Sociedade | 27-06-2024 10:00

Coveiro do cemitério de Riachos abre as covas estreitas e na hora do enterro o caixão desce na vertical

Coveiro do cemitério de Riachos abre as covas estreitas e na hora do enterro o caixão desce na vertical
Ana Cristina Pimpão e Francisco Pimpão, filha e marido de Joaquina Triguinhos, que andou em bolandas dentro da urna durante quase uma hora para descer à cova no cemitério de Riachos

Caixão de Joaquina Triguinhos esteve quase uma hora em bolandas para descer à terra. O coveiro abriu a cova estreita e nem com a ajuda dos familiares a coisa se resolveu. Joaquina Triguinhos acabou por descer à sua última morada na vertical. O mau trabalho do coveiro desta vez ultrapassou todos os limites.

O enterro de Joaquina Triguinho Pereira de Oliveira, 84 anos, que se realizou no dia 5 de Junho, a meio da tarde, para o cemitério de Riachos, foi um drama para a sua família que, depois do velório e do caminho até ao cemitério, teve que assistir a um circo com cenas dramáticas, uma vez que o caixão não cabia na cova. O expediente usado não foi o que seria mais aconselhado, que era abrir a cova à medida do caixão. Ana Cristina Pimpão, filha de Joaquina, contou a O MIRANTE que não aguentou a dor de ver o caixão da sua mãe aos trambolhões mais do que 10 minutos, mas o seu pai, Francisco Pimpão, que assistiu a tudo até ao fim, diz que foi quase uma hora de rebuliço. “O coveiro começou por pegar na pá para remediar a situação mas não conseguiu. Depois recebeu ajuda dos familiares de Joaquina, mas a cova estava de tal modo estreita que o trabalho braçal não foi suficiente para resolver o problema. “Ao fim de quase uma hora, depois de várias tentativas para fazerem descer o caixão à cova, incluindo novamente o uso de uma picareta para alargar o buraco, o coveiro conseguiu enfiar o caixão quase a pino, o que acabou por dar resultado, depois de dezenas de tentativas, virando depois a urna na horizontal”, contou a O MIRANTE Ana Cristina, que ouviu do pai, Francisco Pimpão, viúvo de Joaquina, todos os episódios tristes do enterro.
A situação deixou ainda consternadas todas as pessoas que assistiram ao enterro de Joaquina Triguinho, que durante aquela hora iam comentando o filme de terror que estavam a viver como testemunhas. Segundo O MIRANTE apurou, já não é a primeira vez que o coveiro de Riachos tira mal as medidas às covas e aos caixões, mas as situações anteriores não foram tão dramáticas.

Presidente da junta não gostou de ser confrontado

Em conversa com O MIRANTE, Ana Cristina contou que escreveu uma carta ao presidente da Junta de freguesia de Riachos, António Júlio Pereira Jorge, onde lhe pediu explicações sobre o mau trabalho e a situação vivida no cemitério. Ana Cristina diz que não aceitou as desculpas do coveiro, que sabe que não é a primeira vez que o trabalho é mal feito, que vai viver para sempre com as lágrimas daqueles momentos, e que o presidente da junta de freguesia tinha obrigação de pedir desculpa à família pelo drama que os fez viver, assim como à memória de Joaquina Triguinhos. Segundo Ana Cristina Pimpão, o presidente da Junta telefonou-lhe assim que recebeu a carta, não para lhe pedir desculpa, mas sim para a ameaçar que a levava a tribunal pelas palavras que ela lhe tinha dirigido. “Ainda ouvi e rebati algumas coisas que ele me disse ao telefone, mas depois deixei-o a falar sozinho”, contou, acrescentando que não percebe “como é que a população de Riachos elegeu para presidente da junta um homem tão insensível à dor alheia e incapaz de gerir o bom trabalho de um cemitério que é a última morada dos seus munícipes”.

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