Sociedade | 26-06-2024 18:00

Meninos da Floresta é uma associação de Abrantes onde as crianças têm hortas e brincam à chuva

Meninos da Floresta é uma associação de Abrantes onde as crianças têm hortas e brincam à chuva
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Maria Heleno deixou o seu emprego como engenheira ambiental e, em Novembro, abriu publicamente o projecto “Meninos da Floresta” que pretende conectar as crianças com a natureza

Associação Meninos da Floresta, sediada em Abrantes, funciona como centro de actividades de tempos livres que fomenta a relação entre as crianças e a natureza.

No espaço da associação os mais novos têm hortas, balouços em árvores, pistas de obstáculos e até uma cozinha de lama. Maria Heleno, uma das fundadoras do projecto, falou com O MIRANTE no âmbito do Dia Mundial do Ambiente, que se assinala a 5 de Junho.

Meninos da Floresta é uma associação de Abrantes que tem como principal missão promover o contacto das crianças com a natureza e meio ambiente, através de um centro de actividades ao ar livre. No espaço da associação as crianças têm hortas, balouços em árvores, pistas de obstáculos e a brincadeira predilecta, a cozinha de lama. Jogos tradicionais como apanhadas e escondidas são também das actividades que os “meninos da floresta” gostam de fazer no exterior. A associação tem sede na antiga escola primária de Barreiras do Tejo e recebe crianças dos 3 aos 13 anos, no período entre as 15h30 e as 19h00. Além disso, aos fins de semana é possível realizar festas de aniversário no espaço e durante as férias escolares são desenvolvidas várias actividades ao ar livre.
Maria Heleno é formada em engenharia do ambiente e trabalhou na área até ao nascimento do segundo filho. Quando se começou a aperceber da falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e da necessidade que o filho tinha de brincar e gastar energia em espaços exteriores, começou a idealizar o projecto. Deixou o emprego e em Novembro apresentou publicamente a associação Meninos da Floresta com Joana Fábrica, que acabou por ter de abandonar a associação por motivos pessoais.
O projecto pretende ser um “centro de desocupação de tempos livres para crianças”, onde os mais novos podem brincar ao ar livre e em contacto com a natureza. “Os pais metem as crianças em várias actividades extracurriculares escolhidas por eles e as crianças não têm tempo para si, para ser criança e brincar” lamenta. “Até os próprios espaços exteriores das escolas são demasiado plásticos, com poucas árvores e terra. E em casa entregam-se aos ecrãs e ao mundo digital e ficam ali até à hora de ir dormir” diz. Além dos benefícios comprovados, como a redução de stress e ansiedade, Maria Heleno defende que o contacto com a natureza torna as crianças em adultos com mais respeito pela preservação da natureza.
Para Maria Heleno existe uma desconexão entre as crianças e a natureza, estão menos expostas a brincadeiras à chuva e a sujarem-se. A fundadora do projecto defende que as crianças têm conhecimento dos seus próprios limites e que sabem até onde podem ir. Brincar à chuva é outra das actividades preferidas das crianças da associação. “Nos dias de chuva, com algumas precauções como roupa impermeável e mudas de roupa, proporcionamos na mesma as brincadeiras no exterior e as crianças adoram esse contacto. A chuva com protecção não faz mal, não existe mau tempo, existe mau equipamento” diz com um sorriso.

Pais não valorizam o brincar e o contacto com a natureza
O investimento financeiro e de tempo num projecto que não tinha nenhum semelhante em Abrantes foi um dos maiores desafios no início da aventura, conta Maria Heleno. O facto da associação só ser apresentada publicamente em Novembro, quando muitos pais já tinham alternativas para os filhos, e a falta de transporte próprio são duas das principais dificuldades. No entanto, a principal, prende-se com a mudança de mentalidade dos pais, que defende ser fundamental.
“Há uma desvalorização sobre o contacto com a natureza e sobre o brincar. As crianças saem da escola, têm uma agenda de actividades definida pelos pais em prol dos seus próprios horários e ninguém se importa da criança brincar que é a forma mais completa de aprendizagem que existe a nível motor, cognitivo e emocional, ajudando ainda a criança a desenvolver a sua criatividade por ter de arranjar soluções e meios próprios” explica Maria Heleno.
Apesar do apoio em voluntariado de uma colega, Maria Heleno confessa que não é fácil assumir todo o funcionamento da associação sozinha desde o horário de trabalho, até à limpeza do espaço e mesmo durante a recuperação e restauro das instalações foi a própria que a fez com alguns amigos. No entanto, não esquece os apoios de entidades locais, da autarquia e das juntas que diz serem fundamentais. A associação está inserida em dois projectos locais: o Queria Brincar lá Fora, com a associação do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), com um cariz de integração e inclusão social ;e o projecto Artistas de Cá, onde as crianças têm possibilidade de conhecer vários tipos de arte e contactar com os artistas locais.

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