Liga dos Amigos do Hospital de Tomar há duas décadas ao serviço do voluntariado

Desde 2004 que a Liga dos Amigos do Hospital de Tomar junta esforços para dar apoio a doentes e profissionais de saúde da unidade hospitalar. Com cerca de 200 sócios activos, a Liga tem vindo a crescer, estando também responsável por dois bares e uma livraria no hospital. O voluntariado é a sua principal referência, contando actualmente com três dezenas de voluntários.
Dar apoio e ajudar doentes e profissionais de saúde é a missão da Liga dos Amigos do Hospital de Tomar. Criada em 2004, a Liga tem evoluído, contando actualmente com cerca de 200 sócios e três dezenas de voluntários. Além do trabalho de voluntariado, a Liga também está responsável pela exploração de dois bares e uma livraria no hospital de Tomar. O MIRANTE visitou a sede da Liga, localizada no Hospital Nossa Senhora da Graça, e conversou com o presidente, Paulo Grego, a vice-presidente, Maria Cristina Schulz, e Ana Teresa Santos e Lídia Gaspar, responsáveis de acção social e enfermagem, respectivamente.
Paulo Grego, 68 anos, começou por explicar que a Liga surgiu através de um grupo de senhoras com o objectivo de dinamizar o voluntariado e dar apoio ao doente. O responsável explica que inicialmente o voluntariado era realizado apenas na consulta externa, com a distribuição de chá, café e bolachas a doentes e familiares, mas que, recentemente, o serviço foi alargado às enfermarias. “Foi um crescimento que nos trouxe muita satisfação. Há doentes que não recebem visitas e nós podemos ser o seu amparo”, afirma. A Liga explora ainda dois bares e uma livraria no hospital, sendo essa também uma importante ajuda monetária: “a nível financeiro, não recebemos qualquer tipo de apoio. A única base de rendimento que temos são os sócios, os bares e a livraria”, explica o presidente, que assumiu o cargo em 2020.
Paulo Grego foi militar da GNR durante toda a sua vida, tendo-se reformado com apenas 51 anos de idade. “Quando fui convidado para me reformar, porque já tinha completado o meu tempo de serviço, vim ao hospital perguntar se precisavam de voluntários. Desta forma estou a dar continuiadade à minha missão de poder ajudar pessoas”, afirma a O MIRANTE.
Uma relação próxima com os doentes
Maria Cristina Schulz, 74 anos, é a vice-presidente e coordenadora do voluntariado. Está na Liga desde o início, tendo assumido o cargo de coordenadora de voluntariado em 2022. A nível profissional trabalhou como secretária e foi funcionária num laboratório de análises clínicas. Além do trabalho que desempenha na Liga, também dá catequese. Explica que o número de voluntários tem vindo a aumentar e conta que a maior parte são pessoas com mais de 60 anos, reformados, embora também apareçam jovens, como estudantes do Instituto Politécnico de Tomar e utentes do CIRE – Centro de Integração e Reabilitação de Tomar.
A Liga mantém ainda uma relação de proximidade com os serviços de acção social e enfermagem. Ana Teresa Santos é assistente social no Hospital de Tomar há 22 anos. Afirma que a Liga tem uma missão nobre, de ajudar os doentes e também as famílias: “em termos sociais temos aqui famílias muito carenciadas, com muitas dificuldades e, portanto, a Liga tem sido um grande suporte, nomeadamente nos apoios à medicação e transporte”, conta. Ana Teresa Santos realça ainda o papel dos voluntários no contacto com os doentes: “muitas vezes os profissionais de saúde não têm tempo para estar com os doentes e os voluntários ajudam a colmatar essa lacuna”, sublinha. Lídia Gaspar é adjunta da enfermeira directora do Hospital de Tomar. Trabalha como enfermeira desde 1986, esteve 31 anos no Hospital de Torres Novas e agora está em Tomar. Salienta que a Liga é uma mais-valia, sobretudo para os doentes: “as palavras que partilham, a presença, às vezes com pequenos gestos, conseguem fazer a diferença. A humanização que transmitem para o doente e também para os profissionais é fundamental”, vinca.