Doentes da Chamusca ficam à porta do Centro de Saúde porque só o segurança é que tem as chaves e não foi trabalhar

Situação insólita aconteceu no sábado, 23 de Agosto, e ao que O MIRANTE apurou não é a primeira vez que acontece. O Centro de Saúde da Chamusca não abriu porque o segurança não apareceu com as chaves e os utentes e profissionais de saúde tiveram que esperar à porta que a situação se resolvesse.
A manhã de sábado, 23 de Agosto, começou mal para muitos utentes e profissionais de saúde que trabalham no Centro de Saúde da Chamusca. A unidade, que pertence à Unidade Local de Saúde da Lezíria, não abriu portas porque o segurança não apareceu com as chaves. Aparentemente é o segurança a única pessoa com acesso a umas chaves para abrir o edifício, situação que tem causado muita indignação na população.
O centro de saúde deveria ter aberto às 09h00 daquele sábado, mas só abriu algumas horas depois. Por volta das 09h30 estavam à porta do centro de saúde um médico da Golegã à espera que a porta fosse aberta, assim como cerca de uma dezena de utentes. Alguns dos utentes tinham programados tratamentos aos seus problemas de saúde e, segundo explica a O MIRANTE fonte que estava no local, havia uma pessoa de 96 anos também à espera. A mesma fonte refere que esta não é a primeira vez que a situação acontece, sendo que na última o centro de saúde só abriu portas depois das 11h00. A Guarda Nacional Republicana (GNR) foi chamada ao local pelos utentes.
A Câmara Municipal da Chamusca, que não tem conseguido resolver os problemas de funcionamento do novo centro de saúde, principalmente por não conseguir chegar a entendimento com os responsáveis pelo espaço, emitiu um comunicado no final da mesma manhã, explicando que o Centro de Saúde da Chamusca não abriu às 09h00, como habitualmente, “devido a um acidente sofrido pelo segurança responsável pela abertura das instalações”. Segundo informação transmitida à câmara municipal, apenas o segurança dispõe de chave, por determinação da Unidade Local de Saúde, como comunicado pela coordenação da Unidade de Saúde Familiar e Unidade de Cuidados Continuados, “contrariamente ao que acontecia anteriormente, quando existiam várias pessoas autorizadas a abrir o edifício”.
Recorde-se que o edifício não foi transferido para o município da Chamusca, situação que tem causado várias críticas por parte dos autarcas, e que impede que seja a autarquia a gerir o espaço. Inclusivamente, o presidente da câmara queixou-se recentemente de não haver acesso a dados dos funcionários do centro de saúde, o que condiciona a gestão do mesmo, responsabilizando a ULS Lezíria pela situação. O novo centro de saúde foi inaugurado há cerca de um ano e meio, mas os problemas persistem. A Câmara da Chamusca é actualmente responsável por grande parte dos encargos do espaço. A ULS Lezíria emitiu um comunicado no início da tarde do dia seguinte, domingo, 24 de Agosto, afirmando que “foram accionados os contactos necessários, o que permitiu a resolução da ocorrência, a abertura do edifício e a normalização do funcionamento do serviço” algumas horas depois. A ULS Lezíria esclarece ainda que “não tinha conhecimento de episódios semelhantes no passado” e que “foram já solicitadas medidas correctivas, de modo a prevenir a repetição de situações desta natureza”.