Sociedade | 22-12-2025 07:00

Pais queixam-se de constantes casos de violência na Escola Básica de Azambuja

Pais queixam-se de constantes casos de violência na Escola Básica de Azambuja
Caso do aluno que, no ano passado, esfaqueou seis colegas em escola de Azambuja ainda está muito presente - foto DR

No Agrupamento de Escolas de Azambuja há pais e alunos a queixar-se dos constantes casos de violência e a exigir medidas urgentes. Falta de assistentes operacionais na escola básica, onde no ano passado um aluno esfaqueou outros seis, é apontada como parte do problema.

Um grupo de pais da Escola Básica de Azambuja, pertencente ao Agrupamento de Escolas (AE) de Azambuja, queixa-se do clima de insegurança e dos constantes casos de violência entre alunos. Sentem-se ignorados pela direcção e, se não forem tomadas medidas, temem que ocorra uma tragédia semelhante à do ano transacto, com um aluno a esfaquear seis colegas naquele estabelecimento de ensino.
Para dar conta desses anseios e descontentamento, algumas mães de alunos do sétimo ano foram à última sessão da Assembleia Municipal de Azambuja expor as suas preocupações e apelar à tomada de medidas. Uma delas foi Ana Luísa Matos, que falou numa “crescente e galopante violência em contexto escolar” e do sentimento de insegurança que paira sobre as crianças e jovens que frequentam aquele estabelecimento de ensino. Afirmando que há encarregados de educação disponíveis para ser parte da solução, juntamente com o município e a escola, lamentou serem desconhecedores de qualquer tipo de “intervenção realizada em contexto escolar”.
Também outra mãe, Cátia Santos, pediu a palavra para lamentar que a direcção não responda aos sucessivos pedidos de agendamento de reunião. “Continuamos a viver com medo, há crianças que ainda têm traumas muito grandes”, disse, especificando que sabe que há pelo menos uma que presenciou o episódio do esfaqueamento, que continua a ter dificuldades em estar na escola. Além disso, vincou, “continuam a existir comportamentos agressivos para com crianças de 11 anos”, alguns dos quais reportados há anos.
O MIRANTE sabe que estas preocupações chegaram à Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) por meio de um encarregado de educação que fala de uma “má gestão e encobrimento constante de um quotidiano de inúmeros casos graves, e a escalada de comportamentos agressivos dentro e fora da escola a crescer exponencialmente”. Na missiva que remeteu à DGEstE dá conta de um aluno que “persegue e faz ameaças” aos colegas “dentro e fora da escola”. Esse aluno, afirma, apresenta “um perfil agressivo e traços comportamentais semelhantes” aos do aluno que no ano passado esfaqueou outros seis naquela escola. “Inclusive leva facas também na mochila”, alega, implorando às entidades competentes que actuem “para evitar uma tragédia”.

Agrupamento desconhece casos recentes com facas
A directora do Agrupamento de Escolas de Azambuja, Madalena Tavares, contactada por O MIRANTE, diz desconhecer “qualquer queixa ou participação de ocorrência que envolva a perseguição com facas ou o simples facto de o aluno trazer facas consigo”. Relativamente às “situações que carecem de acompanhamento disciplinar, a directora garante que são acompanhadas de perto e que a direcção reúne “regularmente com todos os pais e encarregados de educação” que a procuram ou são convocados.
Quanto aos “tristes episódios ocorridos no ano transacto”, Madalena Tavares assegura que o “agrupamento, em todos os momentos, incluindo os actuais, procedeu em conformidade com a Lei: abriu os procedimentos disciplinares necessários, promoveu a assunção de medidas sancionatórias sempre que tal se impôs, comunicou às autoridades competentes, parceiras do agrupamento (CPCJ e GNR/Escola Segura) todas as situações que se afiguraram de risco para a própria criança ou jovem ou para as demais crianças e jovens".
Madalena Tavares adiantou ainda que “com o apoio da autarquia estão também a ser implementados programas de bem-estar emocional e alertas para bem-estar mental geridos por psicólogos do agrupamento e da câmara e educadores sociais, com o apoio dos docentes e directores de turma do agrupamento”.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, disse só ter tomado conhecimento do “episódio de violência e perseguição” por parte de um aluno, no dia em que se realizou a sessão da assembleia municipal, a 3 de Dezembro. Quanto ao caso do esfaqueamento, garantiu que foi prestado “apoio psicológico às crianças, auxiliares, pais e professores”. O autarca disse que há que encontrar soluções para o problema e comprometeu-se a agir nesse sentido, demonstrando intenção de diálogo futuro com as autoridades e disponibilidade para reunir com os pais dos alunos.

Falta de assistentes operacionais é potenciador de insegurança

O colectivo de mães presente na assembleia municipal apontou a falta de assistentes operacionais na escola como potenciador de insegurança. “A escola básica tem 450 alunos para 12 auxiliares, estamos a falar de um rácio de 37,5 crianças para um adulto”, referiu Ana Luísa Matos, sublinhando que quando esses profissionais adoecem e ficam de baixa médica as crianças ficam “desprotegidas, que é o que acontece neste momento”.
Sobre este tema, o presidente do município mostrou preocupação e mencionou que no ano passado a autarquia chegou a abrir procedimento para a colocação de 10 assistentes operacionais, para colmatar situações de baixa médica, tendo apenas conseguido a colocação de duas pessoas.

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