Sociedade | 16-11-2025 07:00

Há mais de 500 mil cuidadores informais mas apenas 18 mil têm estatuto reconhecido

Há mais de 500 mil cuidadores informais mas apenas 18 mil têm estatuto reconhecido
Liliana Gonçalves, presidente da ANCI, quer transformar a lei em prática e dar voz a quem cuida sem descanso - foto O MIRANTE

Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI) apresentou o Manifesto para os Direitos dos Cuidadores Informais e anunciou a criação do Observatório Nacional, para reforçar o reconhecimento e a proteção de quem cuida.

A Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI) apresentou o Manifesto para os Direitos dos Cuidadores Informais e anunciou a criação do Observatório Nacional dos Cuidadores Informais (ONCI), duas ferramentas para pressionar a aplicação real das leis e acelerar respostas concretas no terreno. O anúncio foi feito por Liliana Gonçalves, presidente da ANCI, no VII Encontro Nacional de Cuidadores Informais, sob o tema “Dar voz aos Cuidadores Informais, Legislação e Medidas por Implementar”.
O Manifesto reúne um conjunto de propostas de acção imediata e de longo prazo, incluindo, entre outras, a revisão do subsídio de apoio e da carreira contributiva dos cuidadores, implementação efectiva do descanso do cuidador, remuneração das licenças para cuidar, desburocratização dos processos de reconhecimento do estatuto, e maior articulação entre juntas de freguesia, municípios e Segurança Social. Os números expõem a dimensão da situação, estimando-se que 500 mil pessoas cuidam a tempo inteiro em Portugal, mas apenas 18 mil têm estatuto reconhecido e apenas 6 mil recebem subsídio, um valor que ronda os 400 a 450 euros e que exclui muitas famílias. Nesse sentido, o recém-criado Observatório Nacional dos Cuidadores Informais terá a missão de recolher dados científicos, monitorizar a aplicação do Estatuto e fundamentar políticas públicas. “Queremos um retrato rigoroso e respostas planeadas a curto, médio e longo prazo, com ministérios, investigadores, autarquias e instituições”, explicou Liliana Gonçalves.
Criada em 2018 a partir de um movimento de cuidadores iniciado nas redes sociais em 2016, a ANCI esteve na origem da aprovação do Estatuto do Cuidador Informal em 2019 e hoje, Liliana Gonçalves destaca que a luta evoluiu para garantir que a lei produza respostas reais e seja cumprida.

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