Continua a contestação sobre o traçado de nova Linha de Muito Alta Tensão em Alcanena

Câmara de Alcanena pondera avançar com uma providência cautelar para impedir o traçado de uma nova Linha de Muito Alta Tensão (LMAT) que prevê atravessar cinco das sete freguesias do concelho. Está prevista a discussão do assunto na próxima sessão da assembleia municipal, a realizar em Abril.
A Câmara de Alcanena diz não se conformar com a aprovação do traçado de uma nova Linha de Muito Alta Tensão (LMAT), que prevê atravessar cinco das sete freguesias do concelho, tendo admitido avançar com uma providência cautelar. O projecto da Rede Eléctrica Nacional (REN) apresenta uma extensão de cerca de 72 quilómetros (Km), ligando Rio Maior a Lavos, sendo que o traçado faz um atravessamento quase integral do concelho de Alcanena, numa extensão de cerca de 20 Km, com a câmara e assembleia municipal a relatarem prejuízos a vários níveis, em moções de rejeição entretanto aprovadas, e onde defendem um traçado alternativo. “Não nos vamos resignar e vamos lutar com todos os meios administrativos que temos à nossa disposição”, disse à Lusa Rui Anastácio, tendo indicado que a interposição de providência cautelar “é uma possibilidade que está a ser equacionada pelos serviços jurídicos” da autarquia.
Recorde-se que, em Abril de 2024, a população da aldeia de Covão do Coelho, freguesia de Minde, juntou-se para contestar a medida, obrigando mesmo o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, a marcar uma reunião onde o acusaram de não ter dado qualquer informação sobre a nova linha. A população reuniu perto de um milhar de assinaturas com receio das consequências da passagem de uma linha de muita alta tensão perto das casas da localidade. Na reunião com o presidente da câmara, os moradores criticaram Rui Anastácio por só reagir um dia antes de terminar o prazo da consulta pública da instalação da linha
Os factores que justificam a recente tomada de posição dos eleitos em Alcanena assentam, entre outros, “na interferência com os valores naturais e da biodiversidade” e em “áreas urbanas e agrícolas”, a par do “aumento da intrusão visual e alteração da paisagem” e do “atravessamento de áreas com património cultural”, com “afetação dos recursos hídricos” no município. A autarquia entende que “o Estudo de Impacte Ambiental deveria ter avaliado outras opções de traçado, tendo por base critérios objectivos de sustentabilidade”, tendo defendido “a opção de utilizar linhas existentes promovendo a sua duplicação (…) para minimizar interferências com as pessoas, o património natural e o património cultural”.
O protesto é partilhado pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo (CUSPMT) entidade que lamentou a aprovação da DIA, afirmando que o corredor proposto “traz problemas de saúde pública para as populações, para as actividades económicas e sociais e para os ecossistemas ambientais”. Em declarações à Lusa, Manuel José Soares afirmou “lamentar uma decisão dessas, atendendo que, se não a totalidade, a grande maioria dos pareceres emitidos eram negativos à passagem ali da linha, tanto mais que havia outros corredores alternativos”.