Sociedade | 08-07-2024 10:00

Obras no Carregado são um tormento para o comércio local

Obras no Carregado são um tormento para o comércio local
TEXTO COMPLETO DA EDIÇÃO SEMANAL
Restauração é um dos sectores que regista maiores quebras na facturação por causa das obras

Obras na rede de abastecimento de água têm sido dor de cabeça para os comerciantes do Carregado. A empreitada arrasta-se há mais de um ano, o que tem originado perda de clientes e quebras na facturação. Câmara de Alenquer desvaloriza eventuais prejuízos mas o presidente da Junta do Carregado e Cadafais considera que os comerciantes deviam ser compensados.

Os comerciantes do Carregado queixam-se da morosidade das obras que estão a decorrer há mais de um ano na Avenida da Associação Desportiva e ruas adjacentes. Aquela via esteve cortada ao trânsito largos meses e a semana passada os carros circulavam de forma alternada. As reclamações maiores são do sector da restauração que alega quebras na facturação e clientes que andam às voltas para estacionar o carro mas acabam por desistir por não encontrarem lugar.
Um dos estabelecimentos mais afectados é a pastelaria “Pãozinho da Quinta” que tem 16 funcionários. “As obras têm de ser feitas mas reclamo do tempo que estão a levar e os prejuízos que isso nos causa. Fazemos menos 200 euros por dia e ao fim do mês é muito dinheiro. Durante sete ou oito meses reflecte-se nas contas”, lamenta o proprietário, Pedro Lopes. Mais à frente, no restaurante “Delícias da Paulinha”, quando não há água por causa das obras recorrem à compra de garrafões no supermercado. Mateus Carvalho relata conversas de clientes que acabam por ir embora porque não têm estacionamento.
O acesso ao restaurante VilaBrasa tem sido um dos mais afectados. “Temos entre 20 a 30 por cento menos clientes por semana. Se dávamos 60 ou 70 almoços agora damos 40 ou 50. Com o alcatroamento os clientes não estão para vir aqui e sujar os sapatos. É só cola pelo chão, têm sido dias maus. Ainda não abrimos a esplanada por causa do atraso nas obras”, conta a O MIRANTE Sancho Esteves, chefe e responsável pela gestão operacional do estabelecimento.
No ramo da estética também há reclamações. Tânia Lopes trabalha há mais de dez anos naquela zona do Carregado e tem vindo a perder clientes porque é pedicura e precisa de água para trabalhar. “Abrem e fecham a rua constantemente. Fico sem água e tenho de comprar garrafões no supermercado para poder arranjar os pés. Já chegaram a vir cá testar se tenho pressão na torneira e já veio aqui o encarregado da obra justificar-se que passaram por cima do seu trabalho e por isso ocorreram problemas. A água de Alenquer é ouro”, diz.
Os clientes da papelaria Esfera de Letras dizem ser difícil estacionar o carro. Só com uma via aberta à circulação, as pessoas que vêm dos Casais da Marmeleira e Ferraguda não vão dar a volta à igreja para voltar atrás e chegar à papelaria. Acabam por ir aviar-se noutro lado. “Eu fazia o mesmo. Hoje em dia já começamos a pensar que não vale a pena falar, porque nada se resolve. Estas obras decorrem há tempo demais”, afirma Pedro Carvalho.

Comércio devia ser compensado
O presidente da União de Freguesias de Carregado e Cadafais, José Martins, considera que a obra está a levar demasiado tempo. As consequências reflectem-se na sujidade, falta de estacionamento e prejuízos no comércio. “O impacto deste tipo de obras devia ser minimizado. Os cortes de água não foram significativos mas o tempo de obra é um exagero. A população é afectada e isso não foi tido em linha de conta”, reiterou a O MIRANTE.
A Avenida da Associação Desportiva foi alcatroada mas é apenas uma primeira camada. Ainda falta colocar mais um tapete de alcatrão e as marcações. O autarca admite que quando a empreitada terminar será um alívio porque deixam de haver problemas de saneamento, mas devia haver forma de amortecer o prejuízo que os comerciantes estão a ter: “A restauração paga os seus impostos, licenças, ocupação do espaço público e quando se vê numa situação destas deviam ser compensados pelos estragos”.
O vereador da Câmara de Alenquer, Tiago Pedro, ressalva que a intervenção é da EPAL, ainda que a autarquia esteja a aproveitar para fazer algumas intervenções. “Estão a ser trocadas as condutas de abastecimento de água em alta. Surgindo esta oportunidade de uma obra que já sabíamos ser demorada, estamos a aproveitar para trocar as condutas de abastecimento em baixa tendo em conta que já existe o condicionamento do trânsito e ruas fechadas para o efeito”, explica.
Os cortes de água, segundo o vereador, são momentâneos e apenas para colocação dos by-pass na canalização. Em relação aos comerciantes, Tiago Pedro sublinha que “mesmo que existam alguns constrangimentos no trânsito, daí não decorrerá um prejuízo directo em termos de facturação para os restaurantes”.
Segundo a Águas de Alenquer (ADA), a obra encontra-se em fase de ligações e acabamentos, “sendo expectável que termine até ao final do Verão”. A concessionária esclarece que a empreitada principal é da EPAL, tendo sido articulada com o município a substituição da rede pública municipal em exploração pela Águas de Alenquer. “As interrupções verificadas resultaram de avarias provocadas no decorrer da obra, situação imprevisível, ou de trabalhos de ligação devidamente comunicados, sendo por isso situações limitadas no tempo. No decorrer dessas intervenções foram sempre colocados, em obra os meios considerados necessários à boa execução dos trabalhos de forma a minimizar os períodos de interrupção”, diz a ADA, acrescentando que as perturbações no abastecimento visam renovar e melhorar a rede pública municipal.

Tânia Lopes
Mateus Carvalho

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