Chuvas provocam prejuízos significativos na Lezíria do Tejo

De acordo com o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo as perdas registadas devem-se não só às cheias e inundações provocadas pelos caudais do rio Tejo, mas também à saturação dos solos.
A chuva tem provocado este Inverno prejuízos significativos aos agricultores da Lezíria do Tejo, com perdas directas em culturas como o tomate, batata e trigo, disse à Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra. “Está a ser um ano complicado. Temos um problema com as culturas instaladas, como trigos, ervilhas e batatas e aí temos perdas directas”, explicou Luís Seabra. Segundo o responsável, a Torriba, uma das principais associações agrícolas da região, estima prejuízos na ordem dos 3,5 milhões de euros, com perdas "irreversíveis", já que as culturas foram “destruídas” e não podem ser recuperadas. Por outro lado, há também atrasos nas culturas de Primavera-Verão, sendo o caso do tomate particularmente crítico.
“O tomate está muito instalado no Vale do Tejo e, entre Valada e Azambuja, temos cinco mil hectares de produção. Neste momento, esses campos estão completamente saturados, o que irá provocar atrasos na plantação”, alertou o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo. De acordo com Luís Seabra, as perdas registadas devem-se não só às cheias e inundações provocadas pelos caudais do rio Tejo, mas também à saturação dos solos que resultam das chuvas fortes e persistentes que se tem verificado nos últimos dois meses. “Os contratos de concessão das barragens não protegem devidamente o território. Há algum cuidado, mas falta uma coordenação directa entre a gestão das barragens e as necessidades agrícolas e ambientais da região”, afirmou, reconhecendo que as barragens desempenham um papel fundamental no controlo das cheias.
Luís Seabra alertou ainda para a necessidade de optimizar a gestão dos recursos hídricos no país, apontando como solução um transvase (transferência de água de uma bacia hidrográfica para outra) do Tejo para o Guadiana, para minimizar os impactos das cheias e reforçar as reservas hídricas no sul do país. “Só em Janeiro e Fevereiro, metade da água que passou no Tejo quase que enchia a barragem da Alqueva. Ou seja, se houvesse um transvase do Tejo para o rio Guadiana, que já devia estar mais que pensado e estudado, tínhamos enchido e atestado as barragens no sul de Portugal. Se tivéssemos um transvase no Tejo, evitávamos o excesso de água do Tejo e levávamos a água onde não há”, indicou.