Sociedade | 31-03-2025 21:00

Parque Natura Tejo promete reaproximar Santarém do rio

Parque Natura Tejo promete reaproximar Santarém do rio
As linhas gerais do projecto foram apresentadas pelo presidente da Câmara de Santarém, João Leite, e pelo arquitecto paisagista Luís Ribeiro

Projecto de requalificação da frente ribeirinha foi apresentado na Ribeira de Santarém, perante uma plateia lotada. A intenção é devolver o rio à cidade e tornar a margem do Tejo uma zona aprazível com diversos equipamentos. No final ouviram-se aplausos mas também alguns desabafos mais cépticos.

A plateia do Teatro Clube Ribeirense encheu para assistir, na tarde de 19 de Março, à apresentação do Parque Natura Tejo, projecto com que a Câmara de Santarém promete mudar a face da margem do Tejo da Ribeira de Santarém até Alfange. Um plano ambicioso que vai começar pela requalificação da actual zona desportiva e que, numa segunda fase, prevê criar um parque ribeirinho destinado ao, convívio, lazer e desporto informal, respeitando o ambiente e a história local. O investimento previsto ronda os 4,7 milhões de euros, estando já garantidos 3,5 milhões de fundos comunitários.
Para já, o projecto está ainda em fase de estudo prévio. As linhas gerais foram apresentadas pelo presidente da Câmara de Santarém, João Leite, e pelo arquitecto paisagista Luís Ribeiro. Entre os equipamentos previstos estão passadiços, parques infantis, miradouros, campos de futebol e voleibol de praia, cafetaria e esplanada, um parque canino e pequenas zonas fluviais. “Queremos devolver o rio à cidade e criar um parque verde para que as famílias possam aproveitar esta zona única do nosso concelho”, afirmou João Leite. No final, o povo aplaudiu, mas um morador da Ribeira, mais céptico e recordado de antigas promessas, dizia para a esposa à saída que, “agora, é ver para crer, como São Tomé”, apesar de o presidente da câmara ter garantido que este projecto é mesmo para concretizar.
Aliás, logo na introdução, João Leite deu o mote referindo que “é incompreensível e impensável” ter um património natural como o Tejo e não haver condições para desfrutar dele. E reforçou que o importante era que todos saíssem da sessão com a certeza de que o sonho vai tornar-se realidade. Embora ainda não se saiba exactamente quando. Para já, pretende-se que o projecto de execução - a cargo de uma equipa privada, que tem trabalhado em articulação com os técnicos do município - fique concluído até final deste ano. Depois, há ainda o concurso público para a empreitada e respectiva adjudicação, entre outras burocracias. E pelo meio ainda há eleições autárquicas.
O projecto será desenvolvido em duas fases. A primeira, que contempla a requalificação e remodelação do parque desportivo já existente, terá um custo de 1 milhão de euros e arranca já em 2025. A segunda fase prevê a criação do Parque Natura Tejo, abrangendo toda a área entre a Ribeira de Santarém e Alfange. “Queremos criar um percurso pedestre e ciclável lindíssimo, com vários pontos de observação da paisagem e do ecossistema que nos rodeia, ligando a Ribeira de Santarém a Alfange”, explicou João Leite.
Questionado sobre o impacto das cheias frequentes naquela zona durante períodos de chuva intensa, o presidente da câmara garantiu que o projecto está pensado para essas eventualidades, estando a ser desenvolvido em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O projecto será agora consultado pelas juntas de freguesias e pelo clube de canoagem, para que possam dar os seus contributos.

À margem

Mãos à obra

Têm sido muitas as promessas ao longo das últimas décadas para dar nova vida à Ribeira de Santarém e alfange. Desde a marina e outras benfeitorias previstas no final do século passado, ao projecto Almargem e à praia de Santarém, já neste século, muitos foram os projectos, e as expectativas criadas por sucessivos autarcas, para dar a volta à decadência em que mergulhou aquele pedaço de terra na margem direita do Tejo, cujo potencial continua desperdiçado. O Parque Natura Tejo promete fazer as pazes entre a cidade e o maior rio ibérico que passa a seus pés como se nada se passasse. É tempo de pôr mãos à obra, porque o povo está farto de anúncios e de promessas. Agora, é ver parar crer!.

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