Mais de mil pessoas da Granja assinam documento contra exploração pecuária na aldeia

Câmara de Vila Franca de Xira continua a dizer que não irá avançar com uma providência cautelar nos tribunais contra a instalação de uma exploração pecuária às portas daquela aldeia de Vialonga enquanto não tiver esclarecimentos da CCDR.
O abaixo-assinado lançado nas últimas semanas contra a instalação de uma exploração pecuária às portas da aldeia da Granja, em Vialonga, já foi subscrito por mais de mil pessoas e a perspectiva é de que continue a crescer nas próximas semanas. A informação é avançada a O MIRANTE por um dos moradores envolvidos na sua dinamização. O objectivo do documento é dar peso à reivindicação popular contra a exploração e já tinha sido subscrito por todos os eleitos do executivo camarário e pelo presidente da Junta de Vialonga, que também já tinha admitido recorrer à justiça para travar a instalação da exploração. É intenção do município pressionar o Ministério da Agricultura e Pescas e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) a recuar nas autorizações concedidas à exploração.
Na última reunião de câmara de Vila Franca de Xira a vereadora da CDU, Joana Bonita, voltou a exigir que o executivo avance com uma providência cautelar para travar a exploração, por entender que pouco ou nada tem sido feito pela câmara desde então. Marina Tiago, vice-presidente da câmara, diz que a reposição da cota inicial do terreno continua e que a fiscalização municipal está “muito atenta” ao que está a ser feito no local para que não existam irregularidades. “Só após esse processo se poderá fazer as medições topográficas pelo nosso serviço. Sobre a providência cautelar aguardamos resposta às questões que colocámos à CCDR sobre este assunto, já que é a entidade com competência nesta matéria”, explicou. Enquanto isso, a comunidade e os vereadores da CDU temem que quando a câmara receber resposta da CCDR seja já tarde demais para agir. Também a Junta de Freguesia de Vialonga já tinha considerado inaceitável instalar uma exploração pecuária às portas da aldeia da Granja.
Em causa, recorde-se, está a luz verde dada pelo Estado a um empresário para avançar com uma exploração pecuária num local conhecido como Lezíria das Madrugas, inserida em Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN) e em zona ameaçada por cheias. Segundo o presidente da câmara, haverá produção de um número limitado de bovinos ao ar livre. “Do que me informaram andará entre 15 bovinos adultos ou 25 vitelas”, informa. O proprietário da exploração já havia dito a O MIRANTE compreender os receios dos moradores mas dizia que estes são infundados. “Não há cheiros nem estrumes e verifica-se uma adubação natural pelos animais nas pastagens. É sustentável e ambientalmente recomendado”, explicava o promotor.