Sociedade | 15-02-2025 12:00

A Vila Medieval de Ourém é um diamante em bruto

A Vila Medieval de Ourém é um diamante em bruto
Augusto Dias e Ana Laura, pai e filha, proprietários do restaurante Taverna da Matilde

Localizada num morro a poucos quilómetros da cidade de Ourém, a Vila Medieval é muito mais do que o Castelo.

O espaço é enriquecido pelas ruas com traços medievais, pelo comércio tradicional e pelas pessoas que lá habitam. O MIRANTE visitou a Vila Medieval de Ourém e foi à descoberta dos negócios que contribuem para que o sítio seja um local de passagem obrigatória para muitos visitantes.

Falar da Vila Medieval de Ourém, é falar do Castelo, das ruas com traços medievais, do comércio tradicional que perdura no local e das pessoas que lá habitam. Posicionada num morro a poucos quilómetros da cidade de Ourém, continua a ser um local de passagem para muitos visitantes. O MIRANTE esteve na Vila Medieval de Ourém e falou com alguns comerciantes que contribuem para manter vivo o comércio na localidade. Desde a famosa Ginjinha do Castelo, espaço centenário, até à Taverna da Matilde, restaurante de sucesso criado em 2019, não faltam bons motivos para visitar o local. Em conversa com O MIRANTE, os proprietários dos estabelecimentos não poupam nos elogios, considerando que se trata de uma zona com muito potencial, que recebe muitos visitantes mas podia ser mais reconhecida a nível nacional.
Augusto Gonçalves, 78 anos, é o proprietário do café Ginjinha do Castelo. Nasceu e cresceu na Vila Medieval de Ourém. Conta que o espaço onde funciona actualmente o café é muito antigo, veio dos avós, passou para a mãe e hoje é propriedade sua. A casa é datada de 1956, era a antiga Casa do Alcaide, antigo presidente de câmara - “por isso é que ela está no centro da terra e virada para a igreja”, explica.
Mais tarde, em 1912, foi comprada pelo avô, que ali criou um estabelecimento comercial. “Costumo dizer que este espaço no início era o antigo Intermarché da época, vendia arroz, massa, açúcar, sabão, pregos, marmelada, ginjinha, abafado, vinho, vendia tudo”, explica Augusto Gonçalves. Com o aparecimento das grandes superfícies comerciais foi necessário repensar o negócio, altura em que decidiu renovar a casa e criar o projecto da Ginjinha do Castelo.
Augusto Gonçalves recorda que antigamente às seis da tarde não se via ninguém na vila, cenário que já não se verifica. “Agora, à meia-noite ou uma da manhã há mais gente aqui do que lá em baixo na cidade, os muros aqui à volta do café estão sempre cheios de gente, às vezes até vou espreitar à janela e enche-me o peito ver tanta gente”, confessa. O empresário mora por cima do café. Em 2010 alugou o espaço do café devido a problemas de saúde que o obrigaram a afastar-se durante uns tempos. Acredita que muito do sucesso da casa, deve-se à criação da ginjinha, procurada por muita gente.
O projecto da ginja foi criado em 1993, sendo a receita um segredo de família. Augusto Gonçalves garante que o estabelecimento tem muitos clientes durante todo ano, contando com uma grande adesão de jovens. Sobre a Vila Medieval, o proprietário entende que o local está bem desenvolvido e valorizado. “A única coisa que acho que podiam fazer era um arranjo nas calçadas da vila, são muito antigas”, menciona.

Casal de Lisboa criou um restaurante de sucesso
A poucos metros do café Ginjinha do Castelo encontra-se o restaurante Taverna da Matilde. Criado em 2019, o espaço começou por ser uma casa de petiscos que devido ao sucesso que alcançou evoluiu para restaurante. O MIRANTE falou com Ana Laura, 32 anos, proprietária do estabelecimento, que explica que o restaurante aposta sobretudo em produtos da zona, além dos petiscos como chouriço, morcela e queijo em azeite. Tem ainda menus diários de carne e peixe. “Temos a particularidade de praticamente tudo o que é vendido aqui ser feito cá”, refere, dando como exemplos o pão, que é amassado à mão e feito em forno a lenha, e o vinho tinto, produzido no único lagar do Castelo.
Ana Laura e o marido moravam em Lisboa, viram que a casa onde funciona actualmente o restaurante, na Vila Medieval de Ourém, estava à venda e decidiram comprar o imóvel. Como na altura não tinha possibilidades financeiras foram os pais que a compraram. Assim que conseguiu comprou-lhes a casa, depois foi o Covid, nasceu o filho, venderam a casa de Lisboa e mudaram-se para Ourém, explica a proprietária.
No início não sabiam de que forma podiam aproveitar a casa, foram pesquisar e descobriram que o espaço já tinha sido uma taberna. Acharam boa a ideia e avançaram com o negócio. Começaram por brincadeira, abriam de vez em quando, até que o restaurante ganhou nome e tornou-se um sucesso, tendo já recebido dois prémios do Tripadviser. A Taverna da Matilde é um negócio de família. Além de Ana Laura e marido, também trabalham no restaurante o pai, a mãe e a sogra.
“Acho que a Vila Medieval de Ourém é um diamante em bruto, nós apercebemo-nos muitas vezes que as pessoas chegam aqui ao restaurante porque vêm pelo Tripadviser ou por indicação de alguém e só quando cá estão é que se apercebem que estão dentro de uma vila medieval”, afirma Ana Laura. Embora o restaurante tenha muitos clientes durante o ano, nomeadamente estrangeiros, Ana Laura menciona que há dias, principalmente no Inverno, em que não se vê quase ninguém na Vila Medieval, considerando que podia e devia ser mais reconhecida.

Augusto Gonçalves, proprietário do café Ginjinha do Castelo

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