Politécnico de Santarém ocupa 99% das vagas de 1º ano e tem alunos de 36 nacionalidades
O presidente do Instituto Politécnico de Santarém, João Moutão, sublinha que ao preencher quase 99% das vagas para o 1º ano das suas licenciaturas, a instituição conseguiu um resultado excepcional no contexto actual.
Uma realidade que não o impede de tecer críticas às mudanças impostas pelo Governo no modelo de acesso ao ensino superior, que causou uma redução substancial do número de candidatos no concurso nacional de acesso e teve impacto desfavorável, sobretudo, nas escolas do interior do país.
O Instituto Politécnico de Santarém (IPSantarém) disponibilizou 1.033 vagas para o Concurso Nacional de Acesso (CNA) ao ensino superior em 2025 e, no final de todas as fases e concursos especiais, matricularam-se 1.020 estudantes de 1.º ano de licenciatura, o que representa uma taxa de ocupação de 98,7%. Uma realidade que o presidente da instituição, João Moutão, considera “um resultado excepcional no contexto nacional actual”, adiantando que “estes valores foram muito satisfatórios e estão em linha com os do ano anterior”, onde também acabaram por ocupar todas as 974 vagas disponíveis.
Isso, no entanto, não impede que critique as alterações ao regime de acesso estabelecidas este ano. João Moutão refere que, com as mudanças introduzidas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, o número de candidatos no concurso nacional de acesso decresceu 16,4% a nível nacional, representando menos 9.583 candidatos face a 2024. Foram colocados através do CNA apenas 43.899 novos estudantes na primeira fase, o que representa uma redução de 12,1% face ao ano anterior (menos 6.064 estudantes), elucida.
Uma redução que teve impacto em todas as regiões do país, com quebras que chegaram aos 40% em alguns politécnicos do interior. “O número de vagas por preencher mais do que duplicou a nível nacional, passando de 4.966 em 2024 para 11.513 vagas sobrantes em 2025, o valor mais elevado da última década”, refere João Moutão. No caso do IPSantarém, dos 1.020 estudantes matriculados este ano, apenas 523 ingressaram através das três fases do CNA. Os restantes entraram por vias alternativas, nomeadamente através dos concursos especiais, como é o caso dos Maiores de 23 Anos, por onde ingressaram 44 estudantes, o que comprova a relevância contínua e crescente destas vias de acesso para públicos não tradicionais.
“A manutenção da procura do IPSantarém comprova que a população mantém o interesse em ingressar no ensino superior e que o problema reside no modelo de acesso, que está obsoleto e não responde às necessidades actuais do país. O sistema actual, baseado exclusivamente em exames nacionais, tornou-se uma barreira à entrada de muitos jovens que, por constrangimentos económicos, geográficos ou pedagógicos, ficam impedidos de prosseguir estudos superiores”, considera João Moutão, reforçando: “Estamos a perder muito talento e o elevador social não está a ser promovido, principalmente nas regiões do interior”.
Estudantes de 36 nacionalidades
Referindo que todos os cursos disponibilizados pelo IPSantarém estão a funcionar com o número de turmas habitual, “o que demonstra a solidez e a atractividade da oferta formativa”, João Moutão destaca “casos de enorme sucesso”, como a Licenciatura em Educação Básica, em que aumentaram 30 vagas face ao ano anterior, totalizando 90 vagas, que foram todas preenchidas na 1.ª fase; e a Licenciatura em Enfermagem Veterinária, curso que abriu pela primeira vez com 45 vagas, todas preenchidas na 1.ª fase, “demonstrando a capacidade da instituição em identificar áreas emergentes de formação e responder às necessidades do mercado de trabalho na área da saúde animal”.
A esta realidade não é alheia a crescente procura dos cursos do Politécnico de Santarém por parte de estudantes estrangeiros. Actualmente, frequentam as escolas da instituição estudantes de 36 nacionalidades, 380 deles estrangeiros, em especial provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). “Esta presença é profundamente enriquecedora — promove a interculturalidade, a partilha de experiências e reforça o papel do ensino superior português como espaço de cooperação e desenvolvimento global”, sustenta João Moutão, ressalvando que o IPSantarém tem tido “uma abordagem conservadora e responsável neste domínio, garantindo que a internacionalização não compromete a qualidade do ensino nem a capacidade de acolhimento e integração dos estudantes”.
O MIRANTE pediu também informações ao Instituto Politécnico de Tomar, que não chegaram até ao fecho desta edição.
Aumento da procura de apoio social
João Moutão adianta que o fenómeno do abandono escolar entre os estudantes do IPSantarém tem-se mantido em níveis reduzidos. “Temos investido fortemente no Projecto de Promoção do Sucesso e Prevenção do Abandono, que articula medidas pedagógicas, sociais e psicológicas orientadas para a detecção precoce de sinais de risco e o apoio personalizado aos estudantes”, diz, reconhecendo que as dificuldades económicas e pessoais podem ocasionalmente influenciar algumas situações de abandono.
O apoio social tem registado um aumento significativo da procura, sobretudo ao nível de bolsas de estudo, alimentação e alojamento, o que considera natural face ao contexto socioeconómico actual e ao aumento do custo de vida. “Procuramos responder de forma ágil, próxima e humanizada, assegurando que nenhum estudante é impedido de prosseguir os seus estudos por motivos financeiros. Esta filosofia de proximidade e de responsabilidade social é um dos pilares da identidade do IPSantarém”, salienta João Moutão.


