Vila Franca de Xira e Loures criticam no Parlamento o aumento do ruído de aviões
Agência Portuguesa do Ambiente diz que plano de acção contra o ruído realizado pela ANA não satisfaz e revelou que aquela entidade vai chumbar o documento. Aumento do tráfego na Portela está a deixar mais de 200 mil pessoas de Loures e VFX a sofrer com impactos do ruído dos aviões.
A empresa NAV, que faz a navegação aérea no aeroporto de Lisboa, desprezou toda a população de Vila Franca de Xira e deve ser obrigada pelo Governo a reverter o sistema de descolagens que, desde Maio do ano passado, veio tirar o descanso a quem vive na zona sul do concelho. Em particular as localidades de Alverca, Póvoa de Santa Iria e Vialonga.
O alerta foi deixado por Fernando Paulo Ferreira, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, no dia 4 de Fevereiro no Parlamento, numa audição conjunta com Ricardo Leão, presidente da Câmara de Loures, na comissão de ambiente e energia, no âmbito da intenção de aumentar os voos nocturnos no aeroporto Humberto Delgado.
“A NAV realizou uma alteração radical no sistema de descolagem e não foi de todo a câmara envolvida nesse processo. É possível estudar as coisas para que isso afecte menos a população mas, nesta alteração que foi feita nas rotas, incompreensivelmente a NAV não parece ter tido isso em conta”, criticou o autarca ribatejano. A 16 de Janeiro, segundo Fernando Paulo Ferreira, a NAV escreveu ao município dando conta que o estudo para reverter o sistema de descolagens adoptado em Maio do ano passado está praticamente concluído para ser entregue ao Governo. “Para nós o fundamental é regressar-se ao sistema anterior ou introduzir alterações, porque não há razão nenhuma para a NAV continuar a incomodar diariamente mais de 100 mil pessoas no nosso concelho. Desde Maio que despejam aviões da Portela para cima de VFX. Foi um processo muito mal conduzido”, criticou.
Também Ricardo Leão, presidente de Loures, confirmou estar a receber um conjunto de reclamações da zona oriental do concelho onde vivem mais de 150 mil pessoas, incluindo Camarate, Sacavém, Prior Velho, Bobadela, São João da Talha e Santa Iria da Azóia. Segundo o autarca, a duplicação de movimentos nocturnos tem prejudicado a qualidade de vida da população e mostrou-se contra qualquer expansão do aeroporto. Em 2023, informou, a população total exposta a níveis de ruído acima do limite legal durante o dia foi de 9%. Depois à noite subia para 12%.
* Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE


