Sociedade | 26-02-2025 07:00

Município vai pedir esclarecimentos sobre legalidade de exploração pecuária contestada na Granja

Município vai pedir esclarecimentos sobre legalidade de exploração pecuária contestada na Granja
Na última semana os moradores da Granja juntaram-se para confrontar o presidente da junta sobre a exploração à porta da aldeia

Junta de Freguesia de Vialonga considera inaceitável instalar uma exploração pecuária às portas da aldeia da Granja. Câmara de Vila Franca de Xira diz que o licenciamento da actividade não passa por si mas garante estar atenta aos desenvolvimentos.

O município de Vila Franca de Xira diz não ter recebido nenhum pedido de licenciamento de construções no terreno onde irá nascer uma exploração pecuária às portas da aldeia da Granja, em Vialonga, mas promete ficar atenta ao desenrolar do processo. O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), diz que os únicos trabalhos autorizados no terreno são de reposição da cota anterior do espaço, como o nosso jornal já havia dado nota, e lembra que a construção no local está fortemente limitada devido às condicionantes existentes de reserva agrícola e ecológica.
“Está um contentor no terreno e por isso já pedimos parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para perceber se está legal. Não nos compete a nós, câmara, autorizar uma exploração agrícola naquele local”, explicou o autarca na última reunião de câmara, depois de questionado pelos vereadores da CDU e Nova Geração (PSD/PPM/MPT) sobre o assunto, dando eco às preocupações de vários moradores da aldeia.
Segundo Fernando Paulo Ferreira, foi autorizado pelas entidades competentes a criação “de um número muito limitado” de bovinos naquele terreno, ao ar livre, e não uma produção intensiva ou de larga escala. “Do que me informaram andará entre 15 bovinos adultos ou 25 vitelas mas não consigo agora precisar os números”, informou.
Quem já se manifestou directamente contra a exploração foi a Junta de Freguesia de Vialonga. Em comunicado, o executivo considera “inaceitável” que uma localidade historicamente já tão fustigada por cheias, se veja agora confrontada com a eventualidade de uma exploração deste tipo, “que traria impactos ambientais bastante negativos no Paúl da Granja e nas áreas adjacentes”, para além, acrescenta, “de um odor desagradável para toda a comunidade”.
O proprietário do espaço, Francisco Clamote, já havia dito a O MIRANTE compreender os receios dos moradores mas diz que estes são infundados, garantindo que a exploração não vai gerar maus cheiros. “Na exploração extensiva os animais rodam entre parcelas e obtêm a sua alimentação principalmente a pasto. Não há cheiros nem estrumes. Verifica-se uma adubação natural pelos animais nas pastagens e é sustentável e ambientalmente recomendado”, explica. O proprietário também garantiu ao nosso jornal que não está prevista qualquer construção no terreno.

Câmara quer bacia de retenção de águas
Na última semana as chuvas intensas voltaram a inundar partes da Granja o que veio reavivar algumas preocupações da comunidade sobre os trabalhos em curso. “Temos assistido com preocupação à movimentação de terras naquela zona sensível da Granja”, alertou David Pato Ferreira, vereador da Nova Geração.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, admitiu que a aldeia é um dos poucos pontos negros do concelho que ainda causa problemas sempre que chove. “As linhas de água estão limpas mas estamos a estudar a possibilidade de vir a ser feita uma bacia de retenção suplementar na Granja para conter as águas. Mas temos sentido algumas dificuldades, porque os terrenos são privados”, informou. O autarca afiançou que a Protecção Civil Municipal está sempre atenta ao que se passa na aldeia. “É um estudo que está a ser feito. Mas ainda assim estamos longe das situações que existiam anteriormente”, notou.

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