Sociedade | 22-06-2024 10:00

Suspeitos da morte de jovem numa rixa em Fátima ficam em liberdade

Os dois detidos por suspeita da morte de um jovem em Fátima durante uma rixa entre imigrantes viram ser-lhes aplicada a medida de coacção de apresentações à GNR, dia sim, dia não. Foram constituídos arguidos mais 13 homens, indiciados pelo crime de participação em rixa onde estiveram envolvidos dezenas de cidadãos timorenses.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois homens e constituiu arguidos mais 13, na sequência de uma operação policial realizada na sequência de uma rixa em Fátima na madrugada de dia 2 de Junho, que resultou na morte de um jovem de 26 anos. O Tribunal Judicial de Santarém decretou a medida de coacção de apresentações à GNR aos dois suspeitos, “dia sim, dia não”, no posto mais próximo do seu local de residência, informou a PJ.
A operação policial, com o nome ‘Operação Thémis’, desenrolou-se na quinta-feira, 13 de Junho, e deu cumprimento de mandados de busca e de dois mandados de detenção, por suspeita dos crimes de homicídio qualificado, detenção de armas proibidas e participação em rixa. A investigação prossegue, garantiu ainda a PJ.
No desenvolvimento da investigação do Departamento de Leiria da PJ, que teve o apoio de elementos da Diretoria do Centro, da Unidade de Armamento e Segurança e por peritos de Polícia Científica, foram realizadas várias buscas domiciliárias e detidos dois suspeitos, relacionados com o homicídio e na qual estarão envolvidos cidadãos timorenses. Foram constituídos arguidos mais 13 homens, além dos dois detidos, indiciados pelo crime de participação em rixa, procedendo-se aos respectivos interrogatórios e aplicação de termo de identidade e residência.
“A violência envolveu dois grupos opositores, estimando-se que tenha tido a intervenção de dezenas de elementos, todos do sexo masculino, utilizando armas brancas, barras de ferro, bastões e outros instrumentos de agressão”, lê-se ainda num comunicado de imprensa da PJ,que sublinha o apoio na investigação, desde a primeira hora, do Comando Territorial de Santarém da GNR, através do Destacamento de Tomar.
A operação policial desenvolveu-se toda em Fátima, adiantou à Lusa fonte da PJ, apesar de ter havido “elementos envolvidos na rixa que se deslocaram de Lisboa” para o local do incidente. Das agressões resultou a morte de um homem, de 26 anos, e, pelo menos, cinco feridos, com idades compreendidas entre 22 e 27 anos. A PJ recolheu ainda elementos “indiciários relevantes, bem como foram formalizados vários depoimentos e testemunhos, relacionados com a situação”.
Caso desencadeia reacções de governantes
Após os acontecimentos, o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, pediu desculpa aos portugueses e exigiu que a justiça seja dura com os responsáveis pelo homicídio. “Eu, como timorense e como Presidente, peço desculpa aos amigos e irmãos portugueses pelos distúrbios causados”, afirmou à Lusa o chefe de Estado timorense, propondo também que os vistos dos envolvidos fossem cancelados e estes expatriados para Timor-Leste.
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pediu aos jovens timorenses, residentes no país e na diáspora, para deixarem de praticar as “ditas” artes marciais e rituais. Os acontecimentos em Fátima foram também criticados pela Conferência Episcopal Timorense e pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), líder da oposição. O presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Humberto Silva, expressou preocupação com a insegurança, na sequência da morte de um imigrante. “Eu sinto-me preocupado. Somos uma cidade turística, os turistas [que] vêm a Fátima e os peregrinos [que] vêm Fátima gostam de sossego, sentem-se aqui bem”, afirmou à agência Lusa Humberto Silva, manifestando aflição com “estas perturbações, estes conflitos entre gangues, entre grupos de migrantes”.
Já a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, numa visita a Dili, afirmou que os timorenses são “bem-vindos a Portugal” e adiantou que os confrontos registados em Fátima estão a ser tratados como “qualquer incidente que acontece”, independentemente da nacionalidade.

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