Parque Natura Tejo promete reaproximar Santarém do rio

Projecto de requalificação da frente ribeirinha foi apresentado na Ribeira de Santarém, perante uma plateia lotada. A intenção é devolver o rio à cidade e tornar a margem do Tejo uma zona aprazível com diversos equipamentos. No final ouviram-se aplausos mas também alguns desabafos mais cépticos.
A plateia do Teatro Clube Ribeirense encheu para assistir, na tarde de 19 de Março, à apresentação do Parque Natura Tejo, projecto com que a Câmara de Santarém promete mudar a face da margem do Tejo da Ribeira de Santarém até Alfange. Um plano ambicioso que vai começar pela requalificação da actual zona desportiva e que, numa segunda fase, prevê criar um parque ribeirinho destinado ao, convívio, lazer e desporto informal, respeitando o ambiente e a história local. O investimento previsto ronda os 4,7 milhões de euros, estando já garantidos 3,5 milhões de fundos comunitários.
Para já, o projecto está ainda em fase de estudo prévio. As linhas gerais foram apresentadas pelo presidente da Câmara de Santarém, João Leite, e pelo arquitecto paisagista Luís Ribeiro. Entre os equipamentos previstos estão passadiços, parques infantis, miradouros, campos de futebol e voleibol de praia, cafetaria e esplanada, um parque canino e pequenas zonas fluviais. “Queremos devolver o rio à cidade e criar um parque verde para que as famílias possam aproveitar esta zona única do nosso concelho”, afirmou João Leite. No final, o povo aplaudiu, mas um morador da Ribeira, mais céptico e recordado de antigas promessas, dizia para a esposa à saída que, “agora, é ver para crer, como São Tomé”, apesar de o presidente da câmara ter garantido que este projecto é mesmo para concretizar.
Aliás, logo na introdução, João Leite deu o mote referindo que “é incompreensível e impensável” ter um património natural como o Tejo e não haver condições para desfrutar dele. E reforçou que o importante era que todos saíssem da sessão com a certeza de que o sonho vai tornar-se realidade. Embora ainda não se saiba exactamente quando. Para já, pretende-se que o projecto de execução - a cargo de uma equipa privada, que tem trabalhado em articulação com os técnicos do município - fique concluído até final deste ano. Depois, há ainda o concurso público para a empreitada e respectiva adjudicação, entre outras burocracias. E pelo meio ainda há eleições autárquicas.
O projecto será desenvolvido em duas fases. A primeira, que contempla a requalificação e remodelação do parque desportivo já existente, terá um custo de 1 milhão de euros e arranca já em 2025. A segunda fase prevê a criação do Parque Natura Tejo, abrangendo toda a área entre a Ribeira de Santarém e Alfange. “Queremos criar um percurso pedestre e ciclável lindíssimo, com vários pontos de observação da paisagem e do ecossistema que nos rodeia, ligando a Ribeira de Santarém a Alfange”, explicou João Leite.
Questionado sobre o impacto das cheias frequentes naquela zona durante períodos de chuva intensa, o presidente da câmara garantiu que o projecto está pensado para essas eventualidades, estando a ser desenvolvido em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O projecto será agora consultado pelas juntas de freguesias e pelo clube de canoagem, para que possam dar os seus contributos.
À margem
Mãos à obra
Têm sido muitas as promessas ao longo das últimas décadas para dar nova vida à Ribeira de Santarém e alfange. Desde a marina e outras benfeitorias previstas no final do século passado, ao projecto Almargem e à praia de Santarém, já neste século, muitos foram os projectos, e as expectativas criadas por sucessivos autarcas, para dar a volta à decadência em que mergulhou aquele pedaço de terra na margem direita do Tejo, cujo potencial continua desperdiçado. O Parque Natura Tejo promete fazer as pazes entre a cidade e o maior rio ibérico que passa a seus pés como se nada se passasse. É tempo de pôr mãos à obra, porque o povo está farto de anúncios e de promessas. Agora, é ver parar crer!.