assembleia Municipal de Santarém, confrontado com essa questão, o presidente da câmara, Ricardo Gonçalves (PSD), anunciou que estão a tramitar para colocar pilaretes na Rua João Afonso, um dos acessos rodoviários ao centro histórico, para dissuadir o estacionamento abusivo que, nessa artéria, já impossibilitou inclusivamente a circulação de veículos de socorro. “É uma entrada do centro histórico e não podemos deixar que isso aconteça”, vincou o autarca.
A questão foi levantada pelo eleito do Chega, Luís Peralta, que mencionou casos como o da Rua Teixeira Guedes, onde os passeios estão constantemente ocupados por automóveis, obrigando os peões a circular na rodovia; ou da Avenida D. Afonso Henriques, que classificou como “um desastre”, onde uma das faixas de rodagem está também quase sempre ocupada com carros parados. Luís Peralta disse que nem a Rua Tenente Valadim, onde se situa o quartel da GNR, escapa ao estacionamento caótico, que por vezes atrapalha mesmo a circulação de veículos da Guarda. Na resposta, o presidente do município reconheceu que existem situações de “falta de civismo” que diz não entender, nomeadamente na Rua Teixeira Guedes, e revelou que teve uma reunião com a Polícia de Segurança Pública onde pediu que as autoridades actuassem de forma mais assertiva.

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