Sociedade | 12-06-2024 10:00

Renda duplica e mãe de quatro filhos desespera com ameaça de ficar sem tecto

Renda duplica e mãe de quatro filhos desespera com ameaça de ficar sem tecto
TEXTO COMPLETO DA EDIÇÃO SEMANAL
Maria Montez pede uma casa com uma renda decente que consiga pagar

Maria João Montez vive sozinha com quatro filhos menores em São Domingos, em Santarém, e a sua renda vai aumentar de 327 euros para 600. Em Setembro de 2023 deixou de trabalhar para dar apoio a um filho diagnosticado com uma anemia grave e teme que a qualquer momento seja posta na rua.

Maria João Montez, 36 anos, separou-se em Fevereiro do pai dos filhos, após uma relação de nove anos, e logo de seguida recebeu o anúncio do senhorio de que a renda da casa onde vive em São Domingos, Santarém, iria aumentar de 327 euros para 600. Sem possibilidades de pagar esse valor e sozinha com quatros filhos menores, de 2, 6, 13 e 17 anos, só pede uma casa com três quartos que possa pagar. Começou a trabalhar aos 13 anos na restauração e só parou no ano passado quando foi despedida por faltar para cuidar do filho de dois anos, diagnosticado em Setembro de 2023 com uma anemia ferropénica que se desconfia ser leucemia, estando constantemente a ser internado.
“Se vou para a rua com quatro crianças fico sem eles. A protecção de menores já me ligou a fazer pressão”, desabafa em lágrimas, explicando que foi o filho de seis anos, com a sua inocência, que contou à psicóloga da protecção de menores, onde é seguido por uma alegada agressão na escola primária, que estavam em risco de ficar sem casa. Maria João tem até 3 de Abril de 2025 para sair da casa onde vive há cinco anos e da qual nunca ficou a dever uma renda, garante. Diz que o senhorio justifica o aumento da renda alegando que o que recebe da inquilina não chega para pagar a prestação ao banco.
O MIRANTE teve acesso a uma declaração passada por um pediatra que atesta que Santiago, o menino de dois anos, necessita dos cuidados “imprescindíveis e inadiáveis da mãe por períodos mais prolongados” por “infecções respiratórias recorrentes”, o que impede Maria João de trabalhar. “É mais o tempo que não vai ao infantário. Toda a gente sabe que o Santiago é um menino doente”, afirma a mãe, revelando que por não ter conseguido vaga no sistema público, está a ser acompanhado por um pediatra que cobra 90 euros por consulta, sendo que por mês chega a ir três vezes. “Se calhar se não fosse no privado o meu filho já não estava aqui”, aponta.
A situação tem afectado psicologicamente toda a família. Maria João revela que chora todos os dias, não dorme e não come com os nervos. O irmão de Santiago, de seis anos, está a piorar na escola e terá de repetir o primeiro ano por más notas. Maria João pediu uma casa à Câmara de Santarém, aguarda ajudas com a alimentação, embora ainda nada tenha faltado, e a resposta que lhe deram foi de que não havia casas. Passou a receber em Maio o Rendimento Social de Inserção, recebe cerca de 500 euros de abonos e 60 euros de pensão de alimentos do pai das filhas, de 13 e 17 anos, do seu primeiro casamento que durou 12 anos.
No caso do pai dos filhos, o processo decorre em tribunal por causa da guarda das crianças. Longe dos ex-companheiros e sem suporte familiar, é com muita “ginástica” financeira que paga despesas, alimenta, veste e calça os filhos. Quanto a arrendar outra casa, diz que com a actual situação do mercado imobiliário é impossível: “Os valores são exorbitantes e pedem dois e três meses de renda. Neste momento nem 500 euros consigo pagar”.

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